quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Feliz Natal e Ano Novo.




Mais um ano está perto de findar e gostaríamos de agradecer imensamente à todos que passaram por aqui, que deixaram comentários, que se dispuseram a enxergar com outros olhos as diferenças ou que timidamente encontraram algum conforto para suas angústias neste espaço virtual.

Esperamos poder contar com a sua presença no próximo ano para que juntos possamos construir algo maior.

E ficam aqui nossos votos de um Natal fraterno, cheio de luz e afeto, bem como um Ano Novo cheio de paz, harmonia e desejos dos mais variados gostos, tamanho, cores, enfim sonhados ou realizados, porém buscando a felicidade e a plenitude que habita em cada um.

E para quem acha essa época uma grande bobeira ou não comemora por razões religiosas, não tem problema algum, aqui todos são respeitados tal como são e por isso esperamos que os votos acima se estendam à todos da maneira que vocês assim quiserem e desejarem receber.





quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Transexual masculino participa do Gran Hermano da Argentina para conseguir dinheiro para mudar de sexo.

Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

TELEVISÃO

Por uma prótese peniana

por Valmir Costa

ARGENTINA – O Gran Hermano 2011, versão do reality show Big Brother da Argentina, começou ontem, 14, com 10 homens e 10 mulheres na disputa pelo prêmio. No entanto, a surpresa ficou por conta do jovem Alejandro Iglesias, 26, que – apesar da aparência masculina, não era biologicamente do sexo masculino.

Trata-se de um transexual masculino, registrado como Silvia Iglesias, que deseja ganhar o prêmio de 400 mil pesos para colocar uma prótese peniana na cirurgia de mudança de sexo. A revelação foi feita a uma das participantes da casa, na madrugada de ontem, e exibida na noite desta terça-feira, 14.

Segundo ele, apesar de se sentir homem psicologicamente, fisicamente nasceu mulher. “Sempre me senti um menino, não sabia o motivo”, disse Alejandro. O gran hermano também comentou que ficou em dúvida se revelaria sua história de vida no programa ou se apenas se comportaria naturalmente como é.

Identidade – O apresentador do reality show Jorge Rial destacou a coragem de Alejandro e disse que o jovem estava buscando sua verdadeira identidade sobre um assunto que pouco se fala, mas que era realidade para as muitas pessoas transexuais. Ou seja, o de acordo entre o sexo biológico e o psicológico. Pela história de vida e pelo fato inusitado, Alejandro é o participante com a maior aprovação do programa. O Twitter do gran hermano transexual é o que tem mais seguidores. Além disso, o vídeo em que ele comenta sobre sua vida foi traduzido para vários idiomas.(...)

Veja o vídeo:



Fonte: http://mundomais.com.br/exibemateria2.php?idmateria=1884

domingo, 12 de dezembro de 2010

Programa Repórter Justiça sobre transexualidade, transgenitalização e retificação documental.

"O Repórter Justiça desta semana coloca em debate a questão da mudança cirúrgica do gênero sexual. A transformação cirúrgica de um transexual - chamada transgenitalização - é bastante conhecida no Brasil. O primeiro procedimento cirúrgico aconteceu na década de 70. Hoje, a transgenitalização não se limita apenas ao ato cirúrgico. Pelo menos dois anos antes da realização do procedimento começa um trabalho de apoio psicológico ao paciente. O objetivo é preparar o transexual para as mudanças que não são apenas físicas. O acompanhamento ajuda a evitar possíveis arrependimentos com a decisão tomada."









Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Hnudka_2nkM, http://www.youtube.com/watch?v=cVpgGAZE9Fs&feature=related , http://www.youtube.com/watch?v=2O3Og0hZY2Y&feature=related , respectivamente. Grupo FTM Brasil, por colaborador.

sábado, 11 de dezembro de 2010

O sexo do cérebro


Autora do trabalho “O sexo do cérebro: uma análise sobre gênero e ciência”, a cientista social Marina Fisher Nucci, pesquisadora do CLAM, doutoranda do Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ) e professora do Curso de Especialização em Gênero e Sexualidade (EGeS), foi uma das premiadas na categoria “Mestre e estudante de Doutorado” do concurso “Construindo a Igualdade de Gênero”, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). No trabalho, fruto de sua dissertação de mestrado no IMS (orientada pela profa. Jane Araujo Russo), Marina buscou investigar e discutir concepções acerca do gênero e da sexualidade na produção científica e biomédica contemporânea e as teorias naturalizantes e biologizantes sobre orientação sexual e gênero, usadas para “explicar” as diferenças entre homens e mulheres e entre hetero e homossexuais (Clique aqui e veja uma lista de estudos neurocientíficos sobre orientação sexual e identidade de gênero).

“Procuro mostrar a forma como essas teorias são construídas, como as pesquisas são feitas, como surgem e o que elas tentam provar”, explica a pesquisadora. Uma delas é a teoria do hormônio pré-natal, surgida na universidade de Kansas (EUA) no final da década de 1950, a qual apregoa a idéia de que o cérebro é masculino ou feminino. “Então, por exemplo, a mulher transexual (o homem que nasceu com o sexo biológico masculino e se tornou mulher) teria, segundo essa teoria, um cérebro feminilizado. Um cérebro de mulher num corpo masculino. Tal ideia até hoje é muito difundida, havendo muitas pesquisas sobre ela”, afirma Marina.

Várias autoras feministas criticam essas pesquisas. Em “O sexo do cérebro”, Marina Nucci utiliza algumas delas, como Londa Schiebinger, Anne Fausto-Sterling, Marianne Wijingaard, além de Nelly Oudshoorn, autora que, na década de 1970, ficou famosa por criticar a teoria dos hormônios, segundo a qual os hormônios, e suas conexões com o cérebro, determinam o comportamento frente ao sexo oposto e a inteligência de homens e mulheres. “Há uma extensa crítica feminista a essas pesquisas. Essas autoras podem ser chamadas de feministas biólogas. São formadas em ciências biomédicas e fazem uma crítica de dentro da ciência”, relata a pesquisadora, na entrevista a seguir.

A 6ª edição do Prêmio “Construindo a Igualdade de Gênero” é uma iniciativa do CNPq juntamente com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM/PR), Ministério da Educação (MEC) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNFEM). No total foram 4.560 trabalhos enviados para concorrer ao prêmio. Os vencedores recebem esta semana as premiações em dinheiro, computadores e bolsas de estudos. Para ler o artigo premiado, clique aqui

São muitas as pesquisas e teorias biomédicas que procuram explicar por bases biológicas as diferenças entre homens e mulheres e entre heterossexuais e homossexuais?

Há muitos estudos e trabalhos recentes. As pessoas tendem a achar que isto é uma coisa antiga e que foi abandonada. Mas pesquisas do tipo estão sendo feitas até hoje. Na minha pesquisa, analisei pesquisas recentes, de trabalhos publicados de 1995 a 2009.

O que elas normalmente apregoam?

Elas procuram buscar marcadores biológicos do gênero. Há pesquisas que vão observar criancinhas brincando com carrinhos ou bonecas e vão falar se as meninas brincam mais com carrinhos ou bonecas, e se os meninos brincam mais com um ou com outro. De acordo com esses estudos, isto seria um indicativo do grau de feminilidade ou masculinidade dessas crianças.

Existem várias pesquisas que focam o tamanho do cérebro. Mas as pesquisas que eu analisei são mais direcionadas à configuração cerebral, menos focadas no tamanho em si e mais no modo como o cérebro se organiza. Eu trabalhei a partir da idéia de Thomas Laqueuer sobre dimorfismo sexual, surgida a partir do século XIX. Parto da crítica que Laqueur faz à ciência.

Ciência como algo temporal e socialmente construída?

Sim, a ciência não é neutra, é localizada. Ciência diz respeito à política e à sociedade de cada época. Segundo Laqueur, o que vigorava no século XVIII era um modelo de sexo único. Mais tarde, este modelo daria lugar à idéia de dimorfismo sexual. Então, num momento a ciência sustentava não haver diferenças, que os órgãos genitais femininos eram exatamente os mesmos, apenas localizavam-se no interior do corpo devido à falta de calor vital. Acreditava-se que, caso recebessem mais calor, as mudanças nas estruturas corpóreas fariam com que o corpo feminino passasse facilmente da categoria social feminina para a masculina. Nesse sentido, a natureza teria uma tendência de caminhar sempre para o sexo perfeito, o masculino, reforçando a superioridade masculina. É a idéia da hierarquia de gênero. Então, o homem é hierarquicamente superior à mulher. A mulher seria um homem imperfeito, um homem menor.

O que proporcionou a mudança na concepção da ciência?

Aí surge a idéia de que existem homens e mulheres completamente diferentes. São dois corpos completamente diferentes, são ossos diferentes, bacias de tamanho diferentes, nervos. Então, são seres diferentes. Eles são complementares, porém diferentes. Isso significa que há lugares diferentes para seres diferentes. A idéia que o Laqueur coloca é que essa idéia de dimorfismo sexual quer justificar o lugar inferior da mulher na sociedade.

Se antes não existia o dimorfismo sexual, anatomicamente falando, por que passou a existir? De onde surge a necessidade de diferenciar e hierarquizar?

Essa teoria aparece justamente na época em que o liberalismo surgiu, trazendo a ideia de que as pessoas são todas iguais e devem, por isso, ter direitos iguais. Então, a ciência surge para justificar esse lugar da mulher na sociedade, ou seja, a mulher como não portadora de direitos. As pessoas são todas iguais, mas a ciência vai legitimar as desigualdades e as hierarquias de gênero, colocando a mulher como inferior, sem direito ao voto, excluída da vida pública, e destinada ao lar e à maternidade. Esta justificativa biológica da diferença de gênero, dos papeis diferentes e do papel inferior da mulher na sociedade teve um grande impacto na vida política, econômica e cultural. E o movimento feminista vai questionar essa justificativa biológica da suposta inferioridade feminina.

