segunda-feira, 19 de abril de 2010

Terças - Trans do dia 20/04/2010


Repassando:

" Olá Pessoal,

Desculpem avisar tão em cima da hora, mas não tive como fazê-lo mais cedo.

Estamos preparando um TERÇAS TRANS ESPECIAL neste dia 20/04 com as meninas que batalham na pista para conversarmos e levantarmos demandas. Teremos a participação da Assistente Social Taís Souza, transexual e trabalhadora no CRD.

Paratanto, a reunião acontecerá das 16h às 18h, excepcionalmente nesta terça.

O tema é: DIREITOS E DEVERES PARA QUEM BATALHA NA PISTA!

No mesmo batlocal: Centro de Referência da Diversidade, Rua major Sertório, 292/294 - Centro.
(cruzamento com a Rua Rego Freitas).

Aguardamos a participação de vocês,
Beijos,

Alessandra Saraiva
Coordenação.
"

Fonte: Por email.

Homem trans se revela para ajudar a causa


Publicado em 22.02.2010 Márcio Claesen.

Dentre os vários e-mails que vocês leitores mandam diariamente ao ParouTudo, existem muitos que nos incumbem de desafios. Tanto em termos de jornalismo quanto de cidadania LGBT. Há cerca de duas semanas W.R., 29 anos, moradora de Brasília, nos escreveu contando as dificuldades que seu namorado, que é transexual, teve em achar um apartamento para alugar na capital. O seu relato era seguido de um desejo: que os homens trans tenham visibilidade para que, um dia, sejam respeitados. O site, claro, é imbuído desse valor, mas encontrar pessoas dispostas a mostrar a cara é difícil, respondemos a ela. Resultado: o casal aceitou ser ele mesmo o protagonista do que tanto sonhava.

Veja abaixo a conversa do ParouTudo com Paulo Pereira, 24 anos, tosador, morador de Curitiba, que conheceu W.R. através do Orkut. O casal está momentaneamente morando em cidades diferentes, mas por um grande motivo: juntar dinheiro para a mastectomia de Paulo. Inteligente e determinado, Paulo se sente pronto para ser, em todos os sentidos, o homem que ele já é internamente.

Por que você resolveu dar esta entrevista?

Porque os transexuais FTM (female-to-male, expressão em inglês que quer dizer fêmea para macho), dos quais faço parte, são pessoas desconhecidas pela sociedade. Na verdade, a grande maioria nem sabe o que significa um homem transexual e nunca ouviu falar nesse termo. Fico triste porque uma quantidade incrível de pessoas do nosso próprio meio - lésbicas, gays e bissexuais - não sabe quem somos. Imagine, então, quem não é do babado. Quero que o Brasil nos reconheça e nos respeite. Desejo, principalmente, que nossos direitos sejam iguais aos de todos. Aí está meu propósito.

É muito comum homens transexuais relatarem que, primeiramente, pensaram que eram lésbicas. Isso aconteceu com você? Como foi esse processo?

Sim, eu pensava que era uma lésbica muito masculina. Eu me vestia como homem, mas nunca passou pela minha cabeça que eu poderia estar enganado, confundindo gênero com orientação sexual. Fui descobrir que era transexual no início de 2009 quando conheci minha companheira. Ela me perguntou se eu sabia o que era "FTM" e me explicou tudo sobre o assunto. Foi assim que entendi que, na verdade, eu não era lésbica e, sim. um homem transexual heterosexual.

Como foi a reação da sua família no início do seu processo de transformação e descoberta como transexual? E como é hoje?

Descobri que gostava de meninas por volta dos 12 anos. Aos 15, meu pai descobriu e quase me matou. Fui me assumir mesmo para minha familia aos 18, como lésbica. Eles não aceitaram como eu gostaria. Levaram cerca de dois anos para meu pai me respeitar. Felizmente, quando descobri que era FTM, a pior parte já havia passado e meus pais já me aceitavam. Hoje, eles me dão apoio em tudo e agradeço muito a Deus por isso.

Qual foi sua primeira transformação externa como homem? O que isso significou para você?

Minha primeira transformação externa como homem foi aos 18 anos e continua a mesma até hoje. Eu me visto como homem, me comporto como homem e para mim isso é tudo! Não me sinto mulher em nada. Vestir-me e agir como realmente me sinto significa minha liberdade, pois já estou preso em um corpo que não é meu. Essa transformação, mesmo que ainda superficial, já me deixa mais aliviado.

