quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Vídeo da primeira Metoidioplastia realizada no Brasil


Segue abaixo o vídeo da primeira metoidioplastia realizada no Brasil, em março de 2006, no Hospital de Base de São José do Rio Preto.

Este vídeo se encontra na biblioteca de vídeos da Sociedade Brasileira de Urologia.

Recomenda-se cuidado ao ver o vídeo por ser extremamente gráfico e de conteúdo não adequados à todos.


Fonte: Grupo FTM Brasil

Homem Transexual recebe permissão para jogar futebol australiano



FONTE: BBC BRASIL

POR : Giovana Vitola

Um transexual recebeu permissão para jogar em um dos clubes da liga profissional de futebol australiano - a Liga Australiana de Futebol.

Segundo as leis australianas, se oficialmente alguém que nasceu mulher tiver o sexo mudado para masculino, não há regras que impeçam essa pessoa de jogar futebol profissional em times só de homens.

William G., de 25 anos, que preferiu não ter seu sobrenome divulgado, será o primeiro australiano transexual a jogar em um time profissional masculino de futebol australiano. O esporte escolhido por William foi criado no século 19 e tem mais semelhanças com o rúgbi do que com o futebol praticado no Brasil, por exemplo.

Estimulado pelas novas leis anti-discriminação adotadas recentemente pela Liga Australiana de Futebol (AFL, na sigla em inglês), William se reuniu com autoridades da Liga no Estado de Victoria, onde mora, para perguntar se realmente poderia entrar para um dos clubes e ter certeza de que não sofreria preconceito no campo.

"Tenho algumas preocupações quanto à reação dos outros jogadores, pois talvez apareçam alguns ressentimentos, ainda mais se eu jogar melhor que eles", admitiu.

O presidente da Liga, Glenn Scott, disse a William que ele será bem-vindo e que educará os jogadores sobre transgêneros para evitar preconceitos. Mas Scott acrescentou que, por razões legais, William antes terá que mudar o sexo na certidão de nascimento para masculino.

Para isso, William terá que ter os órgãos reprodutivos removidos, além de um documento que já possui - um certificado médico confirmando a sua masculinidade. William já fez a remoção dos seios e planeja a remoção do útero.

Diferença

Nas regras da Liga, mulheres não podem jogar com homens após os 14 anos. Mas, no caso de William, quando a mudança de sexo estiver legalmente certificada, não haverá maiores problemas, segundo a AFL. "Estamos muito impressionados com ele", disse Scott.

William, que deve começar a jogar pelo Clube de Futebol Bendigo no ano que vem, deixou claro que não quer receber tratamento especial quando estiver no campo.

"Sou apenas um cara comum querendo jogar futebol", afirmou. "Há apenas uma pequena diferença em como me tornei um cara."

William passou a viver uma vida masculina há mais de dois anos, quando começou a usar hormônios após uma série de exames médicos e conversas com especialistas que confirmaram a sua masculinidade.

Assim que seus órgãos reprodutivos forem removidos, de acordo com a lei do país, William poderá mudar oficialmente de sexo, sem precisar passar por cirurgia genital se não quiser.

Wiliam, que trabalha como designer gráfico e tem o apoio da família e da namorada, sonha em ser jogador profissional de futebol australiano desde pequeno.

"Cresci jogando futebol (australiano) em times de meninos, portanto, estou acostumado a interagir com eles", disse à BBC Brasil. "Sempre tive mais amigos do que amigas. Nasci mulher, mas jogo tão bem quanto qualquer jogador que nasceu biologicamente homem."

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Programa Nacional de Direitos Humanos defende união gay e outras medidas pró-LGBT


21/12/2009 - 04h51


Por : Irving Alves



O Governo Federal, por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos, divulgou nesta segunda, 21, o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos. O objetivo do documento, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é estabelecer o caminho que deve ser seguido pelo poder público na promoção dos direitos fundamentais da população.

Pela primeira vez apontando responsáveis por executar cada ação programática, o Plano traz algumas boas notícias para a comunidade LGBT. União gay, adoção de crianças por casais homoafetivos e aceitação do nome social de travesti e transexuais são alguns dos assuntos defendidos na proposta.

O Plano recomenda ao Poder Legislativo que aprove o projeto que reconhece a união civil entre pessoas do mesmo sexo e que elabore uma legislação garantindo o direito de adoção por casais homossexuais. Enquanto isso, o Judiciário foi estimulado a promover campanhas para sensibilizar juízes a evitarem o preconceito em processos de adoção por casais homoafetivos. Já o Ministério do Planejamento ficou responsável por reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares formadas por LGBT.

Os Estados e municípios deverão ser orientados pela própria Secretaria Especial dos Direitos Humanos a promover ações que garantam o uso do nome social de travestis e transexuais em casos de necessidade de decisão judicial.

O Plano recomenda ainda a implantação de uma cultura de respeito à livre expressão sexual e o fomento à criação de redes de proteção dos direitos humanos LGBT.

De maneira geral, o pacote é mais que friendly. A gente torce para que saia do papel. Para ler o texto na íntegra, clique AQUI.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Feliz Natal e um ótimo Ano Novo.

Aos leitores eventuais, e cativos, aos curiosos e interessados, aos crentes e descrentes, enfim a todos que por aqui passaram, desejo um Natal cheio de paz, luz e esperança, além de um Ano Novo em que todos os desejos, dos mais secretos aos conhecidos, tornem-se existência, cheia de harmonia, plenitude e amor.



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O papel social do transexual

Proponho um exercício. Vamos além do papel de gênero, do identificar-se mais com o ser masculino ou feminino.

“Não existe nada além disso.”

Sim, existe o papel social do transformador. O transexual é agente de questionamento, de transgressão, de transmutação, alguém que concretamente transforma idéias fixas e pré-determinadas em fluidez e possibilidades.

Por que disso?

Para, mais uma vez, tentar apresentar uma visão mais otimista da transexualidade do que a dita patológica, para além da angústia e do sofrimento. Muitas vezes uma visão alternativa promove uma mudança de atitude e comportamento, que irá se refletir de forma palpável na rotina de cada um.

Isso não é uma ode a transexualidade, ou uma questão de qualificar em ser transexual como bom ou ruim, até porque são conceitos questionáveis e variantes para cada indivíduo. Muito menos dizer que somos melhores ou piores, que por sua vez, são conceitos também questionáveis.

O transexual é incomodo, porque dessa forma, leva e levanta questionamentos sobre situações tabus da sociedade, seja a sexualidade ou a eterna disputa entre homens e mulheres, entre outros; e que por si só remetem a anos de opressão, revolta, culpas e medos.

Ser esse agente de transformação e questionamento nunca foi fácil, em qualquer época, era, os indivíduos que questionavam de alguma forma o status padrão de determinada sociedade eram vistos com olhos doentios e de ignorância.

“Mas eu não pedi para ser assim.”

Porém o fato concreto é que somos todos, dos militantes ativos aos que calados batalham pelo pão de cada dia. Nossa simples existência já nos faz dessa forma. Somos todos militantes sociais, dos que desafiam as regras que transpassam de forma quase invisível a sociedade, e que estão tão integradas no cotidiano que poucos se dão ao trabalho de observá-las.

Quando você vai a um profissional que te rejeita com olhar de desdém, com um discurso ignorante, ou recebe um olhar de espanto de algum conhecido que até ontem era, por exemplo, seu melhor amigo, releve. Sim, releve porque na verdade o olhar e a crítica não são para cada um de nós, mas para conceitos, medos e dúvidas que cada um carrega em si mesmo, e que a maioria não tem coragem de enxergar.

O seu conteúdo é seu, e assim como você também levou um tempo até entendê-lo, cada um tem o seu próprio espaço, e precisa de um tempo para assimilar o que foge desse espaço de segurança e compreensão.

E nesse momento somos agentes do questionamento, da dúvida, do “como é possível alguém fazer isso que me parece tão absurdo?”.

Parece absurdo porque fomos “programados” com certos padrões normativos, e qualquer um que fuja a eles, será visto com diferença. Nós mesmos temos esses padrões introjetados e por isso se torna tão difícil, a princípio, nos aceitarmos como somos.