O feminismo surge num primeiro momento como uma crítica?

Isso, ele surge com as teóricas feministas, mulheres que pensavam e escreviam sobre sociedade. A partir principalmente no final do século XX, elas partem de uma crítica à ciência, uma crítica à justificativa biológica para as diferenças de gênero.

As definições científicas do corpo feminino e, por extensão, do papel social das mulheres na hierarquia social, foram determinadas por uma comunidade científica da qual as mulheres praticamente não faziam parte. Ou seja, todas essas concepções de ciência em relação à diferença biológica entre homens e mulheres eram feitas por uma ciência masculina?

Isso, eram cientistas homens, as mulheres não tinham direito de estudá-las, não podiam fazer ciência. Estavam excluídas. Os resultados obtidos por essa ciência acabariam por justificar e legitimar ainda mais essa exclusão.

O que acabou por atrelar a mulher à função reprodutiva?

As próprias pesquisas médicas em que tudo que era relacionado à mulher era ligado à reprodução. Então, era como se a mulher só servisse para isso. A mulher não podia estudar, porque iria gastar energia à toa. Ela nunca iria se igualar aos homens, serviria apenas para a reprodução e, por isso, o corpo da mulher se torna mais medicalizado. É isso o que a pesquisadora Fabíola Rohden (UFRGS) fala em sua tese sobre o surgimento de uma ciência para a mulher – a ginecologia. Mas não vai haver uma ciência análoga aos homens, a andrologia, por exemplo. Até hoje a mulher vai muito mais ao médico do que o homem. Eles não freqüentam o urologista uma vez por ano, como a mulher vai ao ginecologista.

Por que o corpo feminino se tornou mais medicalizado que o corpo masculino?

Há algumas hipóteses. Porque quem fazia a ciência eram os homens, a mulher estava num papel inferior, a medicina serviu para justificar esse papel da mulher. Talvez por esse motivo a mulher seja mais medicalizada que o homem.

Em seu trabalho você analisa a idéia de que os hormônios, e suas conexões com o cérebro, determinem o comportamento frente ao sexo oposto e a inteligência de homens e mulheres?

Sim, analisei pesquisas que partem da idéia de que muita testosterona no útero vai criar um cérebro masculino e, conseqüentemente, um comportamento masculino. O menino, por ter recebido testosterona no seu desenvolvimento enquanto feto, vai querer brincar de carrinho, depois vai ser mais agressivo, mais racional, e terá mais habilidade para a matemática, por exemplo. Enquanto a menina, que não recebeu testosterona, seria mais empática, mais cuidadosa e cuidadora, e vai preferir brincar de boneca. Então, essas teorias vão afirmar que tudo isto que vemos como características de gênero são determinadas, ainda durante o desenvolvimento do feto, pelos hormônios pré-natais. Nelly Oudshoorn mostra que, quando as primeiras pesquisas sobre os hormônios começaram a acontecer, no início do século XX, a idéia era que existia hormônio masculino e hormônio feminino. Então, os cientistas foram medir o nível hormonal.

Que contexto cultural possibilitou o surgimento dessas pesquisas?

A idéia dos pesquisadores da endocrinologia, como a Nelly Oudshoorn mostra em seu livro, era que os hormônios sexuais eram masculinos ou femininos e ponto final. O problema é que, quando foram medir o nível de hormônio em homens saudáveis, foi encontrado o hormônio “feminino”, o que causou um grande espanto nos pesquisadores. Eles pensaram: “Como pode haver na urina de um homem normal um hormônio feminino”. Então, várias especulações surgiram, para justificar essa diferença dos corpos: na verdade, eles seriam “hermafroditas latentes”, ou teriam ingerido o hormônio, por exemplo.

A teoria do hormônio pré-natal explica também a diferença entre homossexuais e heterossexuais?

Segundo essa teoria, haveria um contínuo de “masculinidade” e “feminilidade” cerebral. Então, enquanto haveria um heterossexual com cérebro masculino, o homossexual teria um cérebro mais feminilizado ou menos masculinizado, por, supostamente, ter recebido menos testosterona durante o desenvolvimento do feto.

Você acredita que a biologia tem um papel preponderante na esfera política?

Acho que cada vez mais. desde o surgimento dos ideais de igualdade, deu-se mais importância à biologia e passou-se a pensar a ciência como algo puramente racional. A idéia difundida para o público leigo é que o que é determinado cientificamente não tem discussão.

Buscar na biologia a explicação do comportamento sexual ainda é uma tendência muito freqüente hoje em dia? Tais pesquisas não seriam maléficas no sentido que acabam por reforçar a ideia de “problema” e estigmatizar ainda mais comportamentos e identidades sexuais tidos como desviantes?

Toda hora vemos no jornal que “descobriram” o gene responsável pela transexualidade, por exemplo. Mas não podemos pensar a ciência como se esta fosse malvada, é preciso pensar de modo menos dualista, como se houvesse o bem e o mal.

Publicada em: 08/12/2010 às 12:00 entrevista

Publicada em: 08/12/2010

Fonte: http://www.clam.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=%5FBR&infoid=7572&sid=43

sábado, 4 de dezembro de 2010

Violência faz parte da vida de transexuais e travestis, diz pesquisador.


Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 04/12/2010, 11:21

Última atualização às 11:21

São Paulo - Os recentes casos de violência por suposta motivação homofóbica, como os que envolveram jovens na avenida Paulista, em São Paulo, em novembro passado, não são novidade na vida de travestis e transexuais, afirma o pesquisador e jornalista, Aureliano Biancarelli. Autor do livro "A Diversidade Revelada", que narra o dia a dia de transexuais e travestis, ele relata que a violência contra essas pessoas começa cedo, já na infância, e no interior da própria família e se repete na escola e ao longo de toda a vida.

"A violência é uma constância na vida delas. Começa com uma violência que é menos visível, mas mais danosa para a pessoa que é a violência dentro de casa", pontua. Nem sempre travestis e transexuais sofrem violencia física, mas em geral passam pela exclusão familiar. "Ou você se enquadra no sexo que nasceu ou vai ser expulso de casa", acentua Biancarelli.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, o jornalista explicou que a violência doméstica, física ou psicológica, acaba levando transexuais e travestis às ruas e à marginalidade. "Se vai para rua e é um travesti, um homossexual que quer viver como travesti, vai acabar caindo na marginalidade. A única coisa que vai encontrar no mercado de trabalho é a prostituição ou, raramente, vai encontrar trabalho como cabeleireiro", analisa.

De acordo com definições médicas citadas pelo antropólogo e pesquisador Bruno Cesar Barbosa em entrevista à Agência USP de Notícias, uma ou um travesti seria aquele que se comporta e se veste como o outro gênero, mas não quer a cirurgia para mudar seu órgão sexual. Já os/as transexuais, sentem a necessidade de fazer a cirurgia, pois se sentem do outro gênero desde o nascimento.

As transexuais consideram que nasceram com o corpo errado. A mente age como se fosse de um sexo e o corpo é de outro, por isso desejam fazer a operação que recolocaria o corpo no lugar que deveria estar, diz Biancarelli.

As mulheres trans nasceram com corpo de homem e se sentem mulheres.

Os homens trans conservam os órgãos femininos, mas pensam e agem como homens.

Segundo o pesquisador, uma ínfima porcentagem de famílias compreendem e aceitam familiares transexuais ou travestis. Motivo que leva muitas pessoas a viverem escondidas ou se relacionarem apenas dentro do mesmo grupo.

Como exemplo do medo que ronda a vida dessa população, Biancarelli cita a história de um homem trans, com corpo feminino, que perto de se casar, prefere esconder da família da noiva sua condição de transexual. Ou a história do professor de inglês, homem trans, que tem uma vida em comum com uma professora da mesma área, mas vive sempre no "limiar do risco", com receio de que colegas e familiares descubram a transexualidade.

A rejeição social também impacta no estilo de vida de trans e travestis."Eles têm medo do dia. Têm uma vida na escuridão", comenta. "Quando escurece, aí se travestem, se enfeitam, mas durante o dia saem o mínimo possível de casa. Elas não têm coragem de tomar Metrô, ou ônibus, por exemplo", acrescenta em relação às travestis.

Discriminação

Biancarelli detectou que transexuais e travestis sofrem preconceito e humilhação em ações simples do dia a dia, como ir ao banheiro ou procurar um médico.

"Homem e mulher trans, como se vestem de mulher, utilizam banheiros femininos e todas elas relatam violência nessas situações porque mulheres reclamam se descobrem ou sabem. Da mesma forma não seriam aceitas com roupa de mulher em banheiro de homem", alega Biancarelli. Há casos de profissionais demitidos ou que tiveram de se submeter a usar "o banheiro dos fundos" para permanecer na empresa, informa o jornalista.

Ir ao médico é outra questão complicada para essa população. Primeiro, a transexual ou travesti é chamada pelo nome de homem, mas quem levanta e vai ao encontro do médico ou da enfermeira é uma mulher. Depois, os trans homens não têm ginecologista para atendê-los. "Não tem como ir a um ginecologista vestida de homem", argumenta o jornalista. Da mesma forma, é difícil para uma trans mulher ir ao proctologista. "Como iam procurar hormônio?", indaga o pesquisador.

Saúde

Segundo o jornalista, travestis e transexuais têm a saúde muito precária. Entrevistas realizadas com a população mais jovem aponta que apesar de não procurarem cuidados médicos há vários anos, em geral ainda não manifestaram problemas. Entretanto, a faixa etária mais velha sofre com graves problemas de saúde.

"Já esperava ouvir relatos de humilhações e maus-tratos sofridos pela população LGBT... Só não esperava que o amor e o companheirismo sobrevivessem com tanta força entre esses personagens", diz Biancarelli.Da população que procura o centro de acolhimento do Centro de Referência da Diversidade (CRD) na rua Major Sertório, centro da capital paulista, quase metade estava infectada e outra metade nunca havia feito exames, por isso não sabe seu estado de saúde real.