Quanto às intervenções cirúrgicas e medicamentos que você precisa tomar, qual a sua situação hoje e qual o cronograma que você traçou? Em algum momento sente medo?

Meu tratamento é tudo que mais quero na vida! No momento, estou fazendo acompanhamento com um psicólogo especializado em transexualidade. Foi confirmada a disforia de gênero, ou seja, sou, de fato, um homem transexual. Em abril de 2010, vou começar o tratamento hormonal. Este andamento, na minha visão, é o melhor caminho a percorrer para um transexual. Primeiramente, as consultas psicológicas, aí o diagnóstico e, então, todo o processo de redefinição sexual, que se inicia com o tratamento hormonal com acompanhamento médico e, por fim, as cirurgias de readequação, cuja prioridade, no meu caso, é a mamoplastia. Ainda não penso em esterilizar-me. Não tenho medo algum. Estou disposto a tudo só para me sentir melhor e feliz com meu corpo.

Como você lida com o fato de você ter uma psique diferente do seu corpo físico?

Não é facil viver em um corpo que não é seu. Ter seios, não tirar a camisa, não poder andar de mãos dadas com a namorada, ter que usar cinta de compressão para disfarçar o volume, isso tudo é muito chato. Estou levando numa boa porque logo vou iniciar o tratamento hormonal e fazer minha cirurgia de retirada das mamas. É isso que me conforta.

Desculpa se parecer um lugar-comum, mas a primeira e talvez única ideia que as pessoas têm de um homem transexual é a do filme "Garotos Não Choram". Você assistiu a esse filme? De que forma ele te impactou?

Assisti ao filme com minha companheira. Fiquei chocado com o preconceito e com a maneira como tudo aconteceu. Para a sociedade, só os heterossexuais podem amar e ser felizes. Isso é rídiculo. Matar um ser humano porque ele é ou ama de forma diferente é absurdo. Esse filme denuncia a verdadeira sociedade em que vivemos.

Só para se ter um parâmetro, daqui a cinco anos como você quer estar?

Daqui a cinco anos quero estar fisicamente transformado. Quero estar casado com minha companheira, espero ter meu nome masculino em meus documentos e ser um médico veterinário. Quero ter a oportunidade de ser bem sucedido e feliz com minha esposa e filhos, vivendo plenamente como o homem que sou.

Fonte: http://www.paroutudo.com/materias/redacao/100222.php

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ben ou Barbara?

A história de Ben Barres, neurocientista que descobriu a função de uma das mais importantes células do cérebro. E, no meio do caminho, mudou de sexo.

Suzana Herculano-Houzel*

“Imagine como um homem se sentiria se fosse obrigado a viver com seios, pernas raspadas, maquiagem e cabelo comprido”

A primeira vez que vi Barres foi em 1994, numa palestra na universidade onde eu estudava na época, em Cleveland. Ben ainda era Barbara. Hoje, a foto do site oficial do laboratório de Barres na Universidade Stanford, na Califórnia, uma das mais prestigiadas do mundo, mostra o rosto sorridente e barbado do neurocientista no centro de um pôster do filme Harry Potter, cercado de personagens de Hogwarts. Pouco convencional – mas convencional é uma palavra que não combina nem com sua pesquisa nem com a sua história de vida. Enquanto a maioria dos cientistas são homens ou mulheres, Barres tem experiência como ambos: 40 anos como mulher, e 14 – até agora – como homem.

NO CORPO ERRADO

Ben nasceu 54 anos atrás como Barbara Barres – mas, provavelmente em consequência de um tratamento com hormônios andrógenos feito pela mãe durante sua gestação, que afetam a diferenciação sexual do cérebro, Barbara sempre brincou como um menino, se vestiu como um menino e se sentiu um menino. A adolescência foi um tormento; confusa com sua identidade, Barbara não teve namorados (ou namoradas), e se refugiava nos estudos. “Imagine como um homem se sentiria se fosse obrigado a viver com seios, pernas raspadas, maquiagem e cabelo comprido. Era assim que eu me sentia.”