Mas por um momento questione: e não somos todos nós diferentes de alguma forma, e ainda assim semelhantes?

Sim, somos, mas algumas pessoas agem como provocadores de questionamentos e trazem em si mesmas infinitas perguntas, e meia dúzia de respostas, enquanto outras trazem um emaranhado de respostas que lhes foram apresentadas como absolutas. Até porque o absoluto gera segurança e não desestabiliza, já o fluido que questiona vai sempre levantar a poeira e andar por territórios desconhecidos, e com isso provocar uma disputa entre o pré-conceito e a existência de cada um.

O pré-conceito é uma pedra bruta não lapidada, e a existência particular de cada um é como a água, fluida, cristalina, que sutilmente, com persistência e paciência, mina a pedra até lapidá-la, ou demoli-la completamente.

Mas todos nós temos a capacidade de nos tornarmos questionadores, de sairmos das repostas obscuras e “definitivas”, para o mundo das possibilidades sem categorização.

Isso não significa que em situações de constrangimento, de ofensas físicas ou verbais, se deva ficar parado, não de forma alguma. Ainda que o agressor seja digno de compaixão, é mais que imperativo buscar os meios necessários para ter seus direitos resguardados. Ainda não vivemos em uma sociedade que enxerga para além da pedra, a beleza da singularidade das águas, e por isso tornam-se necessários, por hora, instrumentos que provoquem de alguma forma o resgate do direito ao respeito e a dignidade humana.

Tudo aqui se constrói para chegarmos ao destino final, que somos nós mesmos, transexuais ou não, mas seres humanos, tão belos e únicos nas nossas singularidades, e ainda assim tão semelhantes ao resto do mundo. Indivíduos dotados de capacidades incríveis, desde as intelectuais até as afetivas, e com inúmeras possibilidades de amar.

Sim amar. Ame aquilo que você traz em si, sejam questões infinitas ou repostas confusas, ame e reconheça, aprenda e trabalhe com elas, seja seu maior aliado. Ame o ignorante que te destrata, ele é ainda é uma criança e precisa ser educado. Ame tudo que existe ao seu redor, exercite-se cada dia no sentido de buscar esse amor. E ame a si mesmo, antes de qualquer coisa. Não um amor egoísta que só percebe a si, mas o que por enxergar e aceitar-se, torna-se expansivo e universal.

Nenhuma existência, por mais que em algum momento possa parecer pesada, é em vão. São passagens para aprender, crescer e evoluir.

Finalizando, mas não menos importante, deixo um pensamento de Gandhi para reflexão: “Seja a mudança que você quer ver no mundo.”

domingo, 13 de dezembro de 2009

Masculino e feminino


Passado não se apaga. Por mais que se renegue uma vivência anterior, ela existirá sempre. Notem que não estou dizendo que se deve viver o passado, mas reconhecer que ele existe, e aprender a trabalhar com ele. Até porque não nascemos por geração espontânea, brotando no hoje como desejaríamos que fosse.

Por que disso?

Porque temos uma experiência feminina prévia, não interessando aqui a princípio se ela foi dolorida e não querida, e sim apenas o fato dela existir em nossas vidas de alguma forma. E da mesma forma que o masculino em nós habita, ela também estará sempre lá, devendo ser aceita, respeitada e porque não, amada.

Isso não quer dizer que devemos nos tornar homens "afeminados", por exemplo, mas sim que o lado masculino e feminino existe em todo ser humano independente de raça, gênero, classe social, credo e afins. E me atrevo a dizer, em tudo que está ao nosso redor, como energia.

Tão pouco significa que não se deve passar por toda a transição em busca de sentir-se mais confortável corporalmente. O que está sendo apontado aqui é tão somente o fato de que mesmo um homem transexual tem em si ambos os lados, masculino e feminino, como qualquer outro indivíduo.

Mesmo o mais machão quando diz que o seu lado feminino é lésbica, está naquele momento reconhecendo a existência dele, ainda que não consciente e em tom de brincadeira. E estou me referindo aqui ao homem biológico, xy.

A questão é que renegar um passado, uma vivência não traz benefício algum, ao contrário traz um fantasma que ficará sufocado, mas que pode, em algum momento se fazer presente. Mas como lidar com isso?

Aprendendo a trabalhar, a aceitar e incorporar esse feminino no presente, sabendo que isso não significa ser menos ou mais masculino, mas apenas que ambos os lados existem e podem conviver muito bem junto e integrados.

A diferença reside na identificação com o ser masculino ou feminino e na intensidade dessa identificação. Percebemo-nos mais masculinos, no caso, que femininos, mas sabendo que esse feminino existe sim inegavelmente.

Os mais antigos vão se lembrar de uma música de Pepeu Gomes onde ele cantava que “ser um homem feminino não fere o meu lado masculino.” Isso não quer dizer que ele é homossexual, ou está em dúvida quanto sua sexualidade, mas apenas que sabe incorporar o ser feminino dentro da sua vivência masculina.

Mas por que isso é importante?

Porque além de termos ambos os lados, tivemos um experiência de fato e de direito com o ser feminino, com o seu sentir, com a sua construção, inclusive de maneira corporal, que no entanto não invalidou a identificação com o masculino da forma mais visceral. Visto isso não há motivo para renegá-lo, e sim motivos de sobra para incorporá-lo e fazer as pazes com esse passado.

“Dói muito, não quero lembrar.”

Sim, mexer com feridas dói, mas será que essa é sua única ferida? Provavelmente não. Todos passamos por inúmeras jornadas ao longo da nossa caminhada de vida, independente de ser transexual ou azul com bolinhas verdes; todos passam por momentos doloridos, e que quando superados de forma efetiva nos possibilitam um aprendizado enorme, e não mais uma dor que não some.

Proponho um exercício simples e inofensivo: faça uma lista das características dela, do seu feminino que você gostaria de manter, e o que você não gostaria. Procure trabalhar o que não parece tão interessante, e incorporar o que é benéfico a você, como ser humano inteiro que é, independente de ser homem ou mulher.

Não há problema algum em ser um homem intuitivo, que chora, sensível e que sabe também trocar um chuveiro, jogar futebol ou farrear com os amigos, por exemplo, me valendo aqui de características notoriamente tidas como femininas ou masculinas.

Uma existência não invalida a outra, nem a diminui, mas a amplia e efetiva. Acima de ser transexual, ou não, o mais importante é viver em paz, buscando sempre um estado de integralidade, de união, de amor com si mesmo. E esse apaziguamento pessoal se expandirá ao seu redor de forma concreta, proporcionando mais felicidade e harmonia.

Respeite e aceite o belo mundo que existe em si mesmo, e acima de tudo ame incondicionalmente quem você é, permitindo – se assim ser tudo que você pode ser.


Obs: Meu agradecimento às mulheres da minha vida, passadas e presentes, que de formas distintas ensinam-me sobre fortaleza, caráter, compaixão, intuição e amor. E além ao feminino que em mim habita, que para além da dor e das tristezas, humildemente permitiu que eu fosse gerado, para que hoje eu pudesse ser quem sou.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O reverendo David Weekley - Ministro metodista de assume como um homem transexual

31 de agosto de 2009 - Matt Kailey

No começo dos anos 70, David Weekley começou sua transição do gênero feminino para o masculino. E em 1982, ele começou o processo para se tornar um Ministro metodista.

Por 27 anos, Weekley, agora com 58 anos, casado, e pais de 5 crianças, não tinha revelado nada sobre seu passado para a igreja ou para sua congregação. Mas em 30 de agosto, ele finalmente disse a sua congregação na Igreja Metodista Unida de Epworth, no Oregon que ele tinha nascido do gênero feminino com uma identidade de gênero masculina e tinha transicionado há algumas décadas.

Weekley é o segundo homem do clérigo da Igreja Metodista Unida a se assumir como transexual. Drew Pheonix, de 50 anos, teve sua ordenação desafiada por membros da igreja após se assumir publicamente para sua congregação na Igreja Metodista Unida de São João em Baltimore, Maryland. Ele manteve sua ordenação, mas não se encontra mais na igreja daquela comunidade.

OregonLive.com informa que, depois do sermão de Weekley, durante o qual ele explicou sua transição para a congregação, o Reverendo Bonnie Parr Philipson, superintendente distrital metropolitano da Igreja Metodista Unida, disse a congregação que o status de Weekley na igreja permanecia o mesmo.

