segunda-feira, 27 de abril de 2009

Homens perfeitos?!


Algo que ouço e leio de forma rotineira, é o fato de mulheres biológicas e mtfs acharem que nós somos homens “perfeitos”.

Não somos. Primeiro porque perfeição é algo perigoso, um busca individual, e que na maioria das vezes, frustra quem busca por nunca conseguir suprir de forma total o que se deseja.

Segundo, e mais importante, porque nós somos homens iguais a qualquer outro que anda por aí, com características de personalidade distintas e singulares. Distintamente transexuais, porém homens. Parece complicado, mas não é.

O fato de ter uma vivência feminina não é vista com bons olhos por todos, e muitos tentam até enterrar esse passado de forma quase obsessiva, e trazer a tona qualquer resquício desse momento pode provocar reações inesperadas.

Claro, nem todos pensam assim, e abraçam o que nos foi deixado, mas isso não significa vivenciar na atualidade o que ficou lá atrás.

Talvez sejamos um pouco mais sensíveis, talvez não. Talvez sejamos um pouco mais pacientes, talvez não. Talvez sejamos melhores ouvintes, talvez não. A lista de possibilidades é infinita, e vai variar da disponibilidade de cada um, da introjeção dos estereótipos, de características de personalidade, e do grau de resposta a hormonização.

Sim, hormônios fazem diferença quer queiram, quer não. Existem diferenças que não dependem somente do meio, mas também da influência hormonal. Ninguém vira um monstro por tomar testosterona, um troglodita da noite para o dia, mas existem alterações para uma expressão cada vez mais masculina. Já pontuamos várias vezes, em posts anteriores, essas possíveis alterações.

É natural que saibamos bem o quanto dói uma cólica, e o que fazer para amenizá-la, coisa que um homem biológico nem sempre sabe, mas isso não significa que teremos paciência com a tpm alheia. Podemos acompanhar nossas companheiras as compras, ou companheiros, mas não esperam reações enfáticas do tipo “que lindo acho que fica ótimo em você”, ou paciência para andar por horas a fio e não comprar absolutamente nada. O mais provável é ouvir coisas do tipo “você que sabe”, “tá bom” ou “gostou, compra logo”, além daquela cara de tédio de quem carrega sacolas, enquanto a companheira olha vitrines à procura de algo.

Claro, existem exceções, mas por mais que um homem goste de comprar roupas, perfumes, e coisas socialmente ditas como domínio feminino, não será da mesma forma que uma mulher.

Alguns são machistas, sim bem machistas e tradicionais, algo quase do século 19, e outros chegam a ter o perfil de homens que agridem mulheres, apesar de toda uma vivência anterior no sexo feminino.

A principal situação é que quem se relaciona com homens transexuais, se relaciona com homens e ponto. Não esperem comportamentos ou características mais femininas quando da busca de uma relação conosco, porque isso pode não ocorrer. Ou ir diminuindo sobremaneira com o tempo, e os benditos hormônios.

Isso não quer dizer que não vale a pena investir em um relacionamento assim. Vale a pena investir em qualquer relacionamento afetivo, seja com quem for e como for, onde o amor seja verdadeiro, e o diálogo seja franco para superar, juntos, frustrações, dúvidas e medos.

Mas definitivamente, não somos perfeitos. Somos indivíduos, com toda a bagagem específica de vida, características ímpares que fazem de cada um de nós únicos, e ainda assim tão semelhantes.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Grupo de apoio a transexuais em Campinas



As psicólogas Bárbara e Maria Angélica realizam na cidade de Campinas encontros de apoio a transexuais, tanto mtfs quanto ftms. Seus respectivos familiares e / ou companheiras(os), também são bem-vindos. Não é psicoterapia, são encontros para discussão de assuntos, troca de idéias e suporte mútuo.

Os encontros são gratuitos e se realizam um vez por mês, no sábado à partir das 15hs. Quem quiser participar basta ligar para o Centro de Referência GLTTB de Campinas no telefone (19) 3242-7744 e confirmar endereço e presença com a Dra. Bárbara.

Vale dizer que oportunamente serão divulgadas aqui as datas dos encontros. Quem estiver em São Paulo, Campinas e arredores vale a pena conferir.

Chegou o dia da minha audiência...O QUE EU DIGO?!


Muita calma nessa hora. Primeiro de tudo, ficar nervoso, ansioso é normal, afinal de contas você trabalhou por alguns anos para chegar até o momento de ter reconhecido seu direito de fato de ser um cidadão do sexo masculino.

Como já foi dito aqui anteriormente, o ideal é dar entrada após estar masculinizado de forma a não levantar mais dúvidas, e ter feito a mastectomia e a histerectomia com ooforectomia.

“ Caso eu faça só uma, vou perder?”