Biancarelli diz que as travestis acabam bebendo muito e usando drogas diariamente para aguentar a precariedade em que vivem. "Na noite você as vê cheirando cocaína, às 21 horas. Uma das coisas que o hotel ou boate condiciona é que ela incentive o cliente a beber e o cliente quer que ela beba também", conta.

Também é frequente que clientes queiram que a prostituta use drogas com ele. "Eles estão usando crack, então elas acabam caindo no crack rapidamente", elucida. "Elas precisam de mais serviços de saúde", afirma o jornalista.

Amor

Ao acompanhar o dia a dia do Centro de Referência da Diversidade, o pesquisador diz que se surpreendeu com as inúmeras histórias de amor vividas por transexuais e travestis. A maioria das mulheres e homens transexuais sonha com casamento, família e quer a mudança de sexo.

"Elas querem uma vida mais regrada, recolhida", esclarece. "Vi vários casos de trans casadas, estabelecidas. Impressionou o número de trans que tinham relacionamentos", enfoca. O jornalista também encontrou muitas travestis casadas ou namorando transexuais, michês, cafetões.

"Já esperava ouvir relatos de humilhações e maus-tratos sofridos pela população LGBT... Só não esperava que o amor e o companheirismo sobrevivessem com tanta força entre esses personagens. No Centro de Referência da Diversidade é comum ver casais de mãos dadas, ela travesti, ele heterossexual, os dois morando na rua. Em todos os relatos, em meio a histórias de maus-tratos, abandono e discriminação, há sempre uma história de amor", revela em trecho do livro "A Diversidade Revelada".

Na publicação, Biancarelli acentua que "respeito e os cuidados psicológicos e médicos a essa população dependem de um amadurecimento da sociedade. Vai do conhecimento e da atenção médica, que inclui cirurgias complexas e reordenações do serviço público, aos avanços em termos da legislação e até mesmo às interpretações do Judiciário", sublinha.

Serviço:

Em São Paulo, funciona desde 2009 o primeiro ambulatório de saúde exclusivo a travestis e transexuais, junto ao Núcleo de DST do CRT/Aids. O local conta com atendimento especializado em urologia, proctologia e endocrinologia (terapia hormonal), avaliação e encaminhamento para implante de próteses de silicone e cirurgia para redesignação sexual. De segunda a sexta, das 14h às 20h. Rua Santa Cruz, nº 81, na Vila Mariana, São Paulo.

Também na capital paulista funciona o Centro de Referência da Diversidade (CRD), administrado pelo Grupo pela Vidda/SP, em parceria com a prefeitura. O CRD oferece assistência, capacitação, geração de renda, convivência e cultura para profissionais do sexo, gays, lésbicas, travestis, transexuais e pessoas que vivem com HIV e aids em situação de vulnerabilidade e risco social. Fica na rua Major Sertório, 292/294, República. Telefone: 3151-5786. E-mail: crdiversidade@uol.com.br


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Da série porque exemplos não têm gênero...


29/11/2010 14:19

Duas transexuais nomeadas juízas nos EUA

Nos Estados Unidos existem cargos de justiça que são decididos por nomeação. É o caso de juízes para delitos menores.

Em Houston, Texas, a prefeita Annise Parker, lésbica assumida, nomeou Phyllis Frye, activista transexual de há longos anos, como juíza municipal, facto imediatamente aproveitado pelos seus críticos para afirmarem que Parker está a promover uma agenda lésbica, gay, bissexual e transgénera.

Frye, uma advogada transexual de Houston, lutou contra as lágrimas na semana passada quando a prefeita a apontou para um lugar municipal na mesma sala onde Frye tinha ajudado na revogação da portaria sobre "cross-dressing" em 1980, que criminalizava.tal procedimento.

Aos 63 anos de idade, vai ouvir casos de delitos de baixo nível.

Frye tem consciência de que é a primeira juíza transexual no Texas, e sabe de pelo menos dois outros juízes transexuais em outras partes do país.

"Eu acho que ela é uma grande adição ao nosso sistema judicial", disse a prefeita.

Frye junta-se assim a outros 43 juízes municipais e 22 a tempo inteiro.

Graduada da Texas A & M, Frye foi escuteira. Ela também foi um marido e um pai.

Frye exerce advogacia em defesa criminal em Houston desde 1986.

Ela agora dirige uma firma de seis advogados e tem apostado a sua experiência em questões jurídicas relacionadas com lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros numa já longa carreira jurídica - o capítulo mais recente é a sua representação de Nikki Araguz, a transexual viúva Wharton envolvida numa batalha jurídica para receber parte dos benefícios pela morte do seu marido.

A sua nomeação, entretanto, foi aplaudida pela associação LGBT de Houston Caucus.

Frye disse que espera começar a trabalhar na Primavera.

Outros cargos no governo local, tais como juízes superiores e xerifes da cidade, são decididos por votação, em vez de nomeação.

O condado de Alameda, na Califórnia, elegeu a primeira juíza abertamente transexual da história dos Estados Unidos.

Victoria Kolakowski, que transitou de masculino para feminino, em 1989, durante o último ano de faculdade, recebeu 51 por cento dos votos para participar do Tribunal Superior do condado de Alameda, batendo o procurador do condado do distrito para o trabalho por cerca de dez mil votos.

Kolakowski é casada com a jornalista Cynthia Lair, tendo elas sido um dos primeiros casais do mesmo sexo a casar em S. Francisco.

Segunda-feira passada, Kolakowski disse, ao referir-se à sua eleição, que os eleitores de Alameda têm a "capacidade de ultrapassar as diferenças do passado e olhar para o que verdadeiramente importa. - A nossa capacidade e experiência".

John Creighton, adversário derrotado, desejou-lhe boa sorte no cargo.

Grupos transexuais californianos ajudaram a financiar a campanha de Kolakowski, que também recebeu o apoio de legisladores democratas.

Fonte: http://www.gay1.com.br/2010/11/duas-transexuais-nomeadas-juizas-nos.html , por colaboradora.

Porque arte também faz bem a alma...


Pintar, escrever, desenhar, dançar, qualquer forma de expressão artística merece respeito. A arte liberta, transcende barreiras, expressa cada um pelo olhar do artista. Além de ser um ótimo exercício que pode auxiliar a resolver algumas questões que estejam pendentes ou simplesmente como válvula de escape.

Independente dos motivos, ver, ler, fazer e ser arte vale sempre a pena.

Pensando nisso, transcrevo abaixo poema de um colega que gentilmente deu permissão para que fosse postado aqui, e mais: nos deu permissão para entrar no seu mundo e teve a coragem de deixar que outros se encontrem nele também.

"Tive um sonho feliz
Acordei e era amado
Eu usava uma regata
E era bem apresentado

As garotas me queriam
Eu tinha uma amiga
Ela também me amava
Enquanto eu apenas fugia

Meu cabelo era curto
Bem no alto, arrepiado
Claro, um sorriso lindo
E meu corpo desenhado

Eu tambem usava
Uma calça bem legal
Ela era preta e larga
E no bolso um espiral

Mas derrepente acordei
E tudo estava igual
Eu com essa vida
E meu baixo astral

E agora, eu não era ninguem
As garotas sentem nojo de mim
Toda vez que eu olho para a amiga
Ela apenas sorri

Não é um sorriso bonito
Como se fosse um carinho
É um sorriso dizendo
"Como tú és mesquinho"

A amiga não me ama
E como ela poderia ?
Amar um homem no corpo de mulher
Até eu entenderia

Então volto para casa,
Sempre pensando na vida
Com sorriso falso na cara
Com mentiras em minha ida

Subo para o quarto
Eu adoro aquele mundo
Sendo quem eu quiser,
Sem estar de pé no muro

Ali sou oque sonhei
Um rockstar bem famoso
Desejado pelas meninas
E com dinheiro no bolso

Mas de repente eu caio do muro
E ali me vejo denovo
No meu corpo de menina
No meu corpo horroroso

Minha mãe me chama
Eu não gosto de ouvir
Ela diz " Filha linda "
Eu só quero sumir

Eu me sinto tão sozinho
Quando me olho no espelho
Mas também me sinto outro
Quando penso direito

É aquilo que eu quero
Ser o muleque ali
Com um sorriso estampado
Como eu sempre quis

Eu levei um tiro
E estou esperando deitado
No dia que eu vou ser
O que sou quando sonho acordado"

J.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Aprovada permissão para transexuais adotarem novo nome


NOTÍCIAS
COMISSÕES / Direitos Humanos
24/11/2010 - 19h21

Os transexuais poderão ter o direito de alterar seu registro de nascimento para incluir seu nome social na certidão. É o que determina projeto de lei da Câmara (PLC 72/07), aprovado nesta quarta-feira pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). O texto insere essa possibilidade na Lei de Registros Públicos (6.015/73). A proposta será analisada ainda pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

A votação foi comemorada por representantes de entidades de defesa dos direitos dos homossexuais presentes à reunião. O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) se dirigiu aos manifestantes e pediu "desculpas pela demora na aprovação do projeto".

Atualmente, a lei de registros só permite a mudança do primeiro nome - determinada por decisão da Justiça - no caso de o cidadão ser conhecido por apelido público notório ou sofrer coação ou ameaça ao colaborar com a investigação de um crime. A nova hipótese trazida pelo PLC 72/07, apresentado em 2007 pelo então deputado Luciano Zica, tem como objetivo adequar o registro contido na certidão de nascimento à realidade psicossocial do indivíduo transexual. Embora se exija laudo de avaliação médica atestando essa condição, a mudança do nome seria admitida mesmo sem o interessado ter feito cirurgia para mudança de sexo. Como nos outros casos, a mudança do nome dependeria de sentença judicial.