Philipson também leu uma declaração do Bispo Robert T. Hoshibata, líder da conferência Metodista de Oregon – Idaho, onde ele diz que Weekley “está escolhendo compartilhar agora esse momento anterior de sua jornada de vida honesta e abertamente. Essa decisão não altera, de forma alguma, sua fé ou seu comprometimento com o ministério ao qual ele foi ordenado, ou seu status de membro ativo da congregação. Eu rezo para que sua congregação, seus colegas e a Igreja Metodista Unida continue a apoia-lo, e a sua família, neste momento.”

A Gazeta de Sherwood informa que, semanas após a revelação de Weekley, membros da sua congregação bateram palmas e afirmaram seu apoio a ele. A Gazeta apresenta ainda um artigo interessante sobre a vida de Weekley.

A igreja Metodista, no geral, tem sido extremamente conservadora quanto a sua posição sobre clérigos e membros LGBT, e existe a possibilidade que Weekley e Phoenix percam suas credenciais se a legislação proposta que bane transexuais passar na próxima conferência geral que ocorrerá em 2012. Espera-se que o passo corajoso feito pelo Reverendo Weekley abra mais as mentes das pessoas, e que dessa forma, a conferência será então palco de uma atitude bem diferente.

Atualização: O Reverendo David Weekley enviou-me a seguinte mensagem: “ Eu estou bem positivo sobre compartilhar minha história, porque acredito que é a melhor maneira de ajudar a educar nossa sociedade sobre transgêneros (NDAB: o contexto de transgênero no exterior diverge do nosso, pois não engloba todos que fogem ao dito gênero normativo, e somente transexuais como um todo); existe tanta falta de informação por aí, e medo, que parece imperativo tornar-se ativo. E como alguns dos segmentos da Igreja são responsáveis por uma parcela de falta de informação e medo, parece-me mais importante que nunca que as pessoas possam ouvir uma história positiva de fé de um indivíduo transgenero.”

Ele também forneceu a foto acima.

Pêlos por que tê-los? Ou não?!


Um dos “efeitos colaterais” mais desejados é o aparecimento dos pêlos sejam eles faciais ou corporais. Enquanto nossas irmãs mtfs fogem deles, nós corremos atrás deles, e ao menor vislumbre de um novo pêlo, principalmente no começo, é motivo de celebração.

É fato que assim como os seios, por exemplo, são vistos como um símbolo de feminilidade, os pêlos, principalmente os faciais, parecem ser socialmente identificados como a forma mais evidente de masculinidade, ainda que hoje em dia uma parte dos homens opte por um visual mais minimalista e menos austero.

A quantidade de pêlos, onde eles irão aparecer, se alguém vai ser um gorila ou apenas ter pêlos esparsos, vai essencialmente da genética. Tomar mais hormônio buscando uma identidade cabeluda não vai influenciar em nada, e pode até atrapalhar.

Isso, porém, não deve ser motivo de angústia, de menos valia ou de se achar menos homem por ter menos pêlo que outra pessoa.

É muito comum que antes do hormônio crie-se o hábito de raspar os pêlos ou penugem que exista, na expectativa de que eles engrossem; e mesmo depois, quando eles começam a aumentar. Mas é importante alertar que essa prática de maneira contínua e obsessiva pode ferir a pele levando a infecções sérias que podem, inclusive, necessitar de antibióticos orais que só deverão ser prescritos por um dermatologista.

Não há também nada que comprove que os pêlos de fato aumentem quando são raspados com freqüência. Pode ocorrer um engrossamento do pêlo que já existia, mas efetivamente “criar” mais pêlos só pelo fato de passar a lâmina no rosto, ou em outra parte do corpo, não.

Fazer a barba, como já foi postado aqui anteriormente, exige igual cuidado para evitar problemas de pele, da mesma forma que quem se barbeia sem ter pelo algum. Dar atenção ao que pode parecer bobeira, afinal é tão mais prático usar a lâmina de qualquer jeito, evita maiores aborrecimentos e mais idas a médicos.

Isso serve também para quem opta por raspar, ou depilar, os pelos das axilas, pernas, peito, costas e afins. A pele precisa ser igualmente bem tratada para evitar pelos incravados, inflamações e infecções posteriores.

Da mesma forma é válido reforçar que ter calvície ou não, também é resultado da propensão genética a ter ou não calvície. Não existe fórmula mágica para evitá-la, exceto, como já foi apresentado em postagens anteriores, recorrer a tratamento médico para minorar os efeitos já evidentes.

Fora o fator genético, é importante lembrar que cada organismo é peculiar, é responde de uma determinada forma a hormonioterapia. Existem situações padrão, mas a maneira como as modificações se apresentam em cada indivíduo é única, não podendo, portanto, termos um ou dois indivíduos como parâmetro para a maioria.

No final do dia uma coisa é certa: ter mais pêlos ou menos pêlos não é sinal de maior ou menor masculinidade, e sim uma resposta do organismo a uma predisposição genética. E que para uma resposta efetiva do corpo ao hormônio é preciso também, além de genética, cuidar desse corpo e da saúde de forma integral, visando sempre um bem estar maior.

E além, optar por mantê-los ou depilá-los, seja no rosto, nas axilas, nas pernas, é uma questão individual de gosto e estética tão somente, não significando que alguém tenha dúvidas sobre quem é ou sobre a sua orientação sexual.

Afinal como se diz “Mens sana in corpore sano”, ou seja, mente sã em corpo são, significando tão somente que há uma ligação natural entre mente e corpo, e que um reage ao outro, demonstrando a necessidade, independente da situação, de se cuidar não só da mente mas do corpo também, buscando sempre o equilíbrio entre mente e corpo para uma vivência mais plena e integrada.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Terças - Trans: última reunião do ano.


Repassando:

"Olá Pessoal,

Neste dia 08/12/2009 acontece a última reunião do Terças Trans de 2009 e o tema é:

AVALIANDO O TERÇAS TRANS!!

Vamos nos reunir numa conversa informal, para avaliar e sugerir mudanças nas reuniões do "Terças" para 2010!

Imperdível!!

Dia 08/12/09 às 19h
Centro de Referência da Diversidade
Rua Major Sertório, 292/294 - Centro
Coordenação: Alessandra Saraiva
Organização: Associação da Parada do O. GLBT de São Paulo
Parceria: Centro de Referência da Diversidade"

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Travestis e Transexuais do Brasil discutem identidade e políticas públicas no Rio de Janeiro de 06 a 11 de dezembro, durante o 16º Entlaids*


“Muito prazer, eu existo!”. Com este slogan, duzentos ativistas das cinco regiões do país se reúnem no 16º Encontro Nacional de Travestis e Transexuais (Entlaids) para discutir temas como utilização do nome social em documentos pessoais e políticas públicas em diferentes áreas, com o objetivo de assegurar a cidadania plena dessa parcela da população.

Pela primeira vez na história do país, as TTs unificarão discurso de como querem ser enxergadas e respeitadas. Durante o evento, que é deliberativo, elas construirão finalmente o conceito do que é ser uma Travesti e uma Transexual.

A 16ª edição do encontro, coordenada pela Astra-Rio (Associação de Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro), acontece no Hotel Golden Park (Rua do Russel, 374 – Glória) e receberá autoridades governamentais, como o Governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, secretários municipais e estaduais, além de acadêmicos e ativistas do Movimento GLBT em geral.

A atriz Carolina Ferraz e o estilista Carlos Tufvesson são os padrinhos do evento. “Fui batizado militante na pia da Astra-Rio. Tenho um carinho imenso por essas meninas”, orgulha-se Tufvesson.

Para a presidente da Astra-Rio, Majorie Marchi “é um desafio para nossa associação organizar na Cidade Maravilhosa o maior e mais importante evento nacional voltado para Travestis e Transexuais. É um importante momento de protagonismo para nós, justamente porque temos urgência em debater temas como trabalho, educação, segurança, renda, emprego, gênero e saúde. No Brasil, há poucas políticas que atendam as demandas da nossa realidade porque nossos governantes se baseiam em estudos internacionais que não condizem com que nós TTs vivenciamos no dia-a-dia em nosso país”, esclarece.