Não necessariamente, mas suas chances diminuem sobremaneira, uma vez que útero e ovários são órgãos reprodutivos femininos, onde ocorre a produção de hormônios femininos, e que querendo ou não, remetem a maternidade e a feminilidade.

Não esqueça que contamos com a dificuldade da cirurgia genital, que não é feita pela maioria em função da dificuldade técnica. Já é difícil explicar para um indivíduo leigo como alguém se diz homem, porém ainda mantêm genitais femininos, que dirá com útero e ovário.

Se você for daqueles corajosos que optam por tentar fazer a metoidioplastia ou a faloplastia, é mais interessante dar entrada ao processo também após a histerectomia / ooforectomia. Com certeza você está inserido em um serviço, com a carta para a cirurgia genital, e como tal cirurgia pode ser demorada, o processo também. Basta anexar a indicação cirúrgica ao processo.

Porém uma situação é ponto pacífico: quanto mais hormonizado, melhor, com aquela cara de um sujeito comum, que pode ser o amigo eventual de chopada do juiz. Esse é um grande passo para imprimir a nota destoante na cabeça do juiz e do promotor. Sim, aparência conta.

O juiz e o promotor desconhecem o assunto. Não espere que eles entendam você logo de cara, afinal nem você se entendia por um bom tempo. A essa altura, eles já leram seu processo, já procuraram informações, e tem inúmeras perguntas para fazer.

E sim, você tem que responder a tudo. As perguntas podem ser discretas, ou parecerem indelicadas, mas aquelas duas pessoas vão decidir o destino social de alguém com base em uma seara que não é a deles.

O juiz e o promotor deveriam ser imparciais. Mas não se esqueça que eles são pessoas, e opiniões pessoais podem interferir sim. Cabe a você então, dirimir as possíveis dúvidas, e quem sabe preconceitos, que eles possam ter sobre o assunto.

Você sabe o que dizer. Não se preocupe, seja você mesmo. Não monte longos textos, nem decore nada. Seja simplesmente você. Aquele que caminhou até o derradeiro momento de sua alforria, que sabe pelo que passou, e como passou. Apenas verbalize sua trajetória, demonstre ser seguro de si, dono dos seus passos, sem medos ou vergonha. Nem juiz, nem o promotor mordem, muito menos são as representações de Deus.

Tenha em mente que esse é o final do primeiro ato da sua vida. Enquanto você estrela nesse palco o seu monólogo, juiz e promotor serão aqueles responsáveis por descerrar as cortinas. Porém quando elas se abrirem para o começo do segundo ato, será você que irá abrir as possibilidades e brilhará, agora em definitivo, no palco da vida.

Make me a Man - Documentário - Parte 3 de 5

domingo, 19 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Minha terapia não anda...


Outra queixa muito comum é o fato do acompanhamento psicoterapeutico levar no mínimo dois anos. Dentro das nossas certezas, somada a ansiedade de enxergar ao longe a saída de anos de confusão, dois anos parece uma eternidade e a psicoterapia, desnecessária.

Assim como o médico, o psicoterapeuta nunca viu você antes, e pauta seu trabalho com as indicações que você oferece. Não esqueça que por mais que você saiba e sinta, ele precisa seguir uma linha de terapêutica para fechar um diagnóstico. Como já dissemos anteriormente, diagnosticar um indivíduo como transexual não é tarefa fácil, um engano pode acabar com a vida dos dois: o paciente pelo desespero e o profissional por um processo por erro.

Não tenha medo; a necessidade de um profissional de saúde mental não quer dizer que você seja doido, apenas por lidar com algo não palpável, é necessário a intervenção do terapeuta. Por terapeuta entenda psiquiatra ou psicólogo. O psiquiatra é médico de formação, e portanto apto a dar laudos e fechar diagnósticos enquanto o psicólogo é aquele que faz psicologia. O ideal é o acompanhamento de ambos, mas na impossibilidade, um deles é mais do que fundamental.

É válido lembrar que assim como você levou algum tempo até concatenar suas idéias com relação a sua realidade interna, é preciso um tempo para que o psicoterapeuta igualmente o faça. Ele lida com o não concreto, com o não dito muitas vezes, e com a soma de todas as suas experiências desde cedo para montar o quebra cabeça que se apresenta diante dele.

É normal experimentar raiva, depressão, medo, angústia durante a terapia. O próprio processo todo é feito de forma a fazer com que você se enxergue, se aceite, se compreenda, e a partir daí, se fortaleça de forma a enfrentar todo o porvir, seja os procedimentos físicos, a sociedade, a família ou a justiça.

O objetivo do processo terapêutico é preparar você, inclusive, para sua vida após todas as mudanças, afinal por mais que você sempre tenha querido chegar a esse momento, existe toda uma adaptação a essa nova velha vida que vai se apresentar ante seus olhos.