Segundo argumentou o autor, garantir às pessoas transexuais a possibilidade de mudar seu prenome por um nome social na certidão de nascimento deverá livrá-las de situações constrangedoras e equívocos legais.

Esse mesmo entendimento teve a relatora, senadora Fátima Cleide (PT-RO), ao recomendar a aprovação do PLC 72/07. A preocupação do projeto em determinar a averbação, no livro de registro de nascimento, da sentença judicial sobre a substituição do prenome do indivíduo, informando expressamente que se trata de pessoa transexual, foi um dos pontos que considerou positivo.

Na avaliação de Fátima Cleide, essa medida visa a resguardar interesses de terceiros eventualmente impactados por essa mudança no registro civil. Um exemplo seria uma pessoa com a qual o transexual quisesse, no futuro, se casar.

Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=105662&codAplicativo=2&codEditoria=3

sábado, 20 de novembro de 2010

Livro e exposição revelam dificuldades cotidianas das trans


19/11/2010 - 12h53

Por : Hélio Filho

SP recebe na segunda-feira lançamento de livro e exposição de fotos sobre as trans

Uma parceria entre o jornalista Aureliano Biancarelli e o fotógrafo Osmar Bustos, vai ser lançado na próxima segunda-feira, 22, o livro “Diversidade Revelada”, que ganha também uma exposição fotográfica no mesmo dia. O lançamento rola a partir das 19h, na Casa das Rosas, que fica na Avenida Paulista, 37, em São Paulo. A entrada é gratuita.

A publicação faz uma reunião de histórias de vida travestis e transexuais, relatando suas dificuldades cotidianas, principalmente o ainda difícil acesso das trans a áreas públicas básicas como Educação e Saúde. As fotos congelam esses momentos para você ver e pensar sobre.

As páginas ressaltam a importância da prestação de dois serviços realizada para trans: a parceria do Centro de Referência da Diversidade (CRD) e do Grupo Pela Vidda/SP com a Prefeitura de São Paulo e o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, do Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS da Secretaria de Saúde paulista.

Fonte: http://mixbrasil.uol.com.br/noticias/livro-e-exposicao-revelam-dificuldades-cotidianas-das-trans.html

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Bióloga transexual contraria tese de Darwin sobre seleção sexual.


GIULIANA MIRANDA
ENVIADA ESPECIAL A MANAUS

11/11/2010 - 09h48

Em sua primeira visita ao Brasil, a bióloga americana Joan Roughgarden, 64, professora da Universidade Stanford e referência em estudos sobre homossexualidade no mundo animal, atacou a teoria de seleção sexual de Charles Darwin.

Para a cientista, que em 1998 fez uma cirurgia de mudança de sexo e deixou de se chamar Jonathan para virar Joan, Darwin estava "profundamente equivocado" ao descrever padrões rígidos de distinção entre os sexos.

O conceito de seleção sexual é um dos componentes da teoria da evolução.

Darwin diz que as fêmeas, por gastarem mais tempo e energia com a criação da prole, tendem a ser mais recatadas, escolhendo os parceiros rigidamente, muitas vezes com base em características físicas exageradas -as caudas dos pavões ou os chifres dos veados, por exemplo.

Tais traços serviriam, para as fêmeas, como indicador de qualidade genética, enquanto os machos tenderiam a ser mais promíscuos.
Roughgarden se opõe a isso e afirma que não há um padrão rígido de comportamento para machos e fêmeas. Haveria, na realidade, várias gradações entre o feminino e o masculino.

RELAÇÃO MACHO E FÊMEA

Ela cita várias pesquisas indicando que, na natureza, nem mesmo a relação entre macho e fêmea pode ser considerada padrão.

"Há mais de 300 espécies de vertebrados com registro de homossexualidade. Um terço dos peixes de recifes de coral pode trocar de sexo durante a vida. A seleção sexual não explica isso", diz.

No lugar do conceito de Darwin, Roughgarden propõe a teoria de "seleção social". Além de compreender as várias gradações entre os gêneros, a teoria afirma que, na natureza, é comum haver sexo sem fins reprodutivos.

Como exemplo, ela cita os bonobos, primatas africanos que usam sexo como forma de integração e interação social, além de outros bichos.

Lançado há um ano, seu último livro, "The Genial Gene", aprofunda as críticas. Um dos principais alvos é o zoólogo Richard Dawkins, ex-professor da Universidade de Oxford e defensor da visão darwinista clássica. Para a bióloga, Dawkins e outros dão peso excessivo à competição no processo evolutivo.

Ela acusa as universidades britânicas de ignorar qualquer indício de erros na teoria da seleção sexual.

"Charles Darwin é um herói nacional. Por isso, admitir que existe uma falha no seu raciocínio tem um significado enorme. É como se estivessem desmoralizando a nação", afirmou.

Bióloga americana alia biologia evolutiva e fé cristã.

Filho de missionários da Igreja Episcopal, Jonathan Roughgarden decidiu mudar de sexo e virar Joan quando tinha 52 anos e uma carreira já consolidada como pesquisador e professor.

Antes da operação, seus livros já traziam a questão da homossexualidade. Mas, após o procedimento, a publicidade e o interesse sobre seus estudos cresceu.

Além da homossexualidade, a relação da religião com a biologia também é um de seus objetos de estudo. Em 2006, a pesquisadora lançou um livro em que defende a compatibilidade entre a teoria da evolução e a fé cristã.

No Brasil para participar da conferência TEDx Amazônia, que aconteceu no fim de semana em Manaus (AM), Roughgarden disse à Folha que estava bastante surpresa com a repercussão positiva de seus livros no Brasil.

"Recebi vários e-mails de brasileiros querendo saber mais sobre sobre o assunto. Não esperava isso."

"Evolução do Gênero e da Sexualidade" foi traduzido em vários países e vendeu mais de 100 mil exemplares, o que, no mundo dos livros de ciência, é um best-seller.

Roughgarden é atualmente casada com um homem. Segundo a bióloga, estar em um relacionamento heterossexual comum às vezes pode ser entediante.

Apesar disso, a bióloga afirma que não perde uma parada gay. Segundo ela, aliás, foi depois de um desses eventos na Califórnia, onde vive até hoje, que ela decidiu fazer a operação para mudar de sexo.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/829013-biologa-transexual-contraria-tese-de-darwin-sobre-selecao-sexual.shtml , http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/829016-biologa-americana-alia-biologia-evolutiva-e-fe-crista.shtml . Por email, por colaboradora.

sábado, 6 de novembro de 2010

Consultores para Projeto Diversidade.


Projeto Diversidade Sexual na Escola seleciona consultores

O Projeto Diversidade Sexual na Escola está selecionando consultores para auxiliar na construção de material de orientação para educadores em Diversidade Sexual e de Gênero na Escola, com foco no currículo e na prática pedagógica. Como trabalho, os consultores terão de pesquisar referências bibliográficas, fazer um levantamento de materiais e atividades didático-pedagógicas e produzir textos que subsidiem a construção do material, relacionando a questão da diversidade sexual e de gênero a áreas curriculares específicas. Este relatório deverá ser entregue em até um mês após o início do trabalho.

REMUNERAÇÃO

Os/as selecionados/as receberão, como prestadores de serviço, uma parcela única de R$ 1.700 (mil e setecentos reais) no momento da entrega do relatório final. Essa consultoria não gera vínculo empregatício.

COMO SE CANDIDATAR

Podem se candidatar pessoas com formação mínima de graduação (concluída), preferencialmente com especialização/mestrado/doutorado.

Os/as candidatos/as podem ser residentes do Rio de Janeiro ou não, desde que tenham amplo acesso a meios de comunicação digitais e eventual possibilidade para viagem.

Os/as candidatos/as devem enviar mensagem eletrônica para o endereço bortolini@pr5.ufrj.br colocando no assunto CONSULTOR + ÁREA A QUE SE CANDIDATA e em anexo a seguinte documentação:

- Dados pessoais (constando inclusive endereço e telefone)
- Currículo atualizado (modelo lattes)
- Pequeno ensaio de até 2 laudas + bibliografia, explanando sobre as possibilidades de trabalho didático-pedagógico da questão da diversidade sexual e de gênero na área curricular específica a que está se candidatando.

A documentação pode ser enviada até dia 21 de novembro de 2010. A previsão é que a divulgação dos resultados ocorra no início de dezembro.

VAGAS

01 Área curricular: Ciências Sociais (ensino fundamental e médio)
01 Área curricular: Ciências Biológicas (ensino fundamental e médio)
01 Área curricular: Língua Portuguesa, Literatura e Redação (ensino fundamental e médio)
01 Área curricular: Ciências Exatas (ensino fundamental e médio)
01 Área curricular: Educação Física
01 Área curricular: Artes (plásticas, digitais, musicais e cênicas)
01 Área curricular: Educação Infantil

Dúvidas e informações: (21) 2598-1892 (21) 2598-1892
Projeto Diversidade Sexual na Escola
Universidade Federal do Rio de Janeiro
(21) 2598-1892 (21) 2598-1892 / 2598-9695
http://www.diversidade.papocabeca.me.ufrj.br/

Fonte: http://www.clam.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=%5FBR&infoid=7426&sid=9 ; Por email, por colaboradora.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Jogadora de basquete quer ser homem, mas não fará cirurgia para seguir com time


03/11/2010 - 19h51 do UOL Esporte

Do UOL Esporte
Em São Paulo

A jogadora de basquete universitário Kye Allums afirmou que quer ser tratada como homem, mas decidiu abrir mão da troca de sexo para permanecer com sua equipe na Universidade George Washington, nos Estados Unidos. A declaração foi dada nesta quarta-feira, em entrevista coletiva concedida em Washington.

A jogadora era conhecida como Kay-Kay, mas já pediu para que a universidade mudasse seu nome na lista de jogadoras para "Kye". “A universidade tem me apoiado durante toda essa transição. Isso significa muito. Eu não escolhi nascer neste corpo e me sentir da maneira que eu me sinto”, afirmou a jogadora que anotou 7,4 pontos e 4,6 rebotes por jogo na última temporada.

Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira, em Washington, Allums revelou a dificuldade em tomar a decisão e explicá-la à sua família. “Eu escrevi um email para minha mãe explicando tudo. Levei 15 minutos para escrevê-lo e cinco horas para enviar”, disse.

Uma nota oficial publicada pela universidade afirmou que a jogadora não iniciará qualquer procedimento médico ou com hormônios enquanto for uma atleta-estudante. A entidade afirmou também que consultou a NCAA (organizadora das competições universitárias nos EUA) sobre a situação de Kye. Liberada pela entidade, a atleta continuará no elenco da equipe.

“Minhas colegas de time me adotaram como o irmão mais velho da equipe. Elas têm sido minha família e eu amo todas elas”, afirmou a jogadora de 21 anos, que também recebeu o apoio incondicional do treinador.

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/esporte/2010/11/03/jogadora-de-basquete-quer-ser-homem-mas-nao-fara-cirurgia-para-seguir-com-time.jhtm

sábado, 30 de outubro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Em busca do anonimato - Escola Superior do Ministério Público debate o direito dos transexuais à cidadania


O transexual não quer levantar bandeiras, sair em passeatas, viver exposto. Tudo que deseja é andar despercebido na multidão em um corpo compatível com a sua identidade de gênero. A cada sexta-feira, três novas pessoas procuram o ambulatório de transtorno de identidade, de gênero e orientação sexual do Hospital das Clínicas com o objetivo de realizar a cirurgia de mudança de sexo. Do total de interessados, entre 70% e 80% são diagnosticados como ‘trans’ e, portanto, podem se submeter à intervenção cirúrgica. Desde 1998, o HC já realizou 32 cirurgias em transexuais, que conquistaram o direito de utilizar o nome social em documentos oficiais. Em todo o mundo, um a cada 30 mil adultos masculinos e uma a cada 100 mil adultas femininas buscam a cirurgia de mudança de sexo.

Para debater o diagnóstico trans, a intervenção cirúrgica, a adaptação psicológica ao novo corpo e o avanço dos direitos dos transexuais, a Escola Superior do Ministério Público promoveu nesta quarta-feira, 27 de outubro, a palestra “Transexualidade e Direitos Humanos”. O evento contou com a exposição do médico Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório de transtorno de identidade, de gênero e orientação sexual do Hospital das Clínicas; e dos Promotores de Justiça Reynaldo Mapelli Júnior, coordenador do CAO Cível – área de Saúde Pública, e Deborah Kelly Affonso, assessora jurídica da Procuradoria-Geral de Justiça.

O debate sobre o tema – inédito na história do Ministério Público – foi enriquecido com a participação de mulheres que realizaram a cirurgia de mudança de sexo e que, hoje, assumem cargos de liderança na luta pelo reconhecimento de direitos e cidadania ‘trans’ - a psicóloga Clara Cavalcante, do Ambulatório de HIV/AIDS do Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS da Secretaria do Estado da Saúde; e Carla Machado, coordenadora executiva do Fórum Paulista de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). Participou da mesa de abertura Dimitri Salles, coordenador para Política de Diversidade Sexual da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. A abordagem multidisciplinar do evento garantiu ao público o contato com visões distintas sobre o tema – partindo da medicina, passando pelo direito e finalizado com a vivência prática dos transexuais.

Os palestrantes fizeram críticas ao Decreto Estadual 55.588/2010, que permitiu aos transexuais o direito de modificar o ‘nome social’ em documentos oficiais. A lei determina que o novo nome seja colocado entre parênteses após o nome de batismo, permitindo assim a exposição do nome que nega a identidade de gênero do indivíduo. “É terrível mostrar a nossa cédula de identidade e lidar com o preconceito na cara das pessoas”, afirmou Carla Machado, que, por diversas vezes, enfrentou situações semelhantes. “As pessoas olham, têm medo da gente e nos ridicularizam pelas costas. A nossa identidade não pode estar entre parênteses”. A Promotora de Justiça Deborah Kelly também contestou a norma. “Não tem cabimento o Estado garantir a cirurgia de mudança de sexo e criar obstáculos, impedindo que a nova identidade do transexual seja assumida de forma integral”, disse assessora jurídica da PGJ.

O nome social entre parênteses, segundo Alexandre Saadeh, promove justamente o efeito contrário ao objetivo da intervenção cirúrgica. “A importância desta cirurgia é fazer com que esta pessoa não se sinta uma anormalidade”. Na Inglaterra, a lei determina a privacidade obrigatória do histórico médico e social do indivíduo que realizou a cirurgia, sob pena de 5 anos de reclusão e multa de 5 mil libras. O Brasil anda a passos trôpegos na garantia deste direito. A promotora de justiça Deborah Kelly criticou o Projeto de Lei 72/2007, que determina que o termo ‘transexual’ qualifique o sexo do indivíduo nos documentos oficiais. A assessora da PGJ apresentou algumas jurisprudências controversas, entre elas, uma que reconhece a alteração do nome e do sexo, mas que determina que esta concessão se torne pública, e outras que alteram o nome, mas negam a alteração do sexo. “Deve haver uma coerência na concessão dos direitos”, contestou a Promotora de Justiça.

Deborah Kelly apresentou uma rica diversidade de decisões internacionais sobre os direitos dos transexuais e informou que, no dia 26 de outubro, foi levada à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos uma reclamação contra o Brasil pelo alto índice de assassinatos contra homossexuais no Brasil – o número de mortes cresceu 62% nos últimos três anos, sendo os transexuais as vítimas mais vulneráveis. “Normalmente, eles não tem coragem de ir às delegacias por serem os mais discriminados”, afirmou Deborah. Segundo a promotora, as cortes internacionais são acionadas quando se esgotam as tentativas nas instâncias nacionais.

A principal polêmica entre os palestrantes foi a categorização da transexualidade como uma doença – o transexualismo é identificado pelo CID 10 – F 64.0. Alexandre Saadeh sustentou que, de fato, trata-se de um transtorno de identidade de gênero e citou os aspectos psiquiátricos forenses. No entanto, o médico acredita que a inclusão no CID não é o aspecto mais importante a ser discutido. “O que precisamos garantir é o atendimento integral aos transexuais”. O Promotor de Justiça Reynaldo Mapelli Júnior discordou. “Faz toda a diferença para um indivíduo ser visto como um doente”.

Em relação à cobertura do Sistema Único de Saúde das cirurgias de mudança de sexo – que correria o risco de não ser concedida caso o transexualismo seja retirado do CID – Mapelli sustentou que o conceito de saúde não se restringe à ausência de enfermidades. “Saúde é bem estar físico, psicológico e social”. Na visão do promotor, portanto, o SUS deve continuar oferecendo o serviço para garantir o bem estar psíquico do cidadão, independente da exclusão da transexualidade do CID. Saadeh ressaltou que, para os médicos, será muito difícil justificar uma intervenção cirúrgica sem um fundamento científico. “O que se busca hoje é uma causa biológica para o transexualismo”, afirmou o psiquiatra, ao citar a grande influência de andrógenos circulantes durante a gestação do transexual. “O desenvolvimento do cérebro deles é diferente do resto do corpo”.

Saadeh ressaltou que nem todos que desejam a cirurgia estão enquadrados no perfil para mudar de sexo devido à grande incidência de pessoas que passam por uma fase de instabilidade sexual e que não são, necessariamente, transexuais. “É fundamental a vivência do indivíduo no papel do gênero”, disse. “Por isso, é impossível determinar se uma criança é um transexual”.

Clara Cavalcante questionou a percepção social de que os transexuais são todos iguais. “Não podemos padronizar os transexuais em um CID”, disse. “Temos trajetórias diferentes porque andamos com pés diferentes”. A psicóloga também alertou para a confusão que a sociedade faz entre os termos ‘transexualidade’ e ‘homossexualidade’. “Se a lei de criminalização da homofobia não for bem elaborada, podemos ser excluídos dela por não sermos homossexuais”, ponderou. A falta de entendimento das terminologias também foi ressaltada pelo médico Alexandre Saadeh. “É possível ter uma identidade de gênero com o sexo oposto e uma orientação sexual pelo mesmo sexo”, esclareceu o médico, diferenciando a transexualidade da homossexualidade. “Um homem pode desejar ter o corpo de uma mulher para se relacionar com outras mulheres ou com homens”.

Os direitos dos transexuais e homossexuais é um tema novo no universo jurídico. A Promotoria de Justiça Direitos Humanos foi criada há pouco mais de um ano e, apenas em 2008, foi realizada a 1ª Conferência Nacional LGBT no País. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos aprovou um 2009 o ‘Plano Nacional da Cidadania e Direitos Humanos LGBT’ - o primeiro marco normativo dos direitos desta população no Brasil. O projeto de criminalização da homofobia anda a passos lentos e ainda encontra barreiras jurídicas e religiosas. “Este é um dos grandes eventos alinhados com uma das propostas da Escola Superior do Ministério Público: a discussão sobre os temas mais atuais ligados aos Direitos Humanos”, afirmou a Procuradora de Justiça Eloisa de Sousa Arruda, diretora do Centro de Estudos do Ministério Público.

“A maioria dos transexuais não sabem que o Ministério Público pode nos ajudar. Por isto, é tão importante a realização de eventos desta natureza”, parabenizou Carla Machado.