A coordenadora do Entlaids ainda sinaliza que durante o encontro será apresentada uma proposta de se ter um processo Travestilizador para o Sistema Único de Sáude.

Atualmente, o SUS já realiza um processo Transexualizador (administração de hormônios antes da cirurgia, acompanhamento anual das taxas hormonais e por dois anos antes e após a cirurgia de transgenitalização por equipe multidisciplinar apenas para mulheres-Trans).

Almejando o reconhecimento da identidade Travesti a partir de políticas públicas específicas, a proposta prevê ações como terapia com hormônios. Isso reduziria o uso de silicone líquido, utilizado para modelar o corpo, diminuindo, também, o risco de morte pelo uso da substância.

Também será discutido o aumento do número de cirurgias de transgenitalização, bem como o acesso de Transexuais masculinos (homens-Trans) às políticas de saúde, que não são contemplados atualmente pelo SUS.

Além de mesas de debates, oficinas de cidadania (elaboração de projetos, advocacy e organização institucional) e rodas de conversa, haverá show com Ângela Leclery e projeção de vídeos sobre o tema nos intervalos. Por fim, as TTs elegerão a cidade-sede do Entlaids do próximo ano.

O evento conta com o patrocínio do Governo Federal (através do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e da Secretaria Especial de Direitos Humanos/PR); do Governo do Estado do Rio de Janeiro (através da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e da Secretaria de Saúde e Defesa Civil); da Prefeitura do Rio (através das Secretarias de Turismo, Saúde e Assistência Social); e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU); além do apoio da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e da PACT Brasil.

16º ENTLAIDS – Encontro Nacional de Travestis e Transexuais
Data: 06 a 11 de dezembro de 2009
Local: Hotel Golden Park - Rua do Russel, 374 – Glória
Contato: (21) 4104-0927 (21) 8278-2633
Email: astra.rio@gmail.com


* NDAB: As inscrições se encerraram dia 31/10/09. Caso alguém tenha interesse, uma vez que o email da Astra Rio está disponível, talvez seja interessante entrar em contato para verificar alguma possibilidade.

Autorizada alteração de nome e gênero, sem registro de decisão judicial na certidão


Em decisão unânime, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a modificação do pré-nome e da designação de sexo de um transexual de Minas Gerais que realizou cirurgia de mudança de sexo. É a segunda vez que o STJ autoriza esse procedimento. No último mês de outubro, a Terceira Turma do Tribunal também decidiu pela expedição de uma nova certidão civil a um transexual de São Paulo sem que nela constasse anotação sobre a decisão judicial.No caso, o transexual recorreu de decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que entendeu que “a falta de lei que disponha sobre a pleiteada ficção jurídica à identidade biológica impede ao juiz alterar o estado individual, que é imutável, inalienável e imprescritível”.

O relator do recurso, ministro João Otávio de Noronha, entendeu que deve ser deferida a mudança do sexo e do pré-nome que constam do registro de nascimento, adequando-se documentos e, logo, facilitando a inserção social e profissional. “Ora, não entender juridicamente possível o pedido formulado na exordial [inicial] significa postergar o exercício do direito à identidade pessoal e subtrair ao indivíduo a prerrogativa de adequar o registro do sexo à sua nova condição física, impedindo, assim, a sua integração na sociedade”, afirmou o relator.Para tanto, alegou que a ausência de legislação específica que regule as consequências jurídicas advindas de cirurgia efetivada em transexual não justifica a omissão do Poder Judiciário a respeito da possibilidade de alteração de pré-nome e de sexo constantes de registro civil.

Sustentou, ainda, que o transexual, em respeito à sua dignidade, à sua autonomia, à sua intimidade e à sua vida privada, deve ter assegurada a sua inserção social de acordo com sua identidade individual, que deve incorporar seu registro civil.Para o ministro, entretanto, deve ficar averbado, no livro cartorário, que as modificações procedidas decorreram de sentença judicial em ação de retificação de registro civil. “Tal providência decorre da necessidade de salvaguardar os atos jurídicos já praticados, objetiva manter a segurança das relações jurídicas e, por fim, visa solucionar eventuais questões que sobrevierem no âmbito do direito de família (casamento), no direito previdenciário e até mesmo no âmbito esportivo”, assinalou.

Processo: Resp 737993
Fonte: STJ

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Trans da Bahia vão poder usar nome social em sistema de assistência social


03/12/2009 - 11h24

Por Hélio Filho

Nomes sociais poderão ser usados em documentos como prontuários, fichas e cadastros em toda a Bahia

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do Estado da Bahia decidiu atender pelo nome social travestis e transexuais usuárias do Sistema Único de Assistência Social. A decisão já entrou em vigor e, partir de agora, a população trans de todos os 417 municípios baianos deve ser chamada pelo artigo feminino (NDAB: ou masculino quando assim for adequado) em suas consultas.

A decisão foi tomada pelo secretário de Desenvolvimento Social e Combate a Pobreza do Estado da Bahia, Valmir Assunção, por meio da Portaria N° 220 de 27 de Novembro de 2009 e autoriza que travestis e transexuais usem os nomes como são conhecidas (os) em formulários, prontuários, fichas de cadastros e documentos em geral do Sistema Único.

Piauí

Só para lembrar de coisas boas, a Assembléia Legislativa do Piauí promulgou no último dia 24 a lei 5.916/2009, de autoria da deputada Flora Izabel (PT). Ela também garante o uso do nome social das pessoas travestis, transexuais e transgêneros. Para garantir o cumprimento da lei, as (os) trans terão uma carteira de identificação com o nome social que escolheram. Com o documento, essas pessoas serão identificadas nos serviços públicos em escolas, hospitais, clubes, etc.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sexualidade sem Culpa, A Chave para uma Vida mais Íntegra - Por Daniele Alvim*.


Falar sobre sexualidade é algo bem complicado. Primeiro porque o nome do tema já é um tabu em si mesmo; segundo porque “todo mundo tem problemas sexuais” como diz aquele famoso título daquela peça brasileira (eu diria que a maioria) e terceiro porque ninguém que ser alvo de críticas, principalmente em relação a esse tema. Realmente temos que ter bastante cuidado, pois a delicadeza do assunto exige isso.

Bem, trabalho com o ser humano, e por isso mesmo, me abstraio de ter qualquer tipo de preconceito contra qualquer tipo de raça, religião, e, principalmente, opção sexual. Talvez por isso meus clientes se sintam tão à vontade de falarem pra mim seus “piores” dilemas. Não raro recebo em meu consultório pessoas cujo desafio de vida é a própria sexualidade e suas vastas opções, e não raro escuto-as dizer assim: “Você sabe que estou anos na terapia e minha psicóloga ainda não tinha pensado nisso...?” Vejo-as sofrendo e insatisfeitas com a opção alternativa que fizeram, às vezes acanhadas, às vezes ansiosas, às vezes confusas, às vezes perdidas. Mas todas elas procurando por respostas que não a confinem a um lugar comum ou a rotulem disso ou aquilo ou desfilem teorias mirabolantes para explicar que, no final das contas, não há nada de errado com elas. Porque rótulos é o que não falta: Gay, lésbica, travesti, transexual, bissexual, homossexual, simpatizante, heterossexual, etc... Mas, antes de serem algo que as rotulem como tal, são seres humanos com um desafio de vida, que é entenderem a si próprias através de sua opção sexual.

Parto do princípio de que sexo não é pecado, e nem com pessoas do mesmo sexo, ainda que a droga de meu DNA carimbado com a persuasão milenar da igreja grite no meu ouvido “É sim!”. “É sujo!”. “É errado!”. Ainda bem que essa briga cessa completamente quando trato de deixar minha intuição fluir e falar o que meu coração quer dizer para cada pessoa que está ali para ouvir a si mesma; cada caso é um caso, não há receita de bolo. Mas a partir do momento em que não nos sentimos completos em relação às nossas escolhas, sejam elas quais forem, então é porque há um desafio a ser superado, a ser integrado e compreendido no nível da alma. Sob o ponto de vista da Aura-Soma sempre encaramos os desafios como presentes (gifts) que são adicionados como uma ferramenta da alma na medida em que são assimilados.