Envergonhada, não entendia sua condição diferente nem comentava o assunto com os pais. Em vez disso, dedicou-se à vida acadêmica: fez a graduação no Massachusetts Institute of Technology (MIT), doutorado em Harvard, pós-doutorado em Londres. Foi somente aos 40 anos, já professora na Universidade Stanford em São Francisco, na Califórnia, que Barbara começou a entender a incongruência entre seu corpo e sua identidade sexual. A revelação despontou com uma doença: um câncer de mama. O tumor atingia um seio apenas, mas Barbara exigiu uma mastectomia dupla. À sugestão do médico de fazer cirurgia reconstrutiva, respondeu imediatamente: “De jeito nenhum!”. Perder os seios teve efeito terapêutico. Pela primeira vez sua anatomia se aproximava mais da sua identidade de gênero.

Foi nessa época que conheci Barres, na palestra que citei lá atrás. Sem imaginar o que acontecia na vida de Barbara, lembro de sair de sua palestra com duas impressões muito fortes: que ela era uma cientista incrível, original e determinada; e que seu corpo não combinava com ela. A pessoa que falava tinha nome de mulher, mas visivelmente não era mulher – e não era apenas pela ausência de seios.

MUDANDO DE LADO

Vivendo em meio à liberalidade de São Francisco, cidade da Califórnia conhecida por ser um dos berços da contracultura americana e pela tolerância e diversidade, Barbara finalmente ouviu falar em mudança de sexo. Novamente por recomendação médica, retirou os ovários para evitar o risco genético elevado de desenvolver outro câncer – e, dois anos depois da mastectomia, decidiu mudar de sexo. Cortou o cabelo; passou a tomar testosterona; mudou as roupas; mudou de nome. Era Ben, agora. Com a testosterona, tinha as mãos sempre quentes e não sentia mais frio; ganhou a barba que cultiva até hoje; e começou a perder cabelo. Todos os seus amigos, colegas de trabalho e parentes lhe deram apoio. “Foi um alívio. Sou uma pessoa feliz desde então, e nunca me arrependi de ter mudado de sexo.”

Com sua história pouco comum, Barres tem a possibilidade raríssima de comparar, pelos dois lados, o tratamento dispensado a cientistas mulheres e homens. Barbara foi alvo de deboche de um professor de matemática na faculdade, que duvidou que ela tivesse resolvido sozinha um problema difícil que nenhum de seus colegas – quase todos homens – acertara: “deve ter sido seu namorado quem resolveu o problema”, disse o professor à época. Em Harvard, perdeu uma cobiçada bolsa de estudos para um colega, embora o reitor admitisse que o currículo dela fosse melhor. Mas, como Ben, sua pesquisa subitamente se tornou “melhor”. Como observou um professor do MIT ao ouvir uma palestra sua, logo após a mudança de sexo: “Ben Barres deu uma excelente palestra hoje, mas, pudera, o trabalho dele é muito melhor que o da irmã”. A “irmã”, naturalmente, era ele mesmo, em sua versão prévia, feminina.

INAPTIDÃO OU DISCRIMINAÇÃO?

Ben pode ter mudado de sexo, mas não de cérebro. Embora saiba que suas habilidades cognitivas não mudaram, Ben sente que hoje é tratado com mais respeito por seus colegas homens, alguns dos quais até lhe confidenciam, orgulhosos, que “nunca encontraram uma cirurgiã tão competente quanto um homem”. Por isso ficou enfurecido quando o então reitor da Universidade Harvard, Larry Summers, declarou em um discurso público em 2005 que a razão para a escassez de mulheres nas ciências seria uma “inaptidão inata”. Ben, que já advogava em nome da diversidade, apoiando as mulheres em seu laboratório e encorajando alunos homossexuais a saírem do armário (mesmo na liberal São Francisco), resolveu atacar publicamente a posição defendida por Summers e também por Steven Pinker, psicólogo influente mas que não tem respaldo empírico.

Em um comentário inflamado na prestigiosa revista Nature, publicado em 2006, Barres expôs as evidências. Na escola, meninos e meninas alcançam as mesmas notas em provas de matemática nos EUA. Mais tarde, o desempenho feminino em testes de habilidades matemáticas depende das expectativas: se são positivas, ótimo. Mas se são negativas, o desempenho delas pode cair até pela metade. Ao mesmo tempo, as expectativas mais baixas em relação ao desempenho acadêmico feminino faz com que elas tenham de produzir 2,5 vezes mais do que seus colegas homens para receber a mesma avaliação por seus pares. Com expectativas reduzidas, a autoconfiança das mulheres cai, e seu empenho logicamente não é o mesmo dos homens.