Fonte: Carina Rabelo - Jornalista da Escola Superior do Ministério Público

Fonte: http://www.esmp.sp.gov.br/2010/esmp_plural_em_busca_do_anonimato.html

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Palestra: Transexualidade e Direitos Humanos - ESMP / SP - 27/10/2010


Repassando:

"Data: 27 de outubro de 2010 (quarta-feira)
das 9h às 12h
Local: Escola Superior do Ministério Público
Rua Treze de Maio, 1.259, térreo - Bela Vista - São Paulo/SP

9h/ 9h15 - Abertura:

Dra. Eloisa de Sousa Arruda
Procuradora de Justiça Diretora do CEAF-ESMP

Dr. Dimitri Salles

Coordenador para Política de Diversidade Sexual da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo

9h15/10h15 – Expositor:

Dr. Alexandre Saadeh
Médico do Instituto de Pesquisa do Hospital das Clínicas
Professor da Faculdade de Psicologia da PUC/SP
Mestre e Doutor pela USP

10h15/10h30: Intervalo

10h30/11h10: Expositores:

Dr. Reynaldo Mapelli Junior
Promotor de Justiça Coordenador do CAO Cível – área Saúde Pública

Dra. Deborah Kelly Affonso
Promotora de Justiça
Assessora Jurídica da Procuradoria-Geral de Justiça

11h10/11h40: Expositor:

Sra. Clara Cavalcante
Coordenadora do programa Municipal de DST/AIDS de Jandira e Psicóloga do Ambulatório de HIV/AIDS do Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS da Secretaria do Estado da Saúde

Sra. Carla Machado
Representante do Fórum Paulista de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - FPLGBT

11h40/12h: Palavra aberta ao público

Vagas limitadas.

Será conferido certificado aos que comparecerem ao evento.

Coordenação Geral

Eloisa de Sousa Arruda
Diretora do CEAF/ESMP
"

OBS: As inscrições deverão ser feitas pelo site http://www.esmp.sp.gov.br/2010/evento_transexualidade.html

Fonte: Por email, por colaborador.

domingo, 24 de outubro de 2010

Grupo terapêutico em SP para familiares e companheiras (os) de transexuais.


Conforme postado neste blog anteriormente a psicoterapeuta Liliana Lopes está organizando atendimento grupal para familiares e companheiras (os) de transexuais.

À seu pedido repasso a mensagem abaixo:

"Estou agendando entrevistas com as mães e companheiras que desejarem participar do grupo terapêutico.

As entrevistas são iniciais para avaliarmos as possibilidades de formação dos grupos.

Os horários para as entrevistas serão agendados via e-mail: liaunifacs@yahoo.com.br ou pelo número 011 xxxx 5773. *

Não será cobrado nenhum valor para a realização da entrevista.

->Os valores posteriores para manutenção do grupo serão acordados com o próprio grupo na época dos trabalhos e a partir da formação do mesmo.

->As mães ou companheiras que desejarem atendimento terapêutico individual podem fazer contato pelos mesmos meios."

* Por questões de segurança, para entrar em contato com a terapeuta por telefone, favor buscar maiores informações pelo email deste blog.

Fonte: Por email.

MA: Travestis e trans poderão usar nome social em salas de aula


22/10/2010 - 13h03

Por : Neto Lucon

Conselho Estadual determina que nome social de travestis e transexuais do Maranhão seja respeitado Uma conquista promete animar e incentivar as travestis e transexuais do Maranhão ao estudo. Instituições de ensino público e privado, integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão, terão que incluir o nome social das transgêneros nos registros internos. A medida é amparada pela Resolução 242/2010, do Conselho Estadual de Educação (CEE).

A determinação descreve que os gestores das instituições devem conceder às travestis e transexuais, maiores de 18 anos, o direito de manifestarem por escrito, no ato da matrícula ou ao longo do ano letivo, o interesse de usar o nome social. No caso de crianças e adolescentes, deve-se incluir um requerimento assinado pelos pais ou responsável legal.

“Essa medida permite o retorno das travestis e transexuais a sala de aula, aumenta a autoestima e admite ter essa identificação com o nome que elas adotaram durante a construção da identidade sexual”, explica Airton Ferreira, supervisor de Proteção dos Direitos Humanos da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Cidadania (Sedihc), integrante do Grupo Gayvota.

Ele disse que agora é essencial que haja uma política de divulgação dessa medida. "Travestis e Transexuais precisam se beneficiar dessa resolução, indo atrás dos seus direitos e se matriculando nas instituições de ensino", completou.

Fonte: http://mixbrasil.uol.com.br/noticias/ma-travestis-e-trans-poderao-usar-nome-social-em-salas-de-aula.html

sábado, 16 de outubro de 2010

Projeto que possibilita a mudança de nome de transexuais pode ser votado na quarta-feira na CDH


NOTÍCIAS
COMISSÕES - Direitos Humanos
15/10/2010 - 19h40

Em reunião na próxima quarta-feira (20), às 10h, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) deverá votar o projeto de lei que permite a mudança do nome de transexuais na certidão de nascimento (PLC 72/07).

De autoria do ex-deputado Luciano Zica, o projeto de lei tem como relatora a senadora Fátima Cleide (PT-RO), que apresentou voto pela aprovação da proposta. A matéria ainda será examinada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e, posteriormente, pelo Plenário.

O projeto altera o artigo 58 da Lei 6.015/73, que dispõe sobre os registros públicos, como forma de possibilitar a substituição do prenome - nome que antecede o da família - de pessoas transexuais. O nome poderá ser mudado e averbado no livro de nascimento quando o interessado for reconhecido como transexual, ainda que não tenha se submetido à cirurgia para a mudança dos órgãos sexuais.

Pela Lei 6.015/73, já atualizada pela Lei 9.708/98, o prenome ou nome é definitivo, admitindo-se, no entanto, sua substituição por apelidos notórios, caso do presidente Luiz Inácio 'Lula' da Silva. É autorizada também a troca por outro nome quando o cidadão sofre coação ou ameaça decorrente de colaboração com apuração de crime, desde que a mudança seja determinada em sentença judicial ouvido o Ministério Público.

Violência contra idosos

Outro projeto que deverá ser examinado pela CDH, em decisão terminativa, é o que obriga o estabelecimento de saúde a fazer a notificação compulsória em casos de violência contra idosos (PLC 298/09). De autoria do deputado Sebastião Rocha (PDT-AP), a proposta tem como relator o senador Cícero Lucena (PSDB-PB), que defende a aprovação da matéria com emenda já aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

Ainda em caráter terminativo, a comissão também deverá examinar o projeto de lei que inclui os jovens de 15 a 17 anos, em situação de morador de rua, entre os beneficiários do Projovem Adolescente - Serviço Socioeducativo (PLS 241/08). De autoria do ex-senador Expedito Júnior, o projeto tem como relator o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que defende a aprovação da proposta com duas emendas.

Na mesma reunião, deverá ainda ser examinado, em caráter terminativo, o projeto que altera os artigos 54 e 208 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para dispor sobre a educação infantil até os cinco anos de idade (PLS 412/08). O projeto determina que a idade para atendimento em creches e pré-escolas passe a ser de zero a cinco anos de idade, e não de zero a seis, como previsto atualmente, para que a lei se ajuste à alteração efetivada pela Emenda Constitucional 53/06.

De autoria do senador Flávio Arns (PSDB-PR), o projeto tem como relatora a senadora Marina Silva (PV-AC), que apresentou voto favorável à aprovação da matéria.

Paulo Sérgio Vasco / Agência Senado

Fonte: http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=104767&codAplicativo=2

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Entrevista de João W. Nery para Revista do Globo.


Repassando:

"Galera,

João W. Nery, autor de Erro de Pessoa (1985) e que agora lançará o Acerto de Pessoa, dará uma entrevista à Revista do Globo, na coluna do Mauro Ventura, neste domingo, dia 17 de outubro. A matéria é sobre o transexualismo, como ele se tornou pai depois de viver 27 anos com um corpo de mulher numa alma masculina. Não percam!!!!
Cartas são bem-vindas para o email do Mauro no pé da página e serão publicadas."

Fonte: Por colaborador, por email.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Novos diretos e visibilidades para os Homens Trans no Brasil


Márcia Arán
Professora Adjunta do Instituto de Medicina Social da UERJ

No dia 3 de setembro do presente ano, o Conselho Federal de Medicina publicou no Diário Oficial da União uma nova resolução sobre a assistência a transexuais no Brasil (Resolução n° 1.955/2010). A partir desta data, o CFM passou a considerar que os procedimentos de retiradas de mamas, ovários e útero no caso de Homens transexuais deixam de ser experimentais e podem ser feitas em qualquer hospital público e/ou privado que sigam as recomendações do Conselho. O tratamento de neofaloplastia (construção do pênis) ainda não foi liberado e permanece em caráter experimental.

Esta Resolução foi baseada num Parecer (Processo-Consulta CFM n° 8.883/09 – Parecer CFM n20/10) realizado a partir de uma solicitação encaminhada pelo Promotor de Justiça Dr. Diaulas Costa Ribeiro do MPDFT/ Pró Vida, assinada por Alexandre Santos (Ativista. Presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e membro da Red Latinoamericana y del Caribe de personas trans – RED LACTRANS) e mais 16 representantes que incluem profissionais de saúde, integrantes de Centros de Referência, profissionais de Ambulatórios especializadas, pesquisadores acadêmicos, representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Direitos Humanos, advogados, representantes do movimento social, entre outros (1).

O Parecer do Conselho se refere a esta reivindicação afirmando que “os autores do texto abordam particularmente a situação de homens transexuais (FtM), ou seja indivíduos de sexo genético feminino que desejam viver socialmente como homens. Neste contexto, há o reconhecimento de que a construção genital do fenótipo feminino para masculino, a neofalosplastia, seja mantida como experimental, tendo em vista as limitações funcionais do órgão construído cirurgicamente. Esse ditame é considerado consensual até o momento. Entretanto o documento questiona o motivo de ainda serem considerados como de caráter experimental procedimentos cirúrgicos reconhecidos, a exemplo da adenomastectomia (substituição das mamas por uma prótese de silicone), histerectomia (remoção do útero) ou mesmo a ooforectomia (retirada de um ou ambos os ovários)....Os subscritores entendem que a proibição de tais procedimentos condena os transexuais a se verem impedidos de manifestar livremente a expressão de sua personalidade e solicitam que o CFM retire do caráter experimental as intervenções cirúrgicas sobre gônodas e caracteres sexuais secundários em casos de FtM).