Mas a verdade é que o desafio no nível sexual não é pior ou melhor do que nenhum outro; é encarado com preconceito por muitos porque mexe com o que há de mais profundo, mais inconsciente em nós, movimenta nossas próprias inadequações que surgem a partir da mais tenra infância; e claro, isso se reflete na forma como damos e recebemos afeto, não só em relação aos outros, mas em relação a nós mesmos. Quem não quer se sentir completo com o par que mais lhe faça se sentir bem, independentemente se é uma pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo? Quem não quer se amar e se aceitar porque teve coragem de ser responsável pelas próprias preferências? O que seria melhor para a alma? Se realizar como ser humano em todos os aspectos ou seguir regras impostas externamente por religiões ou quem quer que seja e viver frustrado e se auto-sabotando pelo resto da vida? Sob o ponto de vista de Deus, vamos lá, que é Misericórdia pura e Amor puro, será que Ele quer que soframos, nos torturando por algo que faz parte da natureza e da vicissitude humana? Sim, porque a culpa nada mais é do que uma forma de auto-punição; e aprendemos que Deus faz isso quando fazemos a “coisa errada”. Mas para quem ainda acredita nisso, eu digo, Deus não pune ninguém (Como haveria de ser se Deus é Amor???). Nós nos punimos. E isso nada tem de saudável não.

Se observarmos que atualmente milhões de pessoas no mundo estão podendo sair de um estado de mentira e negação de si mesmas em sua sexualidade (com medo de serem hostilizadas e renegadas e rejeitadas) para um estado em que a liberdade do “ser quem se é” pode ser reconhecida como algo saudável, sustentável e louvável, isso pode nos dar a exata noção de que isto é um avanço e não um retrocesso. Pensemos que efeito poderoso isso tem no inconsciente coletivo de, no mínimo, uma melhora no relacionamento entre os seres humanos. Isso nos faz repensar nossos “pré-conceitos” e atitudes em relação aqueles que optaram (por razões extremamente complexas em sua história de vida, imagino) por algo diferente do que o convencionado pela sociedade. E neste barco pegam carona também as questões raciais e de crença (Essa última que vem avançando desde o fim da Inquisição, minha bruxa interior quer acreditar...).

A expressão da sexualidade é o que temos de mais poderoso dentro de nós; não há diferença entre energia sexual e energia criativa, por exemplo, já que tudo é energia. Sentir-se à vontade dentro do próprio corpo, o Templo da Alma, é o início e o fim de uma auto-expressão mais íntegra, honesta e verdadeira de si mesmo. A mente pode viajar entre o passado, o presente e o futuro; o corpo é o que nos coloca no aqui é agora, no momento presente, com a consciência focada. Uma expressão sexual sem culpa (ainda que para muitos isso possa ser imoral ou mesmo amoral) é preferível do que o confinamento do ser que pode levar à depressão e a todos os sentimentos de inadequação e suas conseqüências psicológicas mórbidas, incluindo a perversão.

Sem querer colocar toda a culpa na Igreja (Instituição que respeito bastante), a verdade é que ela nos impôs a crença na desvalorização do que é um dos atributos mais importantes do ser humano: Seu corpo físico. Sem ele, como estaríamos encarnados? Cuidemos bem dele e sejamos generosos com suas necessidades. Lembrando de que na medida em que a Consciência avança, suas necessidades são sublimadas e sutilizadas automaticamente. Um passo de cada vez - mas sem culpa.

Obs. Dedico este artigo a Sandalfon, o “anjo” que sugeriu e inspirou este artigo.

Ah, sim, e em relação à minha própria opção sexual? Sem rótulos, por favor. (Digam isto pra si mesmos e sintam o quão libertadora é essa sensação...)

Bjs, Amor e Luz,
Daniele


*NDAB: Daniele Alvim é escritora, terapeuta e articulista do Portal Somos Todos Um.


Ficou curioso?!

Faça uma consulta, permita-se. Seja você quem for, de que forma for, daqui ou de longe, tanto faz, as possibilidades que se abrem quando permitimo-nos tentar são infinitas.

Não vou falar da minha experiência pessoal porque a jornada é de cada um, e de todos por consequência, mas cada qual com um tempo, momento e caminho. Muito menos é uma afronta a qualquer dogma, doutrina, religião, credo, até porque o objetivo é a liberdade. Só peço que reflitam para além do que enxergamos, e ouçam os sons que vem de dentro.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Berdaches - a pessoa de "dois espíritos".


Datam de 1530 os primeiros relatos de colonizadores europeus dando conta da existência de gêneros alternativos na maioria dos povos nativos norte-americanos. Embora as inúmeras variantes e peculiaridades dos gêneros alternativos identificados pelos europeus, seus representantes foram genericamente denominados de berdaches, vocábulo provavelmente derivado de bardaj, termo utilizado na Pérsia para designar homens afeminados e parceiros sexuais passivos.

Sociologicamente o berdache poderia ser descrito como uma solução elegante e generosa para acolher indivíduos desadaptados à dualidade masculino/ feminino. Contudo, muito além de solução respeitosa para o possível impasse institucional criado por homens considerados “covardes”, relativamente aos padrões de gênero vigentes na tribo, os berdaches constituíram um segmento de pessoas tidas como abençoadas pelos deuses.

Por serem, ao mesmo tempo, macho e fêmea e, portanto, estarem mais completos e equilibrados do que um macho ou fêmea isoladamente, os nativos americanos acreditavam (e seus remanescente ainda acreditam largamente) que a identidade berdache fosse o resultado da intervenção de forças sobrenaturais, de onde viriam seus “poderes especiais”, mito sancionado pela mitologia tribal, que os tornou conhecidos como “possuidores de dois espíritos”.

Os berdaches sobreviveram até hoje em muitas comunidades nativas norte-americanas devido à sua importância dentro da tribo, onde sempre desempenharam, dentre outros, os papéis de aconselhadores espirituais, médicos, adivinhos e xamãs. Embora isso já não seja mais tão comum hoje em dia, no passado os berdaches masculinos podiam também desempenhar papéis dentro do grupo familiar, atuando como esposas dos guerreiros, posição social em que recebiam o mesmo tratamento dado às mulheres casadas.

Berdaches masculinos foram localizados em mais de 155 tribos norte-americanas. As únicas exceções documentadas foram os Apaches e Comanches. Em aproximadamente um terço desses grupos, um gênero alternativo também existiu para fêmeas que desenvolveram um estilo de vida masculino, tornando-se caçadores, guerreiros e chefes. Elas também foram muitas vezes chamadas pelo mesmo nome de berdaches e às vezes através de um termo distinto, constituindo, dessa forma, um quarto gênero. Assim, “o terceiro gênero” geralmente refere-se a berdaches masculinos e às vezes a berdaches masculinos e femininos, enquanto “o quarto gênero” sempre se refere a berdaches femininos.

Em muitas culturas tribais, os xamãs mais potentes eram “indivíduos de dois espíritos”, como dá conta o testemunho de muitos pesquisadores em seus estudos de campo. Mesmo quando os xamãs não eram necessariamente “pessoas de dois espíritos”, os pesquisadores os descrevem como possuindo a marca da transgeneridade, além de terem orientação sexual basicamente homo ou bissexual. Nesses casos, a distinção entre o xamã e o berdache era semelhante à distinção entre um mago poderoso, capaz de conjurar as forças da Natureza e a de um sacerdote dedicado, um mediador, um líder dos rituais, um cuidador ou um “revelador de verdades”.

Os nativos das Américas não só toleravam como respeitavam a transgeneridade como uma manifestação sagrada. A homofobia e a transfobia foram trazidos para as Américas pelo colonizador europeu e sua moral judaico-cristã. Em virtude da sua crença religiosa, os europeus que vieram conquistar a América perseguiram os berdaches implacavelmente. Vasco Nunes de Balboa, por exemplo, ao descobrir alguns berdaches no lugar onde hoje fica o Panamá, lançou-os aos seus cães, para que eles os devorassem vivos.