É fundamental na terapia que haja conexão entre o terapeuta e o paciente, sem essa ligação dificilmente você será bem sucedido de forma efetiva. Portanto é mais do que natural buscar, assim como os outros profissionais, aquele com o qual você se sinta bem e confiante.

A via é de mão dupla. Não fique calado esperando que ele pergunte tudo, abra seu coração, fale dos seus desejos, da sua vida, medos, do que você é constituído. Talvez ele leve você de volta a sua infância, a adolescência, e por mais que isso pareça infundado, não é. Existe um propósito, onde ambos trabalham rumo a um bem maior. É um exercício de tolerância, paciência, e ainda que o terapeuta não seja seu amigo, de extremo companheirismo.

O psicoterapeuta dispõe de várias avaliações a seu favor, e pode até pedir parecer de outro colega. Não se assuste, ele não duvida de você, mas precisa ter certeza quase que absoluta, se isso é possível, do que se apresenta diante dele. Não existe resposta certa nem errada, existe apenas a percepção dele e a sua entrega.

Talvez pareça que você está perdendo tempo precioso, mas tenha em mente que na verdade você vai recuperar todo o tempo que passou vivendo entre os seus próprios escombros, e aquele que vai poder ajudar você a colocar ordem e fazer uma limpeza no seu terreno é o psicoterapeuta.

Permita-se conhecer um pouco de si mesmo, a fazer as pazes com seu interior, e ai sim você se tornará forte o suficiente para viver, dessa vez, de forma plena e real.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

PróximAAA!


07/4/2009


Lei determina que serviço de saúde paulista chame as trans por seus nomes sociais

Por Hélio Filho


Desde fevereiro deste ano, travestis, transexuais e transgêneros de todo o Estado de São Paulo devem ser chamadas, atendidas e listadas com seu nome social. Publicada em 6 de fevereiro, a mudança é fruto do Projeto de Lei nº 29/2009, de autoria do deputado Carlos Neder (PT) e que altera o artigo que dispõe sobre os direitos do usuário do sistema público de saúde de São Paulo.

O objetivo é não constranger as fofas para que elas se sintam à vontade para buscar tratamento médico. O projeto altera o inciso II do artigo 2º da Lei nº 10.241, de 17 de março de 1999, de autoria do ex-deputado estadual Roberto Gouveia e que trata dos direitos dos usuários dos serviços e das ações de saúde. O novo projeto ampliou os direitos do usuário dos serviços de saúde no Estado de São Paulo, que agora pode, e deve, “ser identificado e tratado pelo seu nome ou sobrenome, ou ainda, em se tratando de usuário travesti, transexual ou transgênero, pelo nome social que adotaram".

Para justificar a mudança, a Assembleia se apoiou na crescente preocupação do Governo Federal com relação à inserção da população trans – uma das mais vulneráveis às DSTs - no sistema de saúde. Chamando o João de Amanda, por exemplo, na hora da consulta, o médico deixa o paciente à vontade para voltar e continuar o tratamento ou buscar uma nova ajuda.

Como eu procuro e falo com o médico sobre minha situação.


Alguns meses atrás pedi que aqueles que tivessem indicações de profissionais particulares colaborassem mandando nomes para o email que disponibilizei. Curiosamente recebi apenas dois emails, mas o que foi possível conseguir foi postado anteriormente.

Visto isso, algo muito comum de ser perguntado é como eu faço para achar um médico, e mais, como fazer para explicar a ele a situação.

Antes de tudo é sempre mais interessante que você busque junto aos seus colegas de caminhada indicações de profissionais nas áreas que precisamos. A melhor referência é outra pessoa na mesma situação que a sua.

Mas se seus amigos não conhecem ninguém, e você não sabe por onde começar, até mesmo por medo e vergonha, vão aqui algumas dicas básicas para tentar ajudar na procura.

Primeiramente informe-se sobre a existência de serviços de atendimentos a transexuais em hospitais escola universitários da sua cidade ou região. Os serviços específicos oferecidos nesses locais são gratuitos, e a maioria faz todo o acompanhamento a quem procura. Informe-se no setor de psiquiatria, psicologia, endocrinologia ou ginecologia / urologia. O maior problema é a fila de espera que pode levar anos tamanha a demanda. Mas vale a pena uma checada, e deixar seu nome na fila, afinal nunca se sabe o que o amanhã reserva. Os profissionais desses serviços, na sua maioria, já tem experiência prévia com transexuais, então não há motivos para receios, eles sabem o que você vai dizer.

Procure também por faculdades que tenham clínica escola de psicologia. Elas costumam ser pagas, mas é um valor módico, e mesmo que eles não possam tratar você com vistas a dar um laudo, talvez possam oferecer uma indicação, ou tentar ajudar de alguma forma a aliviar seu peso enquanto não surgem outras oportunidades mais eficazes.