Ao contrário da “hipótese Larry Summers”, Ben Barres defende a “hipótese Stephen Jay Gould”, em honra ao falecido paleontólogo americano que dizia que “poucas tragédias podem ser mais devastadoras que o tolhimento da vida, poucas injustiças são mais profundas que a negação de uma oportunidade para crescer, ou mesmo para ter esperanças, causada por um limite imposto externamente, mas falsamente identificado como sendo interior”. Para Barres, mulheres são tão capazes de ser cientistas quanto homens – vide sua própria história, bem como a lista crescente de ex-alunas suas que hoje são mães, cientistas bem-sucedidas e professoras nas melhores universidades americanas. Se há escassez de mulheres nas ciências, a razão não é inata, mas externa: a discriminação, praticada (às vezes inconscientemente) tanto por homens quanto pelas próprias mulheres, que, oprimidas pelas baixas expectativas, acabam perdendo a confiança e se julgando inferiores aos colegas do sexo oposto. “De longe, a maior diferença que notei é que as pessoas que não sabem que mudei de sexo me tratam com muito mais respeito: consigo até completar uma frase inteira sem ser interrompido por um homem”, afirmou em seu artigo na Nature.

A atual pesquisa conduzida no laboratório de Barres, “Os mistérios e mágicas da glia”, mostra como essa diferença é artificial. Enquanto a maioria dos neurocientistas concentra seus esforços em compreender o funcionamento dos neurônios, Barres estuda as células gliais, que alimentam e protegem os neurônios. Ele se tornou respeitado ao mostrar que, sem receber instruções das células da glia, os neurônios não sabem se comunicar entre si – e, portanto, simplesmente não funcionam. Antes de sua pesquisa, acreditava-se que as células gliais apenas alimentavam os neurônios.

APOIO EXEMPLAR

Reencontrei Barres, agora Ben, no ano passado, 15 anos depois daquele seminário em Cleveland, desta vez como um dos prestigiosos palestrantes da reunião anual da Society for Neuroscience, em Chicago. Ben Barres agora está claramente à vontade em sua pele: um homem de estatura mediana, nem magro nem gordo, de olhos claros, voz ligeiramente fina, mas barbado e já semicareca, bem-humorado e irreverente. E ousado, como em sua ciência: interrompeu o andamento da palestra no salão principal, para 7 mil pessoas, para louvar sua ex-aluna Çagla Eroglu, principal responsável pelo trabalho impressionante que ele apresentava (identificando como as células gliais ensinam os neurônios a fazer sinapses).

Ben anunciou que Çagla agora é professora na Universidade Duke e mãe de um bebezinho de 1 ano, e usou o exemplo dela para defender a diversidade e a igualdade de condições a mulheres e outras minorias na ciência. Foi aplaudidíssimo. Ao final, Ben ficou simpaticamente sentado no chão do pódio, respondendo às perguntas dos vários estudantes e cientistas que se aproximaram, inclusive à minha. Para todos nós – homens ou mulheres, jovens ou senhores –, Ben Barres tinha algum comentário positivo a fazer: “que interessante”, “obrigado por me contar isso”, “continue assim”.

Um ano antes, em 2008, Ben Barres subira ao pódio da mesma reunião para aceitar o prêmio da Society for Neuroscience para cientistas não só brilhantes na carreira mas que também promovem o progresso de mulheres na neurociência – como ele mesmo já foi. Um prêmio merecido e especialmente relevante, pois Ben sabe, por experiência própria, que a definição do gênero é importante para cada um, mas não deveria importar para os outros.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,ERT129257-17773,00.html

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tocantins se torna o 11º estado a acatar o uso do nome social para transexuais e travestis.


O Conselho Estadual de Educação do Tocantins deferiu por unanimidade, o uso do nome social de transexuais e travestis em registros e documentos escolares. A solicitação foi feita ano passado pela Associação Grupo Ipê Amarelo Pela Livre Orientaçao Sexual - GIAMA.

Segue abaixo a Resolução.