Fonte: http://www.leticialanz.org/crossdressing_sagrado/berdaches.htm

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Filho da cantora Cher aparece em público depois de mudança de sexo

Por Redação

19.11.09

Depois de virar notícia em todo o mundo, Chaz Bono, o filho transexual da cantora Cher, apareceu publicamente pela primeira vez desde que se submeteu a cirurgia de transgenitalização, conhecida popularmente como cirurgia de mudança de sexo.

Em entrevista ao programa de TV americano Good Morning America, Chaz, que nasceu biologicamente mulher, apareceu com um visual totalmente masculino e declarou que passar por toda a transição "foi a melhor decisão" que já tomou."A vida é curta e preciosa. Este é quem eu sou. Eu preciso finalmente ser quem eu sou", declarou Chaz. Para o transexual, "gênero está entre as duas orelhas, não entre as pernas".

Com quase 40 anos de idade, Chaz anunciou em março passado que iria passar pela transição, mas declarou que se sente pertencente ao um gênero oposto ao seu de nascença desde seus 20 anos.

Segue vídeo abaixo, em inglês.

Fonte: http://gonline.uol.com.br/site/arquivos/estatico/gnews/gnews_noticia_23125.htm e http://www.youtube.com/watch?v=rGr8vl0vlfg

Campanha contra estigmas e preconceitos envolve Nações Unidas e movimentos sociais brasileiros.

ONU lança campanha “Igual a você” contra o estigma e o preconceito no Brasil Iniciativa dá voz e notoriedade aos direitos humanos de estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis e usuários de drogas. Veiculação iniciará no dia 16 de novembro em emissoras de televisão de todo o país

Igualdade de direitos e um chamamento à sociedade brasileira para o tema das discriminações que homens, mulheres e crianças vivem diariamente no Brasil. Esses são os objetivos da campanha “Igual a Você”, que será lançada hoje (16/11) às 10h no Palácio do Itamaraty - Rio de Janeiro, pelas Nações Unidas e sociedade civil.

Durante a cerimônia, as agências da ONU apresentarão um panorama da realidade de cada população – estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis e usuários de drogas -, e apresentarão os 10 filmes de 30 segundos que integram a campanha. Os filmes estarão disponíveis para veiculação em emissoras de televisão de todo o país a partir do dia 16 de novembro. Além disso, os vídeos receberam versões legendadas em inglês e espanhol, para possibilitar a disseminação internacional.

O ato de lançamento será seguido de coletiva de imprensa, no Palácio do Itamaraty, com o representante do UNODC, Bo Mathiasen; o coordenador do UNAIDS, Pedro Chequer; a vice-diretora do UNIFEM Brasil e Cone Sul, Júnia Puglia; a oficial do Programa de Educação Preventiva para HIV/Aids da UNESCO no Brasil, Maria Rebeca Otero Gomes; o oficial de Informação Pública do ACNUR, Luiz Fernando Godinho, e o diretor do UNIC, Giancarlo Summa. Representantes das entidades da sociedade civil e as lideranças que gravaram as mensagens também estarão no evento para atendimento à imprensa

Visibilidade para os direitos humanos

“Igual a Você” – uma campanha contra o estigma e o preconceito dá voz e visibilidade aos direitos humanos das populações alvo da campanha. Produzidos pela agência [X]Brasil – Comunicação em Causas Públicas e gravados em estúdio com trilha sonora original de Felipe Radicetti, os filmes apresentam mensagens de lideranças de cada um dos grupos discriminados, levando em consideração às diversidades de idade, raça, cor e etnia.

A campanha surge como uma iniciativa contra as violações de direitos humanos e desigualdades, especialmente nas áreas da saúde, educação, emprego, segurança e convivência. Trata-se de uma oportunidade de sensibilização da sociedade brasileira para o respeito às diferenças, que caracterizam cada um dos grupos sociais inseridos na campanha, reafirmando a igualdade de direitos.

Estigmas e preconceitos cotidianos

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma das facetas do racismo se revela na remuneração média da população brasileira: homens brancos (R$ 1.200), mulheres brancas (R$ 700), homens negros (R$ 600) e mulheres negras (R$ 400).

O ambiente escolar também é outro local de resistência à diversidade. Segundo pesquisa de maio de 2009 realizada em 500 escolas públicas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – FIPE, 55% a 72% dos estudantes, professores, diretores e profissionais de educação demonstram resistência à diversidade por meio do indicador “distância social”. O maior distanciamento é verificado com relação aos homossexuais (72%).

Filmes diferenciados: drogas e educação

No primeiro caso, são mostradas cenas reais de usuários de drogas lícitas (bebida, cigarro e medicamentos) e ilícitas (maconha, cocaína, crack e ectasy) nos diferentes ambientes de uso - nas ruas, nos bares, nos morros ou nas baladas -, sem que o rosto dos usuários apareça. O desafio aqui foi falar sobre usuários de drogas dentro de uma perspectiva do direito à saúde.

Para os filmes de combate ao estigma e ao preconceito nas escolas são utilizados desenhos feitos por crianças, com uma voz em off e trilha original. Estes filmes trabalham com duas situações diferentes: preconceito na escola contra crianças vivendo com HIV e preconceito de raça, cor, aparência, orientação sexual nas escolas.

Assinatura da campanha

O preconceito se manifesta por meio de atitudes e práticas discriminatórias, tais como humilhações, agressões e acusações injustas pelo simples fato de as pessoas fazerem parte de um grupo social específico. É contra o estigma e o preconceito que as agências UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), UNESCO no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), com apoio do UNIC Rio (Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil), somam-se, mais uma vez, ao esforço da sociedade civil pela igualdade de direitos: ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), AMNB (Associação Brasileira de Mulheres Negras Brasileiras), ANTRA (Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros), Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/Aids e Rede Brasileira de Prostitutas.


Português

Usuário de Drogas - Youtube Download
Transexuais e Travestis - Youtube Download
Refugiados - Youtube Download
Profissionais do sexo - Youtube Download
População Negra - Youtube Download
Pessoas vivendo com HIV - Youtube Download
Lésbicas - Youtube Download
Gays - Youtube Download
Estudantes - Youtube Download
Crianças vivendo com HIV - Youtube Download

O Terceiro Sexo - Documentário da National Geographic



O Terceiro Sexo (The Third Sex)

Documentário da National Geographic, integrante da série "Tabu".

Segue a sinopse oficial e os horários de exibição.

Embora os costumes sejam distintos em todo o mundo, quase todas as sociedades compartilham uma coisa: o conceito de gênero. Muitos acreditam na existência de apenas dois: homem e mulher. E cada qual está ligado ao sexo biológico, ou seja, masculino e feminino.

Ainda assim, na Índia, transexuais masculinos que optam por retirar suas genitálias vivem como mulheres e formam um terceiro sexo. Na Indonésia, padres hermafroditas lideram uma sociedade que reconhece cinco gêneros. E na região rural da Albânia, as mulheres trocam de gênero para obter igualdade..

Por vezes, até mesmo as culturas mais conservadoras precisam abrir espaço para aqueles que desafiam as convenções. Mas para muitas, adotar outros gêneros ainda é um tabu.

1. Quarta-Feira 25 de Novembro 22:00
2. Quinta-Feira 26 de Novembro 05:00
3. Quarta-Feira 2 de Dezembro 22:00
4. Quinta-Feira 3 de Dezembro 05:00
5. Quarta-Feira 9 de Dezembro 22:00


Terças trans - Planejando o 29 de janeiro.


Repassando:


"Olá Pessoal,

Nesta Terça-feira teremos Terças Trans e já vamos planejar nossas atividades para 2010!!Dia 29 de janeiro se comemora o Dia da Visibilidade Trans em São Paulo, e vamos aproveitar esta reunião para pensarmos nas atividades que podem ser desenvolvidas para homenagear esta data!!

PARTICIPEM!!!!

Dia 24 de Novembro de 2009 às 19h

Centro de Referência da Diversidade
Rua Major Sertório, 292/294 - Centro - SP
Metrô República

Coordenação: Alessandra Saraiva
Organização: Associação da Parada GLBT de São Paulo
Parceria: Centro de Referência da Diversidade"

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dúvida sobre retificação da certidão de casamento.


"Ei, amigo, como foi possível retificar a certidão de casamento?

No Brasil, só têm validade os casamentos entre homem e mulher... então uma alteração do sexo de um dos cônjuges seria inviável, não?