É válido também que você se informe com o Conselho Regional de Medicina mais perto de você sobre possíveis profissionais particulares nas áreas de psiquiatria, endocrinologia, ginecologia e cirurgia plástica que atendam a transexuais. Talvez você não consiga todos, mas tendo um, já é meio caminho andado para que até mesmo o seu médico consiga indicar colegas que possam acompanhá-lo.

Você pode também pode procurar pela internet em sociedades, associações e grupos das especialidades acima. Existem associações e sociedades específicas para cada especialidade médica, independente dos conselhos regionais de medicina. Nessas páginas é possível, na sua maioria, localizar médicos na sua região e pegar telefones, endereços e até emails.

"Mas como eu falo nesses locais? Como eu marco uma consulta? Eu falo da situação pra atendente? Não sei o que fazer...."

Tente sempre conseguir o telefone do local que você deseja ir ou do médico. Feito isso ligue e marque uma consulta, ou pergunte se é possível conversar com o médico antes de marcar. Não há necessidade de expor toda sua vida para a recepcionista do consultório ou clínica. Quem deve saber da sua história é o profissional que você procura.

Melhor ainda é quando você consegue o email do profissional. Ele pode até não responder de imediato, ou nem responder, mas o importante é não desisitir e insistir.

Não esqueça de levar sempre laudos, caso você tenha algum sobre a situação em específico, e exames de sangue recentes com dosagens hormonais, se possível.

Caso a pessoa fique de dar um retorno, e não retorne, tente mais uma vez. Em negativa, ou pedido de novo aguardo, parta para a próxima possibilidade.

Não existe fórmula mágica para se procurar um profissional particular. Existe tentativa e tentativa, não somente pela questão de aceitar tratar alguém que é transexual, como também pelo fator confiança. Se você não se sentir confiante com o profissional, é mais que válido buscar aquele que aceite a situação, mas com o qual você também se sinta seguro.

A qualquer momento você está no seu direito de buscar uma segunda opinião, e de mudar de profissional.

Use o seu bom senso, se algo incomoda, pergunte, se tem dúvidas, pergunte. O médico é alguém treinado para ajudar pessoas a melhorar sua saúde no geral, ele não sabe tudo, nem é Deus; é tão humano quanto você, apenas com conhecimentos diferenciados dos seus.

Além disso vale dizer que você não precisa ter medo nem vergonha. Todos somos diferentes de alguma forma. Não importa como você fala, o importante é expressar o seu desejo, explicar o que você busca. Se ele rir de você e tirar sarro, é óbvio que ele não é adequado, e muito provavelmente é pouco profissional para outras situações menos delicadas também.

Levar um não de um médico, não difere de levar um não dos seus pais quando você era criança e eles não podiam te dar um brinquedo caro. Ou levar um fora daquela menina que você passou meses secretamente namorando à distância, e ela ainda fez fofoca de você pra escola inteira. Ou de levar um "entraremos em contato" após uma entrevista de emprego.

Claro que se o profissional for ostensivamente preconceituoso, e chegar a agredi-lo, você pode e deve buscar seus direito de outra forma, fazendo um registro de ocorrência e dando queixa no conselho de medicina. Mas se tudo que você ouvir for um não, e enxergar um rosto de despreparo, agradeça do alto de suas virtudes e siga em frente.

É das frustrações que parecem nos derreter que tiramos a força para levantar e continuar, insistir, persisitir. A dor é apenas momentanea, e tem a capacidade de nos fortalecer.

O principal é nunca desisitir, por mais longe ou dificíl que pareça, existe sempre a calamaria depois da tempestade, e você também tem direito a apreciar o alvorecer da sua existência.

sábado, 11 de abril de 2009

Cicatriz pós mastectomia

A maioria dos homens trans fica extremamente preocupada com a questão das cicatrizes, principalmente no que diz respeito as da mastectomia, já que poder andar sem camisa é um desejo em comum da maioria de nós.

Mas vamos desmistificar, ou tentar amenizar o medo da tal cicatriz pós mastectomia.

Antes de qualquer coisa, vale dizer que esse texto é apenas de apoio. Não sou cirurgião, então a melhor pessoa para tirar toda e qualquer dúvida sobre procedimentos, e resultados, é o seu cirurgião plástico.

A forma da cicatriz vai depender da técnica a ser utilizada pelo cirurgião, e de diversos fatores que contribuem para uma boa cicatrização. É importante lembrar que é essencial seguir todo o pré e pós - operatório de formar a tentar minorar não somente o fator cicatriz, mas para tentar evitar possíveis intercorrências médicas.