De fato, este documento, fundamentado em argumentos elencados por Flávia Teixeira (2), considera que apesar dos avanços obtidos com a publicação das Portarias do Ministério da Saúde que instituem o Processo Transexualizador no SUS (3) permanecia particularmente preocupante a situação dos homens transexuais (FtM). Já que embora o caráter experimental das cirurgias de transgenitalização FtM se justifique, o mesmo não se sustenta para a mastectomia (retirada das mamas) e a histerectomia. Fazendo com que homens transexuais (FtM) fossem excluídos da assistência frente aos argumentos da limitação técnica da cirurgia de neofaloplastia, embora pudessem se beneficiar diretamente da normatização do Processo Transexualizador.

Considerando que um dos argumentos referidos nas Portarias do Ministério da Saúde é de que a cirurgia de transgenitalização não deve se constituir como única meta a ser atendida pelo Processo Transexualizador; somado ao fato de que as demais cirurgias transexualizadoras para homens transexuais (histerectomia e mastectomia) não encontram, na prática médica, essa conotação de experimental e ainda, que pesquisas demonstram que as demandas dos homens transexuais por acompanhamento endocrinológico e realização das cirurgias de mastectomia, histerectomia, no momento, são mais relevantes do que a busca pela neofaloplastia e metoidioplastia (construção de um pênis a partir do clitóris) (4), os propositores solicitaram ao CFM que fossem retiradas do caráter experimental os procedimentos sobre gônadas e caracteres sexuais secundários em casos de transexuais FtM. Com vistas a futuras mudanças na própria Portaria do SUS.

Atendendo a esta reivindicação que encontra ressonância na demanda prática dos Centros de Referência, o CFM contribui enormemente com a inclusão dos homens trans nos dispositivos assistenciais e com a promoção dos direitos humanos. Embora saibamos que o debate ainda permaneça em relação à exigência do prazo de dois anos de atendimento (já que muitos homens e mulheres trans que procuram os serviços já vivem e são reconhecidos(as) como tais há um tempo significativo para a solicitação da transexualização) e em relação à necessidade do diagnóstico de transtorno de identidade de gênero (já que é mais uma medida de regulamentação do acesso do que propriamente a constatação de uma psicopatologia psiquiatra). O que exige uma reflexão mais aprofundada sobre uma concepção positiva de saúde que permita o acolhimento do sofrimento psíquico e corporal independentemente do diagnóstico de doença (5). Também é importante nos referirmos à necessidade de um investimento na formação de profissionais qualificados e na construção de uma rede básica de saúde. Mesmo considerando todas estas dificuldades, sabemos que medidas como esta do CFM demonstram a possibilidade de realizarmos pactuações mais amplas com todos aqueles comprometidos com uma ética pública e a melhoria da assistência. E mais do que isto, medidas como está muda a vida das pessoas.

Chama a atenção o efeito imediato da divulgação desta resolução. O primeiro deles são as inúmeras reportagens que, embora de forma equivocada continuem se referindo a estes casos como sendo de “mulheres transexuais” (tendo como referência o corpo biológico) começam a dar visibilidade às narrativas dos homens trans no Brasil. O que é fundamental para que possamos conhecer as suas histórias e as suas trajetórias de vida que podem incluir experiências de pertencimento ao gênero masculino desde à infância e/ou vivências como mulheres masculinizadas e/ou transgêneros. O segundo efeito é a reflexão sobre o significado de se possibilitar a transformação corporal de caracteres sexuais secundários sem que seja necessário a realização da transgenitalização. O que nos faz pensar na diversidade das experiências da transexualidade e na importância da individualização do cuidado como parte essencial da noção de integralidade em saúde.

1 - Assinam o documento:
Alexandre Santos; Flavia Teixeira; Tatiana Lionço; Márcia Arán; Daniela Murta; Berenice Bento; Mariluza Terra Silveira; Eloísio Alexandro da Silva; Miriam Ventura; Sérgio Zaidhaft; José Luiz Telles; Lena Peres; Lidiane Ferreira Gonçalves; Ben-Hur Braga Taliberti; Maria Clara Gianna; Emerson Rasera..

2 - TEIXEIRA, Flavia. Vidas que desafiam corpos e sonhos: uma etnografia do construir-se outro no gênero e sexualidade. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, Programa de Doutorado em Ciências Sociais, 2009. (Tese de Doutorado).

3 - Portaria nº. 1.707/GM publicada no DOU nº. 159, terça-feira, 19 de agosto de 2008. Seção1, p.43.

4 - ARAN; M.; MURTA; D. Relatório final da pesquisa Transexualidade e saúde: Condições de acesso e cuidado integral (IMSUERJ/MCT/CNPq/MS/SCTIE/DECIT); BENTO, B. A reinvenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.

5 - ARAN; M.; MURTA; D. Do diagnóstico de transtorno de identidade de gênero às redescrições da experiência da transexualidade: uma reflexão sobre gênero, tecnologia e saúde. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.19, n.1, p.15-41. 2009; LIONÇO, Tatiana. Bioética e sexualidade: o desafio para a superação de práticas correcionais na atenção à saúde de travestis e transexuais. Série Anis (Brasília), v. 54, p. 01-07, 2008

Fonte: http://www.clam.org.br/publique/media/Aran.pdf , por email, por colaboradora.

sábado, 2 de outubro de 2010

Contra preconceito, famílias afegãs criam meninas como meninos


02/10/2010 12h00 - Atualizado em 02/10/2010 12h00

Crianças são chamadas de “bacha posh”: ‘vestida como um menino’. Prática permaneceu basicamente oculta a forasteiros.

Do New York Times

Aos seis anos, Mehran Rafaat é como muitas meninas de sua idade. Ela gosta de ser o centro das atenções. Assim como suas três irmãs mais velhas, ela está ávida por conhecer o mundo fora do apartamento de sua família, em seu bairro de classe-média em Cabul. Mas quando sua mãe, Azita Rafaat, membro do parlamento, veste as crianças para a escola pela manhã, há uma importante diferença. As irmãs de Mehran colocam vestidos pretos e véus na cabeça, amarrados firmemente sobre seus rabos-de-cavalo. Para Mehran, são calças verdes, uma camisa branca e uma gravata, seguidos de uma ajeitada de sua mãe em seus curtos cabelos negros. Depois disso, sua filha sai de casa – como um garoto afegão.

Não existem estatísticas sobre quantas meninas afegãs se disfarçam de meninos. Mas quando questionados, afegãos de diversas gerações sempre têm uma história sobre uma amiga, parente, vizinha ou colega de trabalho que cresceu vestida como menino. Para os que sabem, essas crianças não são chamadas nem de “filha” e nem de “filho”, mas de “bacha posh”, que significa literalmente “vestida como um menino” na língua dari.

Com dúzias de entrevistas conduzidas ao longo de diversos meses, onde muitas pessoas preferiram permanecer anônimas ou usar somente seus primeiros nomes – por medo de expor suas famílias –, foi possível investigar uma prática que permaneceu basicamente oculta a forasteiros. Ainda assim, ela atravessa classe social, nível de educação, etnia e geografia, e perdurou até mesmo durante as muitas guerras e governos do Afeganistão.

Razões econômicas

As famílias afegãs possuem muitas razões para disfarçar suas filhas de meninos, incluindo necessidade econômica, pressão social para ter filhos e, em alguns casos, uma superstição de que fazer isso poderia levar ao nascimento de um menino real. Sem um filho homem, os pais decidem criar um, geralmente cortando os cabelos de uma filha e vestindo-a em roupas afegãs tipicamente masculinas. Não existe uma proibição legal ou religiosa específica contra a prática. Na maioria dos casos, o retorno à feminilidade ocorre quando a criança entra na puberdade. Quase sempre são os pais que tomam essa decisão.

Numa terra onde os filhos são mais valorizados, já que na cultura tribal apenas eles podem herdar a riqueza do pai e dar continuidade ao nome, famílias sem garotos são objeto de pena e desdém. Mesmo um filho inventado eleva a posição da família, ao menos por alguns anos. Uma bacha posh também pode mais facilmente obter educação, trabalhar fora de casa e até mesmo acompanhar suas irmãs em público, permitindo liberdades inexistentes para meninas numa sociedade que segrega rigidamente homens e mulheres.

Mas para algumas delas, a mudança pode ser tão desnorteante quanto libertadora, lançando a mulher num limbo entre os sexos.

“Sei que é muito difícil para você acreditar que uma mãe faça isso à sua filha mais nova”, disse Rafaat num inglês por vezes imperfeito, durante uma das muitas entrevistas ao longo de várias semanas. “Mas quero lhe dizer, algumas coisas que acontecem no Afeganistão são realmente inimagináveis para vocês do ocidente”.

Frustração e decepção

A partir daquele fatídico dia em que ela se tornou mãe pela primeira vez – 7 de fevereiro de 1999 –, Rafaat sabia que havia fracassado, segundo ela, mas estava exausta demais para falar, tremendo sobre o chão frio da pequena casa de sua família, na província de Badghis.

Ela havia acabado de parir – ao mesmo tempo – as irmãs mais velhas de Mehran, Benafsha e Beheshta. A primeira gêmea nasceu após quase 72 horas de trabalho de parto, prematura em um mês. A menina pesava apenas 1,2 quilos e inicialmente não respirava. Sua irmã veio 10 minutos depois. Ela também estaca inconsciente.

Quando sua sogra começou a chorar, Rafaat sabia que não era por medo de que suas netas não sobrevivessem. A velha mulher estava decepcionada.

“Por que”, chorava ela, segundo Rafaat, “estamos recebendo mais mulheres na família?”