RESOLUÇÃO
Nº 32, DE 26 DE FEVEREIRO DE 2010.

Inclusão de nome social de travestis e transexuais em registros escolares nas UEs de educação básica de Sistema Estadual de Ensino.

O Conselho Estadual de Educação do Tocantins, no uso das atribuições a ele conferidas pelo inciso V do Art. 10 da Lei Federal nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, pela alínea “e” do inciso X do Art. 33 do seu Regimento, e tendo em vista o Parecer nº 89/2010, exarado no Processo nº
2009/2700/001520.

R E S O L V E:

Art. 1º - As unidades de ensino da Educação Básica vinculadas ao Sistema Estadual de Ensino poderão incluir nome social de travestis e transexuais em seus registros
escolares.

Art. 2º A adoção de nome social a que se fere o artigo 1º deve observar, obrigatoriamente, as seguintes
disposições:

I - que o interessado seja maior de 18 anos;

II - que o pedido seja formalmente endereçado ao Diretor da escola através de requerimento;

III - que o nome social não substitua o nome civil; mas venha após-posto e entre
parênteses; e

IV - que os registros sejam exclusivamente de operacionalização e valor interno da unidade escolar

Art. 3º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Sala das Sessões do Conselho Estadual de Educação do Tocantins, em Palmas, aos 26 dias do mês de fevereiro de 2010.

Fonte: Repassado por email pelo colaborador Leonardo.

domingo, 11 de abril de 2010

Ator iraniano volta as telas após readequação de gênero.


Por Staff Writer, PinkNews.co.uk • 22 de março, 2010 - 17:53

Saman Arastu, que era conhecido como Farzaneh, já tinha uma carreira de sucesso como mulher, tanto no cinema como na televisão.

Hoje, o ator de 42 anos aproveitou a flexibilidade das leis iranianas quanto ao processo de readequação sexual, e após anos de aconselhamento voltou a atuar.

De acordo com o The Guardian, Arastu disse a uma revista iraniana que ele sempre soube que era um homem.

Ele disse: "Agora estou bem. Antes só existia medo e depressão em meu olhar. Eu estava sempre me escondendo e na defensiva."

Homossexualidade é ilegal no Irã e vários gays são perseguidos.

No entanto, o país tem um visão bem diferente quanto aos transexuais.

Pelas leis Islâmicas, a readequação é aceita pela religião e o país tem o segundo maior número de cirurgias de readequação sexual no mundo, ficando atrás apenas da Tailândia.

O estado vai financiar as cirurgias de readequação, sendo que o Irã é particularmente favorável àqueles que desejam a transição de mulher para homem.

Fonte: http://www.pinknews.co.uk/2010/03/22/iranian-actor-returns-to-screens-after-gender-reassignment/

Tradução: "Homer"

sábado, 10 de abril de 2010

Além da cidadania cirúrgica.


por Mario Felipe de Lima Carvalho*

Os debates que ocorreram no seminário “Transexualidade, Travestilidade e Direito à Saúde”, evento realizado pela Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR/CEBRAP), em parceria com o Ministério da Saúde e com o Observatório de Sexualidade e Política (SPW), nos dia 24 e 25 de março, demonstraram o adensamento da articulação política e intelectual em torno do tema, ao reunir acadêmicos, ativistas, representantes do governo e profissionais de saúde ligados a serviços específicos direcionados a esta população.

No campo de estudos comprometidos com a emancipação de travestis e transexuais, parece haver certo consenso quanto ao fato de que o acesso às tecnologias médicas de transformação corporal não deve estar vinculado à patologização de tais identidades. Defende-se o direito de auto-determinação de gênero, com o respaldo do Estado na garantia de mudança do registro civil. Nesse contexto, a argumentação muitas vezes apóia-se no direito à identidade e no respeito à dignidade humana. Assim, as tecnologias médicas seriam ferramentas da garantia de direitos. Porém, o que observamos é uma certa inversão na qual os direitos são subordinados ao saber médico. Durante o debate, Mirian Ventura refere-se claramente a isso quando afirma que “vivemos uma medicalização da justiça e não uma judicialização da medicina”.