Existem duas técnicas que são mais utilizadas: a primeira é a que deixa uma cicatriz em forma de sorriso que se estende desde perto da axila até o meio do peito. Ela é utilizada quando o seio é de tamanho médio a grande, ou tem muita sobra de pele ou gordura. A segunda é feita apenas com uma incisão perto do mamilo, deixando quase nenhuma cicatriz. Essa técnica é mais comum para pessoas de seios pequenos, e até médios, onde não haja excesso de pele ou gordura que possa atrapalhar a estética posterior.

Vale dizer que no primeiro caso é muito comum o enxerto do mamilo, uma vez que o tecido remanescente é moldado em um peitoral masculino. Já no segundo caso, como não ocorre retirada de pele, o mamilo permanece sem ser deslocado. O que é comum a ambos, é a possível diminuição do tamanho do mamilo para um formato masculino.

Existe a possibilidade também, da utilização de lipoaspiração, de forma a retirar excesso de gordura.

A cicatrização, por sua vez, é algo muito pessoal, com uma série de fatores influenciando, desde uso de nicotina, até raça. Por exemplo: pessoas de pele bem morena, ou negra, tem maior tendência a terem quelóides. Vale dizer que o quelóide “se caracteriza por uma cicatriz endurecida, que se eleva acima do nível normal da pele. O formato costuma ser irregular, e a lesão tem a tendência de aumentar progressivamente com o passar do tempo. Ao contrário das cicatrizes normais, o quelóide não diminui de espessura. É na verdade "uma cicatriz que não sabe quando parar de crescer"”. *

Mas isso não quer dizer que você precise ter vergonha ou medo de sair sem camisa. Existem tratamentos estéticos complementares para reduzir as cicatrizes. Elas não serão completamente apagadas, sua pele não voltará a ser lisinha como antes da cirurgia, mas é possível buscar alternativas para que você se sinta melhor.

Grande parte desses tratamentos pode ser feita pelo próprio cirurgião plástico ou até mesmo, dependendo do caso, com um dermatologista. Para citar algumas alternativas: existe a revisão cirúrgica da cicatriz, a dermabrasão, o polimento a laser e pigmento pulsado, enxertos e excisões e peelings químicos.

Para situações menos contundentes, ou que não afetem tanto a auto - estima do paciente, existem ainda alternativas menos invasivas “como ataduras com pressão e massagens que podem alisar algumas cicatrizes se usadas regularmente por vários meses.Gels com silicone, cremes e ataduras também têm sido úteis na redução da grossura da cicatriz e da dor. Eles também podem ser usados regularmente e os resultados são variáveis.” #

O fundamental é que ninguém vai imaginar que um indivíduo com corpo masculino, e postura idem, tinha seios, e que aquelas cicatrizes são em decorrência disso. Você pode desde ter sofrido um acidente, até ter ginecomastia ou ter feito cirurgia plástica por um dia ter sido obeso e retirado o excesso de pele. Existem alternativas para explicar o porquê da marca.

O mais importante é que você curta essa nova experiência tão desejada, sem se importar com a cicatriz. Em vez de vê-la como uma inimiga, que aos seus olhos denuncia ao mundo quem você era, passe a enxergá-la como um troféu da luta que você vem travando durante anos.

E acima de tudo a representação física da possibilidade de se alcançar um desejo, e de ser você mesmo.

* Fonte: http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=5158&ReturnCatID=666

# Fonte: http://www.sitemedico.com.br/sm/materias/index.php?mat=308

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Eu acho que eu sei quem eu sou...Hein?!

Pegando carona na reportagem da Revista Super Interessante, vale aqui uma pergunta: você é realmente FTM? Ou indo além, você é realmente transexual?

Muitas pessoas mandam emails falando de seu desconforto com seu próprio corpo, ou se dizendo FTMs, mas fica sempre a dúvida: será que ela (e) é de fato quem pensa ser?!

Já falamos aqui diversas vezes do que é ser transexual, das características, por assim dizer, comuns na maioria das vezes a quem se identifica com o gênero oposto ao seu de nascimento, mas é sempre importante apontar alguns aspectos.

Você entra na internet perdido, mas com aquela íntima sensação de que não é uma mulher, ou homem, que está de fato preso no corpo errado. Joga no bom e velho Google palavras chaves, e chega por associação, a esse e outros blogs, além de achar páginas e páginas sobre o assunto, desde baixarias gratuitas até estudo sérios.

“É isso me achei...” Será? Longe de duvidar da validade dos sentimentos de cada um, mas pense bem, reflita.

Ninguém acorda da noite para o dia se sentindo não condizente com o seu gênero. Não gostar dos seus seios, detestar-se durante a tpm e achar um saco ficar menstruada, não é igual a ser transexual. Bem como gostar de usar roupas mais masculinas e ter um comportamento mais agressivo e menos princesinha do papai, também não significa que você seja FTM.