Submissão

Rafaat havia crescido em Cabul, onde era uma brilhante aluna, falando seis idiomas e nutrindo altos sonhos de se tornar uma médica. Porém, quando seu pai a obrigou a ser a segunda esposa de seu primo em primeiro grau, ela teve de se contentar em ser a esposa de um agricultor analfabeto, numa casa rural sem água corrente ou eletricidade, onde quem mandava era a sogra enviuvada – e onde ela deveria ajudar a cuidar de vacas, ovelhas e galinhas. Ela não se saiu muito bem.

Os conflitos com sua sogra se iniciaram imediatamente, à medida que a jovem Rafaat insistia numa higiene melhor e em ter mais contato com os homens da casa. Ela também pediu que sua sogra parasse de bater na primeira esposa de seu marido com a bengala. Quando Rafaat finalmente quebrou a bengala em protesto, a mulher mais velha exigiu que seu filho, Ezatullah, controlasse sua nova esposa.

E ele começou a fazer isso, com uma vara de madeira ou um fio de metal.

“No corpo, no rosto”, lembrou. “Eu tentei fazer com ele parasse. Eu pedia que ele parasse. Algumas vezes não conseguia pedir”.

Família

Logo, ela ficou grávida. A família a tratou um pouco melhor conforme ela crescia.
“Desta vez eles estavam esperando por um filho homem”, explicou ela.

A primeira esposa de Ezatullah Rafaat havia tido duas filhas, uma das quais morrera ainda bebê, e não podia mais engravidar. Azita Rafaat pariu duas meninas, uma decepção em dobro.
Ela enfrentou constantes pressões para tentar novamente, e assim o fez, com mais duas gravidezes, e quando teve mais duas meninas – Mehrangis, hoje com 9 anos, e finalmente Mehran, a menina de seis anos.

Questionada se ela alguma vez havia pensado em deixar seu marido, ela reagiu com completa surpresa.

“Eu pensava em morrer”, disse ela. “Mas nunca pensei no divórcio. Se eu tivesse me separado, teria perdido minhas filhas, e elas não teriam nenhum direito. Eu não sou das que desistem”.

Direitos das mulheres

Hoje, ela está num cargo de poder, pelo menos no papel. Ela é uma das 68 mulheres no parlamento de 249 membros do Afeganistão, representando a província de Badghis. Seu marido está desempregado e passa a maior parte de seu tempo em casa.

Persuadindo-o a se afastar de sua sogra e se oferecendo para contribuir nos rendimentos da família, ela estabeleceu a base para sua vida política. Três anos depois de casada, depois da queda do regime talibã em 2002, ela começou a trabalhar como voluntária de saúde para diversas organizações não-governamentais. Hoje ela ganha US$2 mil por mês como membro do parlamento.

Como política, ela trabalha para aprimorar os direitos das mulheres e o estado de direito. Ela concorreu recentemente à reeleição. Mas ela só podia concorrer com a permissão explícita de seu marido, e pela segunda vez consecutiva, ele não foi persuadido facilmente.

Ele queria tentar novamente ter um filho homem. Seria difícil conciliar a gravidez e um novo bebê com seu trabalho, disse ela – e ela sabia que poderia simplesmente ter outra filha.

Mas a pressão para ter um menino se estendeu além de seu marido. Esse era o único assunto que seus eleitores conseguiam abordar quando vinham a sua casa, disse ela.

“Quando você não tem um filho homem no Afeganistão”, explicou ela, “é como algo faltando em sua vida. Como se você perdesse o motivo mais importante de sua vida. Todos se sentem tristes por você”.

Disfarce

Numa tentativa de preservar seu emprego e acalmar seu marido, além de evitar a ameaça de ele conseguir uma terceira esposa, ela propôs a ele que eles fizessem sua filha mais nova se parecer com um menino.

Eles conversaram com a filha juntos, disse ela, e lhe fizeram uma atraente proposta: “Você quer se parecer com um menino e se vestir como menino, e fazer as coisas mais divertidas como os meninos fazem, como andar de bicicleta, jogar futebol e críquete? E você gostaria de ser como seu pai?”

Mehran não hesitou em responder que sim.

Naquela tarde, seu pai a levou ao barbeiro, onde seu cabelo foi aparado bem curto. Eles seguiram até o mercado, onde ela ganhou roupas novas. Sua primeira vestimenta era “algo como uma roupa de caubói”, disse Rafaat, querendo dizer um par de calças jeans e uma camisa vermelha de algodão com uma estampa nas costas dizendo “superstar”.

Ela ganhou até mesmo um novo nome – originalmente chamada Manoush, seu nome foi ajustado para um que soasse mais masculino: Mehran.

A volta às aulas de Mehran – usando calças e sem o rabo-de-cavalo – transcorreu sem grandes reações de seus colegas de escola. Ela ainda cochila durante as tardes com as meninas, e troca de roupa numa sala diferente da dos meninos. Alguns de seus colegas de sala a chamam de Manoush, enquanto outros usam Mehran. Mas ela sempre se apresenta aos recém-chegados como menino.

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/10/contra-preconceito-familias-afegas-criam-meninas-como-meninos.html

Transexuais já podem usar o nome social em todas as escolas do RS


1 de outubro de 2010.



O Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul publicou o Parecer nº 739/2009 que aconselha as escolas do sistema estadual de ensino a adotarem o nome social de alunos e alunas Transexuais e Travestis em seus documentos escolares como boletins e lista de chamada.

Na decisão, o Conselho argumenta que o “nome social de Travestis e Transexuais nos registros contribuirá para a inclusão dos mesmos no processo educativo”. Menores de 18 anos precisam da autorização de um responsável para pedir a troca do nome.

Com o parecer, o Rio Grande do Sul se torna o 12º Estado brasileiro a aceitar o nome social da população Trans nas escolas. Já aceitam: Tocantins, Goiás, Santa Catarina, Paraná, Piauí, Paraíba, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Alagoas.

Fonte: http://centraldenoticiasgays.blogspot.com/2010/10/transexuais-ja-podem-usar-o-nome-social.html

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

“Vou me realizar por completo”


29 de setembro de 2010 N° 8944

Ricardo Souza* é de Florianópolis e se considera um Transexual do Feminino para o Masculino (FTM). Ele conta quando descobriu que era transexual e a evolução da decisão de realizar a cirurgia.

Diário Catarinense – Quando percebeu a insatisfação com seu corpo?

Ricardo Souza – Aos 14 anos, quando ainda tinha cabelo comprido, comecei aos poucos a cortá-lo, até que cortei tudo. Foi aí que percebi minha insatisfação.

DC – Qual o seu primeiro passo depois que percebeu a sua preferência de sexo?

Ricardo – Comecei a pesquisar sobre o assunto em comunidades na internet, pois eu não sabia o que eu era. Foi quando conheci um autor de um blog que trata o assunto. Ele me ajudou bastante. Na verdade, me ajuda até hoje.

DC – O que foi mais difícil

Ricardo – Foi a família entender, pois não sabiam por onde começar. Na escola, não me sentia bem, até que, um dia, o diretor contou para todos que eu era o Ricardo. Eles mudaram e passaram a me tratar bem. Foi muito legal!

DC – O que é mais importante para você hoje?

Ricardo – Quero começar logo o tratamento de hormônios e depois fazer a mastectomia (remoção completa dos seios). Para mim, é a prioridade. A retirada do útero e ovários pode ser depois.

DC – E o pênis?

Ricardo – Não penso ainda sobre o pênis. Sei que a construção ainda é experimental.

DC – Você já pensou em fazer algo sem orientação profissional?

Ricardo – Tenho vontade de tomar hormônio masculino. Tenho que me segurar para não fazer. Mas o meu colega do blog me disse para não tomar de jeito nenhum. Ele me convenceu.

DC – E o nome? Vai trocar?

Ricardo – Para trocar, não posso ter nenhum órgão feminino. É outra etapa

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3056534.xml&template=3898.dwt&edition=15597&section=213

Curiosidade - Genes que determinam o sexo masculino estão em extinção


A pesquisadora de cromossomos sexuais Jennifer Graves, da Universidade Nacional da Austrália, disse que o cromossomo Y - responsável pela determinação do sexo no homem - está morrendo e deve desaparecer nos próximos cinco milhões de anos.

Ela explicou que os homens poderão seguir o mesmo caminho de um tipo de roedor que ainda consegue se reproduzir apesar de não ter os genes vitais que fazem parte do cromossomo Y, revelou o jornal inglês Telegraph.

Em uma palestra para estudantes de medicina na Escola Real de Cirurgiões da Irlanda, a pesquisadora contou que uma segunda espécie de seres humanos poderia surgir no futuro.

- Há três milhões de anos, o cromossomo Y tinha cerca de 1.400 genes, mas hoje só restaram 45 deles. A essa velocidade, ficaremos sem genes nesse cromossomo daqui a cinco milhões de anos. Segundo ela, o cromossomo Y “está morrendo e a grande questão é o que acontecerá depois".

O cromossomo Y do homem tem um gene (SRY) que aciona o desenvolvimento dos testículos e bombeia os hormônios que determinam a masculinidade.
26 de setembro de 2010

Em sua palestra, chamada O Declínio e a Queda do Cromossomo Y e o Futuro do Homem, Jennifer discutiu o desaparecimento do cromossomo e as implicações para o ser humano. Ela disse que ainda não se sabe o que vai acontecer quando o cromossomo Y sumir totalmente.

- Os seres humanos não podem se reproduzir de forma assexuada, como os lagartos, porque vários genes vitais vêm do gênero masculino.

A cientista disse que a boa notícia é que algumas espécies de roedores – como algumas ratazanas da Europa do leste e ratos do Japão – não possuem nem cromossomo Y nem o gene SRY.

Como existem muitos machos desses dois tipos de roedores por aí, os pesquisadores dizem que algum outro gene deve estar fazendo o trabalho, e eles querem saber que gene é esse.