Na maioria dos processos judiciais que envolvem mudança do registro civil (nome e sexo) de travestis e transexuais, um critério importante levado em conta pelos operadores da justiça é o/a requerente ter passado por todas as etapas do processo transexualizador, incluindo a cirurgia de transgenitalização. Obviamente existem exceções, mas essas sempre dependem da sensibilidade do poder judicial local. Assim, de maneira geral, a questão médica antecede o direito civil. Ao longo do encontro não foram poucas as intervenções de ativistas que ressaltaram a centralidade da luta pelo uso do nome social e facilitação da mudança do registro civil, colocando inclusive ser esse um processo que deve ocorrer antes de qualquer intervenção médica. O que se quer, antes de mais nada, é que o respeito à identidade e à dignidade humana sejam protegidos pelo Estado. Porém, a medicina parece estar acima do direito, cabendo ao médico atestar ou não a legitimidade das demandas de travestis e transexuais. Nesse contexto me parece que a visão biológica do ser humano e de sua vida prevalece sobre uma visão mais filosófica dos direitos humanos. Para Mauro Cabral, essa espécie de “cidadania cirúrgica” não seria uma vitória, mas um problema, um processo de tortura sancionado pelo Estado. Assim, em nome da dignidade humana seria necessário romper com a medicalização.

Frente a isso, alguns levantaram a questão de Como combater a medicalização num grupo que buscaria ser medicalizado?. Não estou certo de que a população de travestis e transexuais hegemonicamente busca uma medicalização de suas identidades. Acredito sim na existência de uma demanda comum por tecnologias médicas, sejam elas farmacológicas ou cirúrgicas.

É interessante notar que muito do que foi dito no encontro sobre medicalização, processo transexualizador, acesso à terapia hormonal, retirada de silicone industrial e implantes com silicone cirúrgico, não partiu da militância travesti presente no seminário. A preocupação com os serviços de saúde “específicos”, principalmente no que tange seu funcionamento e acesso, era muito mais presente na fala daqueles e daquelas que se identificam como transexuais. No caso dos homens transexuais, há uma demanda mais imediata que é a retirada no processo transexualizador do caráter experimental de procedimentos como a mastectomia (retirada das mamas) e histerectomia (retirada do útero), uma vez que tais procedimentos já são realizados em outros casos (em mulheres que têm câncer de mama, por exemplo), diferentemente da neofaloplastia (construção do neofalo). Já o discurso das mulheres transexuais presentes no debate centrou-se nas dificuldades impostas ao acesso ao processo transexualizador pelo protocolo diagnóstico. Hoje, tal protocolo inclui dois anos de acompanhamento psicoterápico e a necessidade da avaliação psiquiátrica. Na portaria do Ministério da Saúde sobre o processo transexualizador, não há nada que coloque a necessidade do diagnóstico de Transtorno de Identidade de Gênero (TIG), mas apenas uma avaliação psiquiátrica, que pode ser compreendida de duas maneiras: atribuição do diagnóstico de TIG ou uma avaliação das capacidades psíquicas para o consentimento da cirurgia, tal qual é feita em outros processos cirúrgicos, como a cirurgia bariátrica (“redução de estômago”). É uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que estabelece a necessidade do diagnóstico de TIG para a cirurgia de transgenitalização.

Para o movimento de travestis e transexuais no Brasil, a questão do reconhecimento social e jurídico de suas identidades é ponto central, de maneira que o debate em torno da despatologização da transexualidade parece não ter eco. Os problemas seriam outros. Muitas/os ativistas ressaltaram que após a criação de serviços especializados, como o ambulatório TT em São Paulo, travestis e transexuais que chegam a qualquer Unidade Básica de Saúde com problemas relativamente comuns como asma, gripe ou dor de cabeça, são encaminhadas/os para o serviço especializado. “Seria a dor de cabeça de uma travesti tão diferente da dor de cabeça de qualquer outra pessoa?” Coloca-se assim em questão a melhor forma de concretizar o princípio de universalidade do SUS, que pressupõe o atendimento a qualquer cidadão.

Durante o encontro ficou nítida a tensão entre duas posições. De um lado há um discurso intelectual, em diferentes graus de interlocução com a produção teórica de Judith Butler, que afirma a necessidade de combater a medicalização e a patologização da variância de gênero e critica a artificialidade das identidades travesti e transexual, assim como ao binarismo de gênero pressuposto nas políticas públicas. De outro lado, um discurso pragmático, defendido sobretudo pelo movimento, que quer atendimento digno nos serviços de saúde e que afirma as identidades de diversas maneiras, mas principalmente para a elaboração de políticas públicas.