Você tem como checar e esclarecer esse ponto?"

O autor encontra-se divorciado do ex-cônjuge, esclarendo para isso que seu estado civil será sempre divorciado, e não solteiro. Seria considerado solteiro somente se o casamento fosse nulo por algum motivo, sendo que a retificação, no caso, não foi entendida como motivo de nulidade de casamento anterior.

Foi necessário que o ex-cônjuge fornecesse declaração pública, feita em cartório com a presença do tabelião, onde afirma estar ciente da situação, que apoia a decisão, e que sabe, e concorda, que na certidão dele aparecerá também a retificação, como tendo sido fruto de decisão judicial. Sem a referida declaração, seria difícil conseguir a retificação, uma vez que poderia ser visto como danos à terceiros.

Por ser o autor divorciado, é necessário utilizar a certidão de casamento com averbação de divórcio para requerer a documentação, e não mais a certidão de nascimento. Quando ele casar legalmente novamente, tentará, por orientação de seu advogado, peticionar ao juízo para que não apareça o fato de já ter sido casado; aí sim ele poderá solicitar qualquer documentação sem qualquer constrangimento por não constar referência a casamento anterior, mediante a situação, com indivíduo do mesmo sexo.

Ainda assim, caso seja necessário certidão de casamento integral, aparecerá tudo que o autor fez: casamento, separação, divórcio, retificação de nome / sexo, novo casamento.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Exibição do filme Qunto Dura o Amor - 17º Festival Mix Brasil


Hoje tem exibição do filme Quanto Dura o Amor, do diretor Roberto Moreira, dentro do Festival MixBrasil da Diversidade Sexual, que está ocorrendo em São Paulo desde o último dia 12, e segue até o próximo dia 22 de novembro.

Após a exibição do filme haverá um debate com as atrizes Maria Clara Spinelli e Silvia Lourenço.

Data: 19/11
Horário: 19hs

Local: Galeria Olido - Cine Olido
Av. São João, 473.
Centro - SP

Mostra A Diversidade no Cinema em São Paulo


Ciclos de filmes sobre a AIDS, diversidade sexual e questão de gêneros, em parceria com o CRT DST/Aids-SP, CADS (Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual) da Prefeitura do Estado de São Paulo, Bibliotecas Tematicas e Cine Segall.

BIBLIOTECA VIRIATO CORRÊA
Endereço: Rua Sena Madureira, 298
Vila Mariana - 04021-050
São Paulo, SP
Tel.: 11 5573-4017 e 11 5574-0389

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (Brokeback Mountain)
Dia 21 de novembro às 18h

TRUQUES DA PAQUERA (Tricks)
Dia 29 de novembro às 16h

MAL DOS TRÓPICOS (Sud Pralad)
Dia 29 de novembro às 18h

TRANSAMÉRICA
Dia 6 de dezembro às 16h

EXPRESS YOURSELF
Após a exibição do filme haverá debate com o diretor Mauro Dahmer.
Dia 6 de dezembro às 18h

TABU (Gohatto)
Dia 13 de dezembro às 16h

BIBLIOTECA ROBERTO SANTOS
Endereço: Rua Cisplatina, 505
Ipiranga - 04211-040
São Paulo, SP
Tel.: 11 2273-2390 e 2063-0901

AMIGAS DE COLÉGIO (Fucking Amal)
Dia 22 de novembro às 16h

C.R.A.Z.Y. – LOUCOS DE AMOR
Dia 22 de novembro às 18h

MINHA VIDA EM COR DE ROSA (Ma vie en Rose)
Dia 29 de novembro às 16h

AS DAMAS DE FERRO (Satree Lek)
Dia 29 de novembro às 18h

Para maiores informações e sinopses, consultar links abaixo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Filha, eu sou gay "

Isto É - Comportamento

Jovens contam como lidaram com a descoberta de que o pai ou a mãe é homossexual. *

Wilson Aquino

Gabriel tinha 15 anos quando o pai, que se divorciara da mãe alguns anos antes, o convidou para comer pizza, um programinha trivial que, no entanto, marcaria de forma especial a vida do adolescente. Gabriel idolatrava o pai. Considerava-o seu melhor amigo, um exemplo a ser seguido. Por isso, soou como uma pancada a frase curta e definitiva dita por Oswaldo Braga, 51 anos, enquanto ambos estavam à mesa. "Eu sou gay", falou o consultor técnico do Ministério da Saúde. "Na hora fiquei engasgado. Não sabia o que falar, tamanho o meu espanto com a revelação", lembra Gabriel.

O garoto praticamente rompeu os laços afetivos com o pai e só os restaurou quase dez anos depois. Mas, hoje, se diz feliz por ter conseguido superar o preconceito. "Se os gays são minoria, eu sou a minoria da minoria, porque sou filho de pai gay", diz Gabriel, 24 anos. Ele disse que se orgulha de ter aprendido com o pai que o melhor mesmo é viver uma vida verdadeira. "Não é uma situação fácil de ser enfrentada", admite Braga "Mas é necessária."

Há uma grande distância entre saber e aceitar. A psicóloga paulista Vera Lúcia Moris, que coordena dois grupos de 30 pais gays, lembra que a adolescência é um período marcado por crises, inclusive com relação à sexualidade. "E o jovem pode ter problemas para aceitar, compreender ou lidar com a revelação da homossexualidade do pai", alerta. Mas é possível minimizar muito o impacto da revelação. O trauma é menor quando a criança cresce sabendo da orientação sexual do pai ou da mãe. Este é o caso da estudante paulistana Bruna Peixe dos Santos, 18 anos, que começou a tomar consciência, gradativamente, do homossexualismo da mãe a partir dos 4 anos.

A frase "Filha, eu sou gay" foi sendo assimilada aos poucos e, hoje, Bruna assegura que não vê problema nenhum no fato de a mãe, Alexandra, ter mudado o nome para Alexandre Santos - o Xande que preside a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. Mas a tranquilidade com que Bruna lida com o tema não reflete os aborrecimentos e decepções que já enfrentou. "Tive um namorado que terminou comigo quando lhe contei. E tive amigos e pais de amigos que se afastaram por causa do preconceito", conta ela. "Em compensação, tenho muitos outros amigos que dizem que queriam ter um pai como o meu", arremata Bruna, que chama Xande de "pãe".

A homofobia é causa da rejeição de muitos filhos. Temendo serem vítimas de preconceito e chacotas, eles optam pelo afastamento do pai ou da mãe homossexual. "A gente morava no interior. Todo mundo sabia que meu pai era gay. Os colegas zombavam da gente, nos humilhavam", conta a atriz paulista Gabriela (que pede para não revelar o sobrenome), 29 anos, grávida de seis meses. Ela tinha 18 quando o pai revelou que estava namorando um rapaz, e pediu apenas compreensão. "Foi um choque. Incomodou muito. Cheguei a me envolver com uma mulher só para afrontar meu pai", recorda a atriz, que levou cinco anos para voltar a ter um bom relacionamento com o pai. "Li muito. Isso me ajudou a entender melhor a situação toda. Amo meu pai e tenho muito orgulho dele."

O universo de casais gays será dimensionado a partir do ano que vem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fará uma pesquisa para saber quantos casais homossexuais residem nos 58 milhões de domicílios brasileiros. Certamente, o resultado dará uma ideia do quadro, mas não um número exato porque muitos preferem esconder a opção. Até nove anos atrás, se participasse da enquete do IBGE, o advogado carioca Marcelo (que não quer seu sobrenome divulgado) teria mentido, inclusive porque ainda estava casado.

Ele "saiu do armário" - termo popular para dizer que uma pessoa se assumiu gay - ao ser pressionado pela exmulher. "Ela perguntou e eu confirmei", diz. Marcelo saiu de casa quando o filho tinha 3 anos e resolveu que era hora de revelar o fato para o menino aos 10. "Falei para ele, sem rodeios: 'Papai é gay.'" A reação do garoto surpreendeu: "Pô, pai, tô cansado de saber. Não falei antes porque fiquei constrangido. Não tem o menor problema." Mas sua ex-mulher, ao contrário, reagiu mal e passou a proibir os encontros dos dois, alegando que ele poderia ser má influência. Sem ver o filho há dois anos, porque o menino se recusa a encontrá-lo, Marcelo luta contra uma depressão profunda e tenta, na Justiça, recuperar seus direitos.