Assim como gostar de alguém do mesmo sexo, e ter uma expressão mais masculina, no caso de mulheres, significa ser um homem transexual. Você pode apenas ser uma lésbica que tem uma expressão de gênero masculina. Ou ainda, no caso de quem gosta de homens, uma mulher heterosexual, com igual expressão masculina, sem ser obrigatoriamente um FTM gay.

Não confundam expressão de gênero com identidade de gênero.

Não podemos esquecer que a sexualidade é fluida, e apresenta diversas variações dentro de um mesmo tema. Isso é importante de ser dito para que fique claro que ser uma mulher com características e gostos mais masculinos, ou um homem com características e gostos mais delicados não significa obrigatoriamente que alguém seja homossexual, e indo à frente, transexual.

“Mas eu fiz aquele teste da net para sabe se meu cérebro é mais feminino ou masculino....”

Ótimo, mas esse teste vale apenas de curiosidade, e não como parâmetro de avaliação de um indivíduo. É interessante para demonstrar que o cérebro pode ter aptidões não condizentes com as ditas características do seu sexo de nascimento, mas isso também não vai significar que alguém é ou não transexual.

E para aqueles que acham que ser homem faz da vida um barril de cerveja eterno, ledo engano. Ser FTM não faz da vida mais fácil nem é escapatória de lésbicas não assumidas. Pode não parecer porque vivemos em uma sociedade eminentemente machista, mas o ser homem também tem seu preço social, assim como o ser mulher.

E lembre-se que os transexuais são a parcela mais discriminada da diversidade sexual, até mesmo dentro da comunidade GLBT.

Para se diagnosticar alguém como transexual, o básico é que o indivíduo tenha uma sensação interna de não pertencer ao sexo de nascimento por pelo menos dois anos, somado a outras situações que acabam por gerar diversos transtornos decorrentes dessa inadequação interna. A partir daí, se dá início a todo um processo que começa com a busca e aceitação de si próprio, rumo as alterações corporais, e por último a alteração jurídica. Para tal, é preciso anos de acompanhamento de vários profissionais até que de fato se conquiste seu lugar ao sol.

Nem pense em tentar se automedicar porque você acha que sabe que é transexual. As alterações hormonais podem, na sua maioria, ser revertidas, porém doses erradas podem levar a danos irreversíveis a saúde, ainda que você depois descubra que não era bem esse o seu caminho.

Esse texto não tem a intenção de duvidar de você que hoje busca alternativas, mas de alertar que ser transexual não é algo rápido, uma solução socialmente aceitável em busca de caminhos menos árduos, muito pelo contrário. É uma condição médica séria que exige cuidado e atenção dos profissionais que trabalham com transexuais.

Na dúvida, não se desespere nem tente saídas rápidas, busque o caminho correto para se encontrar, e com o apoio adequado, finalmente dar boas vindas a você mesmo.

Mamãe quero ser menina - Revista Super Interessante


Toda criança nasce com um sexo. Mas nem toda criança acha que nasceu no sexo certo. Quando isso acontece, estamos diante de um dos maiores desafios da medicina.


Quando Nick tinha 3 anos, seu pai John, achava estranho que o menininho gostasse tanto de vestir uma camiseta bem comprida e ficar andando com ela pela casa, como se estivesse de vestido. Também nao entendia a fascinação da criança por tudo que era cor-d-rosa ou porque ele só dava nomes femininos a seus animais de pelucia. Um dia, John presenciou uma estranha. Junto com dois outros meninos, o filho brincava no jardim. Mas, enquanto os amiguinhos fingiam ser Batman ou Super-Homem, Nick imaginava ser uma fada-princesa. Aquilo disparou o alarme, o menino gostava demais de coisas de meninas, e ficava muito triste quando tinha de se vestir de acordo com seu sexo. A mãe, entçao, arriscou, "Nick voce gostaria de comprar um vestido?" A reação do filho assustou os pais. Ele começou a tremer e a ofegar, de tanta felicidade. Foi aí que tudo ficou claro, Nick só seria feliz se vivesse como menina. E foi exatamente isso que os pais fizeram. Hoje aos 7 anos, Nick se chama Mary. Deixou o cabelo crescer, só usa roupas femininas e mudou de vida. Na escolinha, na Califórnia EUA, quase ninguem sabe que ela é um menino com variação de gênero, que especialistas estimam afetar 1 em cada 500 crianças. E ninguem imagina que ela mudou de sexo ainda durante a infância.