Ressalta-se que esse desencontro discursivo entre academia e movimento não é absoluto. A militância de muitos países, por exemplo, tem a bandeira da despatologização como pauta central, mas esse não é o caso brasileiro. Acredito que tal desencontro não seja apenas entre teorias, mas articula-se à urgência do reconhecimento identitário como ferramenta de combate à violência cotidiana sofrida por travestis e transexuais. Não se trata obviamente de desmerecer o trabalho de diversos acadêmicos em torno da despatologização. Trata-se de um debate necessário e importante mesmo não sendo central para o movimento.

Além de diferenças entre o discurso intelectual e militante, ambos divergiam, em alguns aspectos, do discurso médico. A fala do psiquiatra Alexandre Saadeh durante o seminário da CCR gerou incômodos. O vocabulário médico-psiquiátrico destoa do utilizado pela militância e pelo campo de estudos sócio-antropológicos. Enquanto o discurso médico identifica o sujeito a partir do “sexo biológico”, o militante e o acadêmico identificam o sujeito a partir do gênero auto-atribuído. Ao que parece, é crucial superar diferenças de linguagem e disputas profissionais para construir alianças estratégicas com a classe médica. Porém, é notável o quanto os médicos presentes no seminário não emitiam opiniões pessoais. Tudo que diziam baseava-se em alguma norma, lei ou resolução do CFM. Sabemos que as mudanças no pensamento médico ocorridas ao longo da história se deram também por pressões sociais, mas sabemos que vozes discordantes dentro da classe médica foram fundamentais. Assim, as alianças com a classe médica devem incluir profissionais dispostos à disputa interna que, do meu ponto de vista, é claramente política em torno das normas de gênero e sexualidade.

* Mário Felipe de Lima Carvalho é psicólogo, mestrando em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ), onde realiza pesquisa sobre o movimento de travestis e transexuais. mariofelipec@yahoo.com.br

Publicada em: 31/03/2010 às 10:00 artigos e resenhas

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Não é só no Brasil que existem dificuldades...


Batalha por um novo certificado.

Postado dia 7 de abril de 2010, quarta-feira.


Por Ani Lamont

O australiano, e homem transexual, Conor Montgomery irá apresentar uma queixa a Comissão de Direitos Humanos Australiana Contra o Registro de Nascimentos, Falecimentos e Casamentos do estado de New South Wales, devido a recusa do cartório em proceder a retificação no seu certificado de nascimento.

Ele pretende apresentar também outra queixa, ao Ministério Público australiano, e levar a ambos os locais uma petição com mais de 500 assinaturas.

Montgomery, que está com 50 anos, vive como homem por mais de dois anos e meio. Ele se submeteu ao tratamento hormonal e a mastectomia bilateral, conseguindo dessa forma alterar sua identificação no passaporte para gênero masculino. O cartório de NSW no entanto, não vai retificar o restante de seus documentos a menos que ele passe por uma cirurgia potencialmente perigosa para ele.

Devido a problemas de saúde, Montgomery foi aconselhado pelos médicos a não fazer a cirurgia genital, pelo receio de que ele pudesse correr risco de morte. Ainda assim, o cartório insiste na cirurgia como a única forma de permitir a retificação da documentação.

"É ridículo", diz Montgomery. "Em alguns documentos está escrito masculino e minha certidão de nascimento diz feminino. Essa situação já me causou um grande estresse desnecessário. Eles precisam parar de atrapalhar a vida das pessoas, e me darem os documentos retificados de forma correta para que eu possa viver como o homem que sou."

"O governo falhou quanto a implementação de mudanças nas leis e políticas que garantam essa retificação, recomendada após estudos, pela Comissão Australiana de Direitos Humanos." Diz a porta voz da SAGE (Educação de Sexo e Gênero) Tracie O' Keefe.

"Foi recomendado que pessoas como Conor, não precisem passar por cirurgias desnecessárias para retificar seus documentos."

Info: Para maiores informações sobre o SAGE, visite http://www.sageaustralia.org/

Fonte: http://www.starobserver.com.au/news/2010/04/07/new-certificate-stoush/23664

Tradução: "Homer"