A batalha é longa. Há juízes que acreditam que a relação entre pais gays e seus filhos pode comprometer o desenvolvimento sadio da criança ou do adolescente. Não é raro o juiz sugerir que as visitas dos pais homossexuais sejam realizadas sem a presença do companheiro gay. A desembargadora gaúcha aposentada Maria Berenice Dias, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família, discorda. "Não afeta o desenvolvimento nem leva o filho a ser homossexual também. Afinal, o homo é filho do hetero", diz.

Para a escritora Edith Modesto, 71 anos, fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), a revelação tende a ser mais bem digerida quando o filho tem até 4 anos de idade. "Porque o preconceito ainda não está arraigado, principalmente em relação às pessoas que elas amam." Mas, lembra ela, o fato de o filho aceitar a homossexualidade dos pais não implica, necessariamente, aprovação. O estudante Alan Rudolf, 17 anos, que mora com a mãe, a mecânica de avião Adriana Piske, 36 anos, e com a companheira dela, Kelly Vasconcelos, em Curitiba, Paraná, é bem sincero quanto a isso: "Não concordo, mas respeito", diz Alan, que soube da homossexualidade da mãe quando tinha 6 anos. "Para mim não era normal, mas acabei aceitando."


* Obs.: Ainda que a reportagem não faça menção alguma ao fato do Xande, atual presidente da Associação da Parada LGBT de São Paulo, ser um homem transexual, ela é de suma importância porque demonstra que a capacidade de educar, cuidar, ter afeto por outro ser humano enquanto filho (a) não depende de sexualidade, e sim de diálogo, cuidado, responsabilidade, limites e amor. Que ser filho (a) de alguém que difira da dita normatividade parental socialmente aceita não implica em, futuramente, ser homosexual nem transexual. E além, que apesar da dificuldade enfrentada por alguns jovens da reportagem com relação a seus pais, o afeto e o respeito são mais importantes que qualquer "diferença".

Obs 2: Grato a Glória pela indicação da reportagem.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

FTM consegue retificação de nome e sexo no Paraná


17-11-2009

Em decisão inédita no estado do Paraná, foi autorizado em primeira instância que um homem transexual (transição do feminino para o masculino / ftm) retificasse tanto nome quanto sexo em sua documentação.

O processo de retificação, que correu na Vara de Registros Públicos e Cartas Precatórias de Curitiba, levou pouco mais de um ano, e abre jurisprudência no estado com relação a retificação de nome e sexo em certidão de nascimento, bem como na justiça brasileira de um homem transexual que tenha conseguido retificar sua certidão de casamento.

O autor está na fila para terminar sua cirurgia transgenital (metoidioplastia) no Hospital das Clínicas em Goiânia, onde está instalado o ambulatório do Projeto de Transexualidade da Universidade Federal de Goiás (UFG).


16.11.09


Ditadura Gay

por Antonio Prata, Seção: Crônica do Metrópole


“Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o país iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.

Uma senhora chamada Rosemeire, por exemplo, expondo num blog seu temor de que a lei seja aprovada, disse que vivíamos “O início da Ditadura Gay no mundo!”. Pelo que entendi, Rosemeire acredita que está em curso uma batalha global, travada entre héteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os héteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de viadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week e tomarão o poder.

Imagine só, Rosemeire? Criancinhas terão de cantar Village People, na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Aos domingos, em vez de futebol, as TVs transmitirão Holiday on Ice e, com dezoito anos, os jovens serão obrigados a alistar-se no exército, fazer flexões de braço, dormir e tomar banho, uns na frente dos outros. Que horror!

Se você acha que Rosemeire exagerou, é porque não leu o blog de Rozângela Justino, cristã, psicóloga e indignada: “Se este Projeto (...) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.”

Uau, Rozângela! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto, seria de uma casta intermediária? E lutadores do Ultimate Fighting, viveriam de esmolas? Bem, talvez não...

Quanta imaginação têm as duas mulheres. Se seus piores pesadelos fossem filmados, seria preciso unir o talento de um Fellini com o de um Clóvis Bornay; juntar, no mesmo caldeirão, George Orwell e Andy Warhol; vislumbrar as ruas de Nova Déli sendo percorridas pela banda de Ipanema.

Se bem que... Sei lá. Pensando melhor, talvez o temor de Rosemeire e da Dra. Justino tenha algum fundamento. Veja o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!

A batalha racial já está perdida, mas a sexual ainda pode ser ganha! Basta ir ao http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0, clicar em NÃO e mostrar a todos que ainda tem gente disposta a lutar por um mundo injusto, desigual e preconceituoso!


* VOTE NO ´SIM´!!!



Obs: É válido ressaltar que o referido projeto não fala somente de homosexualidade, mas também prevê punição a discriminação por sexo e gênero. E ainda que não constasse, toda e qualquer tentativa de constranger, diminuir, ofender todo e qualquer ser humano, seja ele quem for, deve ser repreendida. Não se trata de impedir a livre expressão de ninguém, mas de MANTER a livre expressão e o respeito fundamental a dignidade humana, assegurado em nossa Carta Magna.

domingo, 15 de novembro de 2009

Uma "definição" não padronizada de transexual.


Transtorno - s.m. Ato ou efeito de transtornar. / Contrariedade; contratempo. / Desarranjo. / Perturbação mental.

Transcender - v.t. Ultrapassar; ser superior a. / v.i. Ir além do ordinário, exceder a todos, chegar a alto grau de superioridade. / Filosofia. Ir além (dos limites do conhecimento).

Transfigurar - v.t. Mudar a figura, a feição de; transformar: o desastre de automóvel transfigurou-lhe o rosto. / Alterar, dar uma idéia falsa: sua interpretação transfigura essa personagem histórica. / v.pr. Mudar de aspecto, por efeito de uma reação psicológica diante de situação inesperada: ao receber a notí­cia, sua fisionomia transfigurou-se.

Transformador - adj. Que transforma. / s.m. Eletricidade. Aparelho estatístico de indução eletromagnética, que transforma um sistema de correntes variáveis em um ou mais sistemas de correntes variáveis da mesma freqüência, mas de intensidade ou tensão geralmente diferentes.

Transparecer - v.i. Aparecer através de. / fig. Deixar-se perceber, revelar-se, manifestar-se.

Transexual – adj., s.m. e s.f. Indivíduo que transtorna seu meio, contraria sua dita imutabilidade, e que vai além do ordinário, que excede os limites impostos, pré – determinados e conhecidos, e muda sua figura, transformando energias distintas e opostas em uma freqüência uníssona que se manifesta e se revela na integralidade do ser.

Fonte: http://www.dicionarioweb.com.br/ , exceto a definição de transexual de autoria do proprietário do blog.

OBS: Não estou fazendo apologia da transexualidade, apenas apresentando uma visão mais positiva e menos estigmatizada; celebrando a diversidade como instrumento de aprendizado, fraternidade e respeito.

Original Plumbing


Original Plumbing é uma revista recente voltada para a comunidade ftm / trans homens nas suas mais variadas formas e embalagens, falando da sua cultura, identidade e sexualidade. Ela documenta a vivência desses indivíduos através de fotografias, entrevistas, ensaios e narrativas pessoais.

O mais curioso é que a revista procura unir as mais variadas formas de expressão, experiências e maneiras de ser de um mesmo grupo, sem criar nichos ou segregar quem possa se identificar com o aspecto masculino do ser, mas fugir ao que a maioria possa considerar padrão. A diversidade é aqui bem-vinda e respeitada.

Criada por Amos Mac (fotógrafo) e co - produzida por Rocco Kayiatos (o rapper e produtor Katastrophe), ambos ftms, é uma produção independente, trimestral, publicada e distribuida em São Francisco, Califórnia, e é atualmente enviada para Europa, Austrália e Canadá.

Quem sabe alguns pedidos daqui, e eles passem a disponibilizar o envio para terras tupiniquins?

Vale a pena uma conferida.

Segue abaixo o link para a revista, para o site de Katastrophe e o de Amos Mac:




Em inglês.