"É tão estranho quando as pessoas me perguntam como eu sei que sou um menino. É uma perguntando tão boba. A minha vida inteira eu soube que era menino" diz William, uma criança de 7 anos, que nasceu menina, mas vive como menino. É dificil levar a opinião de uma criança tão nova a sério. Pais as vezes entendem que talvez a criança seja gay ou lésbica, mas o caso não é esse. Para crianças transgêneres, não faz sentido algum dividir o mundo entre hétero e homo. Elas não se sentem atraídas pelo mesmo sexo, nem sabem o que é atração. O que querem mesmo é pertencer ao sexo oposto.


Geralmente é logo no começo da infância que os pais reparam no comportamento estranho. Meninos as vezes tentam arrancar o próprio pênis e meninas não suportam a ideai de usar um vestido. "Só fui perceber que e4ra um menino aos 3 anos de idade, quando a professora mandou os alunos se dividirem por sexo. Eu fiquei chateada, porque antes disso achava que era uma menininha como as outras", diz Luciana, uma paulistana de 28 anos, cujo nome no RG ainda é Luciano. Em crianças assim, a tendencia é a situação só se agravar, Isso porque durante a infancia é facil fazer uma criança se passar pelo sexo oposto, bastam umas roupas cor-d-rosa ou umas camisas de futebol, O problema é quando a puberdade se aproxima.


Na adolescência, a criança começa a ter consci~encia da sua sexualidade e passa pelas maiores (e mais irreversíveis) mudanças fisiológicas da vida. Já não é um período fácil para quem está satisfeito com o seu gênero, imagine então, para quem rejeita o próprio corpo. Ter seios e menstruar, ou ter barba e engrossar a voz, são o pesadelo de qualquer criança com transtorno de identidade de gênero. "Metade dos adolescentes transgêneres tentam se matar entre a puberdade e a vida adulta" diz Stephanie Brill, autora do livro "The transgender child" (A criança transgênere, ainda sem tradução para o português). Luciana passou boa parte da sua vida sem fazer sexo, de tanta aversão que sentia a seu pênis. Se para essas pessoas a adolescência é tão traumática, o que pode ser feito? Segundo a sociedade internacional de endocrinologia, a resposta é bloquear a puberdade.


A ideia parece radical, mas já está sendo feita na Europa e nos EUA desde o começo dos anos 2000. Quando uma criança é diagnosticada com transtorno de identidade de gênero, o tratamento começa entre os 10 e 12 anos. Nessa idade, prescrevem-se os bloqueadores de puberdade, originalmente criados para crianças que entram na adolescência muito cedo, aos 7 ou 8 anos. O mais comum deles é o hormônios liberador de gonadotrofina (GnRH), que impede a testosterona e o estrogênio de agir. Sem esses hormônios, o corpo fica "congelado" numa infância eterna. Ele não se desenvolverá para nenhum gênero e ficará sexualmente neutro. O método foi imaginado para que as crianças tenham tempo de decidir a qual sexo pertencem, sem que seu corpo passe pelas mudanças sem volta da puberdade.


"Bloquear a puberdade é um tratamento totalmente reversível. Hormônios e criurgias, esses não têm volta." diz a psiquiatra Annelou de Vries, da Universidade Livre de Amsterdã, o primeiro lugar do mundo a oferecer esse tratamento. Lá, mais de 100 adolescentes estão neste momento tomando o GnRH para, aos 16 anos, começarem com os hormônios sexuais e aos 18, cogitarem a cirurgia de readequação sexual. Para John, pai da menina Mary (que nasceu Nick), os bloqueadores são um milagre. "Quero que minha filha passe apenas uma vez pela puberdade, e só no sexo feminino. Ela mal pode esperar para começar com os bloqueadores."


Essa história faz todo o sentido na teoria, mas não na prática. Como é possivel diagnosticar com segurança o transtorno de identidade de gênero numa criança tão nova? Peguemos o exemplo de André, um produtor de moda homossexual, de 24 anos. Quando criança, seu brinquedo favorito era uma Barbie Lambada, e ele adorava usar uma toalha na cabeça para fingir ter cabelo comprido. André nem sequer sabia dizer se era menino ou menina. Hoje, ele namora um rapaz, mas jamais cogitaria mudar de sexo. Como saber, ainda na infância, que ele seria feliz em seu gênero de nascença? "Ainda não conseguimos ter 100% de certeza com crianças. O que avaliamos é a insistência dela em ser, se vestir e se comportar como o sexo oposto durante anos de acompanhamento psicológico", diz Vries. O importante nesses casos é a atitude irredutível. Se a criança um dia diz que é menino e no outro menina, é bem provável que a confusão de gênero não siga até a vida adulta. Mas, como tudo que envolve a mente humana, não há como ter certeza.


Um médico americano, Charles Davenport, tentou quantificar a longo prazo o comportamento de meninos afeminados. Dos 10 garotos que ele acompanhou até a vida adulta, 4 viraram héteros, 2 viraram gays, 3 ficaram incertos sobre sua orientação sexual e apenas 1 deles virou transexual e quis trocar de sexo. Isso também se comprova com estatísticas: na infância, 1 em cada 500 crianças pode apresentar alguma variação de gênero. Já entre adultos, o transexualismo é muito mais raro: calcula-se que sejam apenas 1 em cada 30 mil homens e 1 em cada 100mil mulheres. Ou seja, se você conhecer um menino que gosta de brincar de boneca, não há razão para se alarmar. E é justamente isso que torna o tratamento com bloqueadores de puberdade tão polêmico.


Joanne tinha 8 anos quando contou à mãe que, na verdade, era um menino e queria ser chamado de Jack. Sem que os pais soubessem, já dizia para os coleguinhas no colégio que só atenderia por "ele". Para a mãe, a mudança foi traumática, ela precisou de um ano para conseguir fazer a troca de pronomes. Em compensação, Jack deixou de ser uma menina deprimida para virar o menino contente que é hoje, aos 10. "Os seios de Jack estão começando a despontar, e eu sei que deveria pensar em bloqueadores e cirurgias, mas é muito difícil para mim", diz Anna, a mãe, no livro sobre crianças transgêneres.


Deixar o filho viver no sexo oposto inclui uma série de problemas que nenhum pai gostaria de enfre4ntar. É preciso contar à família que aquela menina agora atenderá pelo nome de Jack, é preciso pedir que o professor fique atento a provocações com o novo menino na escola e é preciso se despedir do sonho de ver a filha casar e ter filhos. "Eu sempre quis brincar de bola com meu filho, mas percebi que com Mary isso não se tornaria realiade", conta John, pai de Mary que até os 4 anos, era Nick.


No Brasil, até as leis atrapalham a mudança. O conselho federal de medicina proíbe qualquer intervenção com remédios antes dos 18 anos, e a cirurgia é vetade até os 21 anos. Além disso, não é simples convencer alguém de que o filho talvez precise trocar de sexo. "No Brasil, quando a família entende que a mudança logo cedo ajuda, os pais vão sozinhos atrás de remédios e hormônios para os filhos", diz Alexandre Saadeh, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo.


Tudo indica que as causas para o transtorno sejam biológicas. Em 2008, um estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, mostrou que a estrutura e o tamanho de diversas áreas do cérebro são parecidas em homens gays e mulheres hetero, e o mesmo acontece em lésbicas e homens hetero. Assim, poderia haver uma mente masculina dentro de um corpo feminino e vice-versa. "Imagina-se que pode haver alguma influ~encia de hormonios durante a gestação. Por exemplo, se o feto é do sexo masculino, mas entrou em contato com hormônios femininos, é possível que o cérebro do bebê, se forme de maneira diferente." diz Carmita Abdo, do projeto sexualidade do Hospital das clínicas. Quando os pais percebem que não adianta forçar a barra para mudar o comportamento do filho, é geralmente tambem quando enxergam que são eles que precisam mudar.


Ninguém escolheria ser transexual. Eles são a minoria sexual mais discriminada, abaixo de gays, lesbicas, bissexuais e travestis. 73% deles sofrem assédio nas ruas e 45% rompem com a família quando anunciam seu verdadeiro gênero. Os bloqueadores de puberdade ajudam a aliviar o preconceito porque deixam a pessoa com uma aparência mais natural depois da troca de sexo. As contraindicações são muitas, há indícios de que atrapalham na calcificação dos ossos e se o tratamento for iniciado muito cedo, com bloqueadores e hormônios na puberdade, a pessoa quase certamente ficará infértil. Além disso, a dose do GnRH pode chegar a R$3mil. "Eu vejo que, aos poucos, os pais estão deixando seus filhos fazer essa transformação, mesmo que escondida. Eles preferem ver os filhos felizes e vivos, do que infelizes no sexo biológico" diz Brill. Há alguns anos, quem recomendasse bloqueadores de puberdade a crianças saudáveis seria chamado de louco ou radical. Hoje, alguns lugares já se acostumaram com o arco-íris da sexualidade humana. A Park Day School, em Oakland, nos EUA, é uma escola que dá as boas-vindas a essas crianças. Nos últimos anos, 8 aluninhos que nasceram num sexo, mas vivem no outro, passaram por lá. Na hora de ir ao banheiro, podiam escolher entre o feminino, o masculino e o neutro. Mas nem é preciso ir tão longe: no Mato Grosso do Sul, alunos da rede estadual que vivem no sexo oposto ganharam na justiça o direito de ser chamados pelo nome de sua preferência. A mudança já começou.


Autora: Karin Hueck

Fonte: Revista SuperInteressante Abril 2009, pag. 62